depois da tempestade
escorre subterrânea a água,
a terra respira saciedade,
os pássaros voam em bandos
eufóricos da bonança,
as pedras magoadas
de granito cinzento,
o lago quieto hoje
espelha árvores
ao contrário.
depois da tempestade nocturna
não me conformo nesta prisão sem grades;
se não decido partir, como vou conhecer
os cinzentos indecisos espalhados pelos céus,
como vou saber as árvores desfalecendo
em gotas e folhas e o ribeiro descendo
envolto em lama e espuma,
e como vou seguir o vento alvoroçado
sem bússola nem norte
ou os pássaros estonteados de água,
como posso encontrar o caminho?
quero ler o espanto das gentes,
quando eu atravessar o temporal.
vou partir, livre como um verso,
serei árvore e seiva
sem criar raízes num lugar só.