Tuesday, June 08, 2010
Jarmelo
Wednesday, May 26, 2010
Monday, May 24, 2010
Wednesday, May 12, 2010
Pesadelos
Monday, May 03, 2010
Milagre
Chego de manhã
à varanda
espreito a terra
a planta a rasgar
o torrão escuro
sobe devagarzinho
em direcção ao céu
ao sol às estrelas
cada dia cresce
mais um bocadinho
agora desvenda
a cor da flor
mantém-se ainda
escondida num véu
amanhã talvez
talvez o milagre
e a flor rasga
lentamente
o fino tecido
sai uma pétala
do invólucro
como uma pena
de pintainho amarelo
como uma asa
de borboleta
amanhã talvez...
à noite voltei atrás
antes de me ir deitar
fui espiar
a flor à varanda:
às escondidas
nas hastes compridas
surgira
esbelta e vaidosa
uma flor esplendorosa
sob as estrelas...
abro o coração
recolho o milagre
e a voz da cotovia
e, com a alegria
na alma, sonho!
Wednesday, April 28, 2010
À espera
Sunday, April 11, 2010
de quando em quando
de quando em quando
uma noite em branco
texto nas entrelinhas
sangue sem azul
dias desiguais
pássaros a despropósito
pensamento insólito
parêntesis no sol
viagem para sul
conversa fiada
passo em falso
capela entre vinhas
flores nos laranjais
o silêncio nas fontes
um vão de escada
a varanda para o rio
alma penada
o ninho vadio
a água da nascente
a enchente
a passagem na ponte
o vinho e o poeta
a porta aberta
a portagem
a estrada
de quando em quando
a viagem
o saltimbanco
o salto
de quando em quando
o sobressalto...
Saturday, March 27, 2010
Vazio
Wednesday, March 17, 2010
Incerteza
Sunday, March 14, 2010
F.
Levantaste-te da mesa apenas para ir lá fora fumar o último cigarro.
É isso que eu quero crer.
(Não voltaste.
Partiste.
Num domingo cinzento.)
excerto/final de um texto a recordar a minha amiga F.
e que vou guardar para mim.
Monday, February 22, 2010
Passados
com uma mão no peito
através
do caminho estreito
afastando as silvas
tropeçando
nos arbustos invasores
até à casa dos bisavós,
a casa em ruínas
as paredes ainda de pé
abrigavam árvores novas,
o sobreiro antigo engrossou
a figueira velha medrou
a videira apoiada ao choupo
mirrou
de tristeza entre devoradores
trágicos dos miasmas
de antepassados fantasmas;
o velho encostou o corpo
à parede
estendeu as mãos, quis rodear
todas as vidas passadas,
o tempo escorreu-lhe
entre os braços,
as vidas passam
tão depressa,
ainda ontem saí desta casa
cheia de gente
à procura do mundo,
agora regressei
e já não encontrei
ninguém...
o telhado há muito caiu
ruiu
a chaminé, na pedra do lar
na cozinha de terra batida
nem as marcas das cinzas
vingaram...
o velho lançou um olhar
ao sobreiro que restou,
à figueira, ao choupo preso à videira,
retrocedeu mais encurvado
pelo caminho estreito
a mão no peito,
a reter as lágrimas na garganta,
o tempo corre danado
como torrente
indomável ...
a mão no peito
pelo caminho estreito
arrimado
às lembranças,
as lágrimas
presas na voz,
a mão no peito
pelo caminho estreito...
Sunday, February 21, 2010
Cartas de amor
aquece-me o coração de chuva
o comboio partiu dentro do horário
não sei em que dia de tempestade
esqueci-me de virar a folha do calendário
perdi o relógio, a hora, a sanidade
fiquei a arder nesta fogueira
de chama e sombra escura...
escrevo sem paragem
o tempo voltou atrás sem pressa nem vagar
anda desorientado em cartas dispersas de amor
nem sei se fui eu que as escrevi
de tanto tempo fugido e esquecido
aquela mulher não era eu na voragem
da paixão e da ausência num patamar
de outras vidas sem flores e sem cor
nem eras tu devo ter sonhado ou descrevi
esse ser e não ser sem nenhum sentido
só para constar de um romance desvairado
que não pode ter existido.
essas folhas de papel quadriculado
não fui eu que as escrevi
a caligrafia não é minha
nem é minha a vida dessas cartas
são papéis de um armário desarrumado
que encontrei em tempos e onde vi
a confusão romântica de gratas
memórias que a distância vai
embelezando ou destruindo
até ao esquecimento.
a chuva, não te esqueças da chuva
e acende a lareira
nem te esqueças dos papéis
lá no fundo do armário
vira a folha do calendário
e acende a lareira
trago o coração de chuva
muito frio
acende a lareira
o comboio já partiu
ficámos os dois com as velhas cartas nas mãos
lê essas cartas não são tuas nem minhas
são um romance antigo dos nossos avós
não te prendas
podes ficar preso nas malhas das palavras
e, se não voltas, fico para sempre à tua espera
à espera que acendas
outra vez este fogo
em dia de chuva...
ouves a música?
é a chuva ou o teu coração?
o meu não é, há muito que não sei dele!
acende a lareira...
Thursday, February 18, 2010
Barcelona
do arquitecto Gaudí,
numa bebedeira de azul rosa e absinto,
Sunday, January 31, 2010
Sol de Inverno
não fui à missa das onze
nem a outra qualquer
recolhi-me no meu santuário
imaginário
e rezei ou nem sequer
isso, não é rezar
andar
pelo jardim
olhar
assim
espantada
cada árvore estilizada
sem folhas sem nada
só os galhos secos mirrados
aprumados
num céu de sol
azul de inverno.
onde se recolherão os pássaros
em árvores assim pasmadas?
Sunday, January 24, 2010
Baloiço
a miúda ri ao ritmo do baloiço
para cá e para lá
houve um baloiço à beira-mar
num tempo de verão e éramos pequenas
tão pequenas que quase me esqueci
dávamos-lhe balanço com força
esticávamos as pernas os pés
atirávamos a cabeça
e os ombros para trás
e baloiça que baloiça
o baloiço subia no ar
cada vez mais alto
dávamos-lhe balanço
parecia voar
os risos erguiam-se nas gargantas
batiam-se palmas
dávamos-lhe balanço
sem descanso
pernas esticadas
cabeça para trás
e muitos risos
subíamos alto
mais alto
do outro lado da barra
víamos o mar.
o pai empurra o baloiço
da miúda dá-lhe balanço
talvez um dia procure
sozinha alcançar lá do alto
o mar...
Sunday, January 17, 2010
Lar, doce lar
velhas e velhos
numa casa
arrumados
em frente
à televisão
chamam-lhes lares
a essas casas
onde as velhas e os velhos
inquinado o tempo
numa volta da vida
se arrumam
encurralados
à espera de vez
há uma lista
de nomes escritos
nuns papéis amarrotados
na (des)esperança de ocupar
o lugar
do passageiro que partir
primeiro
é uma sala de espera
onde aguardam
muito arrumados
a chamada
para o último comboio.
Wednesday, January 13, 2010
Caminhos
Saturday, January 02, 2010
Douro
tristejavam cinzento as videiras
ajoujadas nas terras
roubadas à pedra,
o douro desatinava
em sangue de barro
entre as penedias,
verdes, as oliveiras
orlavam os socalcos,
a água descia nas levadas,
escorria dos montes
numa invernia sem nome,
um copo de vinho
sobre a toalha branca de linho
descobria sabores antigos
arrancados à profundeza
da história dos homens.
Saturday, December 19, 2009
Tuesday, December 15, 2009
Graus... negativos
no frio marcado a branco
geométrico
na sombra do banco
de madeira,
em todas as sombras.
Thursday, December 10, 2009
Wednesday, December 09, 2009
Duplicado
a luz fugidia
filtrada
pelas nuvens cinzentas
da manhã serena
suaviza
o ar parado,
nem um sussurro
da folhagem;
o canto dos pássaros
sossegado enternece,
a realidade revela-se no lago,
em duplicado,
o comboio partiu
sem ruído,
vazio,
ninguém procura
outros sóis, outra paragem;
o alecrim floresce
no canteiro selvagem.
Saturday, December 05, 2009
Dia de chuva
trouxe o nevoeiro do cimo da serra
e cobriu de frio a face da terra
o lago, o rio, o mar, a árvore...
amanhã choverá o dia inteiro
a clarear a alma angustiada,
descerá a prece da madrugada
e a água vai engolir o nevoeiro...
como quem chora sem saber porquê!
Monday, November 30, 2009
Frio
Thursday, November 19, 2009
Muro
Tuesday, November 17, 2009
Depois da tempestade
depois da tempestade
escorre subterrânea a água,
a terra respira saciedade,
os pássaros voam em bandos
eufóricos da bonança,
as pedras magoadas
de granito cinzento,
o lago quieto hoje
espelha árvores
ao contrário.
Friday, November 13, 2009
Pesadelo
Contorciam-se enroscadas umas nas outras
as cobras.
Acordei: estava presa num qualquer lugar esquecido,
as portas não abriam,
gritava por ti sem voz
e não ouviste o meu pensamento.
Acordei: chovia e o céu cinzento oprimia a terra,
que não respirava nem gerava flores.
Acordei: quatro caminhos e eu sem saber o destino.
O comboio nem sequer partiu para lado nenhum.
Quero adormecer e acordar nos teus braços.
Monday, November 09, 2009
Contra a corrente
Wednesday, November 04, 2009
Viagem
por fortes ventanias
de terra em terra;
de quando em quando,
em momentos de acalmias,
ainda lhes tremiam
as pernas de lutar
contra os vento desorientados,
encontravam um lugar
momentâneo e abrigado
dos ares furiosos e das neves;
sabiam que não era para sempre,
amarravam as árvores ao chão
para não voarem à procura
de uma nesga de céu, quando
se adivinhava vendaval;
não sentiam compreensão
naquela viagem sem destino,
sem levar objectos nem amigos,
não havia tempo de os guardar,
eram para eles um sonho fugaz;
um dia, cada um, por cansaço
ou escolha, encontraram a paz
num canto e sentem prazer
em ficar mais e mais,
embora a alma de nómadas
de antigamente continue inquieta;
então, fogem através das montanhas
sem pensar, sem ventos nem tempestades,
e procuram o mar; depois, regressam,
não sabem se é para ficar.
Sunday, November 01, 2009
Sonho
Wednesday, October 21, 2009
Cinzento-luz
Monday, October 19, 2009
Outubro
Tuesday, October 13, 2009
Pássaros
Wednesday, October 07, 2009
Depois da tempestade
depois da tempestade nocturna
não me conformo nesta prisão sem grades;
se não decido partir, como vou conhecer
os cinzentos indecisos espalhados pelos céus,
como vou saber as árvores desfalecendo
em gotas e folhas e o ribeiro descendo
envolto em lama e espuma,
e como vou seguir o vento alvoroçado
sem bússola nem norte
ou os pássaros estonteados de água,
como posso encontrar o caminho?
quero ler o espanto das gentes,
quando eu atravessar o temporal.
vou partir, livre como um verso,
serei árvore e seiva
sem criar raízes num lugar só.
Outono
Esfuma-se em brumas avalónicas a cinzentura do dia,
descolam-se as gotas das nuvens
e poisam a embalar a vermelhidão de folhas,
cânticos desfeitos em águas cristalinas
ecoam na montanha invisível,
deslizam pelas pedras endurecidas,
nem fio de vento passa entre as divindades
ocultas de rochedos e águas.
Saturday, October 03, 2009
Outono
Tuesday, September 22, 2009
aparência
Saturday, September 19, 2009
Pássaro e rosas
o som do sino
um longínquo sinal
chega de uma igreja
que não sei
ouço os pássaros
não os vejo
apenas os entre-sonho
nos ramos gotejados
da chuva matinal.
o homem de chapéu
na cabeça quedou
sentado inclinado
no banco de pedra
leva as mãos ao rosto
(cansado do caminho que fez
ou do que tem para andar?);
páro o olhar nas gotas
caídas pelas folhas
e flores, olho outra vez
e o homem já abandonou
o momentâneo lugar
de paragem.
à passagem,
meto na boca duas
amoras maduras;
sento-me no chão lento
de palha amarela,
não quero espantar
o pássaro pousado
no galho mais alto;
sigo o céu cinzento
que amanhã não
será mais igual,
amanhã volto contigo!
sem me esconder,
roubo rosas e pássaros
para pôr nas fotografias.
Thursday, September 17, 2009
noite
apenas a noite do princípio dos tempos: clarões abrasadores arrasaram a escuridão
por momentos claros; pressentiu-se a queda das gotas ao longe antes da real percepção
da chegada em aluvião
da chuva carregada de cheiros
a manhã chegou limpa
límpida
acalmou o pó nos caminhos
e os pardais entrecruzam os voos e os cantos
de ramo em ramo como se tivesse chegado a primavera…
Sunday, September 13, 2009
pássaros
trovoada no ar
nuvens em castelo
anda um corvo
negro a voar
flores pequenas
amarelas
entre a secura
do restolho;
as rãs escolhem
a frescura
do lago artificial
adiante ainda as amoras
maduras e negras
a chamar os caminhos
quentes e esquecidos;
onde andam os pássaros
que ninguém os ouve?
talvez à sombra quietos
a fugir das horas
batidas pelo calor.
e nisto que surpresa!
ultrapassam nossos passos
e em abraços
prendem os ramos
(nós vamos
lado a lado
e paramos)
os pássaros…
Thursday, September 03, 2009
Garça
Monday, August 31, 2009
pensamento
Wednesday, August 26, 2009
historieta
acordo sem horas de relógio
ainda nem o encontrei
exilado que foi
para algum saco sem fundo
abro a cortina
de elementos marítimos
saio para a varanda
e alongo o olhar sem neblina
no mar em frente
a praia ainda aparentemente
deserta
desperta
as barracas nuas ainda
um guarda-sol verde plantado
cedo na areia
e sempre o olhar no profundo
mar este sentimento
de obsessão e loucura
de conhecimento
do mais além
se calhar foi assim
que o ínclito infante
se pôs em sagres
a mão em pala, os olhos
a cismar e a cabeça
a imaginar outro mundo
regressei
à montanha e trouxe comigo
aquela imagem trago-as sempre
fecho os olhos e estou
numa varanda frente ao mar
o mesmo mar outra praia
um rochedo algas e areia
e na praia quase deserta
que desperta
pouco a pouco
duas mulheres caminham
páram e avançam
em gestos e risos
e guardam as conversas
como conchas e búzios...
Monday, August 24, 2009
corpos estendidos na areia sedentos de sol
gaivotas sem gritos inquietos espreitam o mar
ao sabor das ondas e do tempo o rochedo
ergue-se em altar
nas horas de nevoeiros sebastiânicos
partem os pescadores
e à tardinha o sol cai em fogo
ou anuncia a noite em branco brilhante.
Tuesday, August 04, 2009
pausa
Thursday, July 30, 2009
insónia
a insónia atrai pesadelos
das entranhas do mundo
anseios telúricos, apelos
das profundezas ignoradas
vulcões quase extintos
as lavas-fogo escoadas
em fantasmas não ditos
presenças pressentidas
em corpos inabitáveis
poços escuros sem fundo
monstros ingovernáveis
de almas partidas…
enquanto não emerge
a aurora e o sol não cresce
das cinzas nocturnas…
Tuesday, July 21, 2009
A lua
na luz e nas crateras
ou ficava inatingível e descíamos das estrelas para a escuridão com muitos pontos brilhantes e o estio era um país único e tinha noites quentes e avós
Friday, July 17, 2009
relógio
Tuesday, July 07, 2009
Poeta
ficcionista de sentimentos
paisagens interiores
de tormentos
e amores
espírito fora dos muros
do mundo
desconstrói-se
em pedras e chão
eleva-se
em absinto e explosão
a alma embriagada
de palavras e vida...
Saturday, July 04, 2009
Hortênsias
Durmo.
Acordo com a luz da manhã.
Cada dia, renascer
é um milagre, que não sabemos...
Na jarra bojuda, um ramo
de hortênsias
brancas, rosa e azuis...
Thursday, July 02, 2009
dia perdido
procurei-o
por toda a parte,
encontrei-o trancado num sótão
sem chave possível...
Wednesday, June 24, 2009
Monday, June 22, 2009
Medos
Monday, June 15, 2009
Sem sentido
-há quem passe a vida inteira-
à procura de um sentido
para a vida
e se não há sentido?
se a vida não é uma passagem?
nem vale de lágrimas
nem desfiladeiro nem cruz?
se a vida é simplesmente
sentido proibido
miragem
caminho de sombras sem luz
nem chegada nem partida
palavra sem direito a erro
desterro
precipício
delírio
beco sem saída
naufrágio
jogo sem princípio
nem fim?
se é apenas o tempo
de uma rosa florir
efeito borboleta
equilíbrio de balança
o eclodir
de um ovo
gota de sangue
uma bênção
dos avós
uma criança sorrir
passo de dança
a chuva cair
a água gelar
a queda de uma folha
uma decisão
a sós
desgosto de amor?
o tempo
de um suspiro
o cansaço
uma palavra
um abraço?
será breve
sempre
o tempo
será mais leve
se alguém estiver
à nossa espera?!
… entretanto,
num tempo
de um pranto,
de um riso,
de um cheiro,
um segundo impreciso,
três mulheres colhem flores de sabugueiro…
Friday, June 12, 2009
Prémio Lemniscata
da kaótica http://opafuncio.blogspot.com/Texto da editora de "Pérola da cultura"
Segundo as regras este prémio é para ser atribuído a 7 blogues.
Thursday, June 04, 2009
Passeio
para um passeio
o caminho ladeado
de pássaros,
esperam por mim,
saltam do meio
dos arbustos e das flores,
levantam voo
até mais à frente
voltam atrás,
voltam à direita,
giram à esquerda,
sobem e descem
passam em tangente,
ziguezavoam,
equilibram-se
num ramo frágil,
baloiçam,
espreitam da árvore,
escondem-se em cantorias,
fogem, regressam,
descem em voo baixo,
serpenteiam,
tonteiam,
esperam...
e recomeçam
as traquinices,
passeio num caminho
ladeado de pássaros...
Monday, June 01, 2009
Crianças
Tuesday, May 26, 2009
Fim de semana
Saturday, May 16, 2009
Ponto-pássaro
Friday, May 15, 2009
Aniversário
em viagem
a criança a (dis)correr
silêncios
no quadro da paisagem
muito quieta
ensimesmada
e a mãe:
então, filha,
vais tão calada?
e a criança, baixinho,
para não espantar
os espíritos
os sonhos as urzes
da serra:
schiu! Estou a pensar!...
e caiu entre elas
único cúmplice e lento
de eternidade
que ficou só
Monday, May 11, 2009
Chuva
Tuesday, May 05, 2009
Manhãs
a correr por uma foto