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Wednesday, May 12, 2010

Pesadelos


Cortem-me estas amarras

que me pesam

me prendem

a pesadelos e demónios

a vaguear na escuridão

das noites negras:

nem as cigarras

posso ouvir

nem sei colher

o pequeno malmequer

do outro lado

do arame farpado
com este aperto

no peito que me tolhe;

enquanto caminho

a destropeçar de pedra

em pedra,

sinto uns passos,

volto-me de repente,

vejo-me sombra

da minha sombra,

um restolhar de folhas

mais nada nem ninguém...

Saturday, March 27, 2010

Vazio


em cima da mesa de cabeceira


abandonada


a conversa inacabada,


enclavinhada nas dobras do lençol


inquietou-se a alma vazia e dorida


nesta noite esfarrapada,


o pesadelo vampiriza os sonhos,


ficam frios


os pés.

Friday, November 13, 2009

Pesadelo


Contorciam-se enroscadas umas nas outras
as cobras.

Acordei: estava presa num qualquer lugar esquecido,
as portas não abriam,
gritava por ti sem voz
e não ouviste o meu pensamento.

Acordei: chovia e o céu cinzento oprimia a terra,
que não respirava nem gerava flores.


Acordei: quatro caminhos e eu sem saber o destino.
O comboio nem sequer partiu para lado nenhum.

Quero adormecer e acordar nos teus braços.

Tuesday, September 09, 2008

Vazio


Esta noite

sentei a minha alma

no cantinho do sofá

e para ali está

numa amorfa calma,
amarfanhou-se
toda a tarde em papéis
esvaziou-se de mim,
não tarda nada adormece,
arrefece
e eu adormeço
junto dela,
afasto-lhe os pesadelos
com as mãos, devagar,
aqueço
o seu alento,
lamento
este vazio...