o turista chegou numa manhã de neve
gelaram os gestos no alto do castelo
e o vento levou as palavras frias.
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Tuesday, February 28, 2012
O gato
o gato escondido
felino
camaleónico
entre os tufos de erva
verde esturricada
da geada
pressente-nos
encolhe-se
enterra-se
os olhos espertos
estica-se
distende-se todo
sobre as patas traseiras
desviamos o olhar
um segundoum mísero segundo
vai o gato todo ufano
cabeça de lado
a olhar de viés
a desaparecer
junto à casa em ruínas
Friday, February 18, 2011
Saturday, January 29, 2011
Neve
o ar macio
o pássaro negro de gravata vermelhaancorado num ramo da árvore esquálida
o céu pálido
a neblina encaracolando-se no cume da serra
desce a neve
na quietude do cinzento.
Tuesday, January 11, 2011
sonho
deste-me uns lençóis às flores,
quando eu não tinha chão;
prendeste-me nos braços, quando eu caí à procura de uma estrela;
lançaste um papagaio de papel para eu ver o céu...
Wednesday, January 05, 2011
Nevoeiro
no caminho, seguem-me os meus próprios passos
as gotículas do nevoeiro trespassam-me os sonhos complexos
a chuva entranha-se nos meandros oníricos das manhãs...
as gotículas do nevoeiro trespassam-me os sonhos complexos
a chuva entranha-se nos meandros oníricos das manhãs...
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Sta Cruz do Douro
Wednesday, December 22, 2010
Sunday, January 31, 2010
Sol de Inverno
não fui à missa das onze
nem a outra qualquer
recolhi-me no meu santuário
imaginário
e rezei ou nem sequer
isso, não é rezar
andar
pelo jardim
olhar
assim
espantada
cada árvore estilizada
sem folhas sem nada
só os galhos secos mirrados
aprumados
num céu de sol
azul de inverno.
onde se recolherão os pássaros
em árvores assim pasmadas?
Sunday, January 24, 2010
Baloiço
a miúda ri ao ritmo do baloiço
para cá e para lá
houve um baloiço à beira-mar
num tempo de verão e éramos pequenas
tão pequenas que quase me esqueci
dávamos-lhe balanço com força
esticávamos as pernas os pés
atirávamos a cabeça
e os ombros para trás
e baloiça que baloiça
o baloiço subia no ar
cada vez mais alto
dávamos-lhe balanço
parecia voar
os risos erguiam-se nas gargantas
batiam-se palmas
dávamos-lhe balanço
sem descanso
pernas esticadas
cabeça para trás
e muitos risos
subíamos alto
mais alto
do outro lado da barra
víamos o mar.
o pai empurra o baloiço
da miúda dá-lhe balanço
talvez um dia procure
sozinha alcançar lá do alto
o mar...
Saturday, January 02, 2010
Douro
choravam as lajes de xisto,
tristejavam cinzento as videiras
ajoujadas nas terras
roubadas à pedra,
o douro desatinava
em sangue de barro
entre as penedias,
verdes, as oliveiras
orlavam os socalcos,
a água descia nas levadas,
escorria dos montes
numa invernia sem nome,
um copo de vinho
sobre a toalha branca de linho
descobria sabores antigos
arrancados à profundeza
da história dos homens.
tristejavam cinzento as videiras
ajoujadas nas terras
roubadas à pedra,
o douro desatinava
em sangue de barro
entre as penedias,
verdes, as oliveiras
orlavam os socalcos,
a água descia nas levadas,
escorria dos montes
numa invernia sem nome,
um copo de vinho
sobre a toalha branca de linho
descobria sabores antigos
arrancados à profundeza
da história dos homens.
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Wednesday, February 04, 2009
Inverno
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