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Thursday, December 13, 2012
Filosofando em dia de nevoeiro
o nevoeiro desce sobre todos
sobre tudo
não se vê nada, só vultos
a fugir sem pressa,
fantasmas a dobrar
as esquinas
de ruas assombradas.
nestas manhãs pardas
que mistérios nos esperam
no final da ponte
nas curvas da estrada
nas encruzilhadas?
o gato estendeu o corpo amarelado
no telhado
confundiu a luz cinza-esbranquiçada
da neblina e procurou o seu lugar
das manhãs de sol.
à socapa
o homem no supermercado
entretém-se a trocar os preços
dos produtos à venda.
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frio,
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Guarda,
mês de Dezembro,
nevoeiro,
outono,
vultos
Outono frio
caídas as folhas
uma a uma
o homem junta-as num montinho
arranhando o chão
em manobras lentas
de uma vassoura-ancinho.
o sol vai e vem atarantado
as nuvens arrastam o frio
talvez neve na serra.
uma a uma
o homem junta-as num montinho
arranhando o chão
em manobras lentas
de uma vassoura-ancinho.
o sol vai e vem atarantado
as nuvens arrastam o frio
talvez neve na serra.
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Friday, September 28, 2012
Outono
O Verão todo gastou-se em convulsões de sol,
já pressinto a garganta a atragantar
de cachecóis
os pés encafuados em meias
e sapatos bem fechados.
O homem de camisola vermelha isolou-se,
sentou-se nas coçadas escadas
da casa em ruínas, sem portas sem janelas,
sem telhado,
no meio do descampado tristonho,
pôs-se a ler um livro.
Os namorados agarradinhos aos beijos
o rapaz sentado no muro
a rapariga encostada a ele,
corre o Outono pela rua fora
e eles quedam-se em espantos mútuos
ignorando o céu cinzento.
já pressinto a garganta a atragantar
de cachecóis
os pés encafuados em meias
e sapatos bem fechados.
O homem de camisola vermelha isolou-se,
sentou-se nas coçadas escadas
da casa em ruínas, sem portas sem janelas,
sem telhado,
no meio do descampado tristonho,
pôs-se a ler um livro.
Os namorados agarradinhos aos beijos
o rapaz sentado no muro
a rapariga encostada a ele,
corre o Outono pela rua fora
e eles quedam-se em espantos mútuos
ignorando o céu cinzento.
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muro,
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outono,
ponte pedonal
Wednesday, September 28, 2011
Dantes, também escrevia cartas assim
a pôr pontos nos is
a gastar-me de mim
a desgastar-me
a desgostar-me.
Agora, fecho os olhos à mágoa
ouço os pássaros, sinto a leveza
das asas espanejando no ar
e a água
do lago a borboletear baixinho
canções de amores.
Pela manhã, ando à procura,
procuro o caminho das rosas,
pressentindo que já partiram
rumo à primavera seguinte.
Encontro gotas de chuva...
... ainda há rosas no parque.
a pôr pontos nos is
a gastar-me de mim
a desgastar-me
a desgostar-me.
Agora, fecho os olhos à mágoa
ouço os pássaros, sinto a leveza
das asas espanejando no ar
e a água
do lago a borboletear baixinho
canções de amores.
Pela manhã, ando à procura,
procuro o caminho das rosas,
pressentindo que já partiram
rumo à primavera seguinte.
Encontro gotas de chuva...
... ainda há rosas no parque.
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carta,
outono,
Parque Urbano do Rio Diz,
rosas,
setembro
Saturday, December 11, 2010
Monday, November 15, 2010
Sonhos
Nem sei se acordei
vi-me no meio de um nevoeiro intenso
procurava procurava-me procurava-te
e não me encontrava não te encontrava
prisioneira dentro de mim
gritava
participei na fuga escapei
nas garras do nevoeiro
um cheiro tardio a incenso
não se vê nada ninguém acende a luz
na tarde precocemente noctívaga
a noite engoliu os sonhos
tão cedo...
Sunday, October 31, 2010
Árvores no outono
uma árvore
as folhas verde-acastanhadas amarelaram num ápice
começaram a cair pouco a pouco apoucaram nos ramos
quedaram meia dúzia a naufragar agarradas aos troncos mais finos
chegou na escuridão um safanão de espíritos e ventos embruxados
e arrancou desapiedado as folhas sobrantes agonizantes no chão
um arrepio correu a noite num brado de mistérios acesos
à volta de uma fogueira na clareira escondida entre as sombras dançantes
bruxuleantes de sons fantasmagóricos e músicas esquecidas nas pedras
a árvore ergueu os braços despidos num delírio obscuro do princípio da terra...
Monday, October 18, 2010
sol de outono
Thursday, September 30, 2010
Folhas caídas
o homem vagueava pela cidade
arengando embriaguez e loucura
em gestos e palavras absurdas;
caiu sem vida e sem idade
atravessando a serra crua
com as primeiras folhas do outono.
arengando embriaguez e loucura
em gestos e palavras absurdas;
caiu sem vida e sem idade
atravessando a serra crua
com as primeiras folhas do outono.
Thursday, September 23, 2010
Amoras
Wednesday, December 09, 2009
Duplicado
a luz fugidia
filtrada
pelas nuvens cinzentas
da manhã serena
suaviza
o ar parado,
nem um sussurro
da folhagem;
o canto dos pássaros
sossegado enternece,
a realidade revela-se no lago,
em duplicado,
o comboio partiu
sem ruído,
vazio,
ninguém procura
outros sóis, outra paragem;
o alecrim floresce
no canteiro selvagem.
Labels:
manhã,
outono,
Parque Rio Diz Guarda,
serenidade
Monday, November 09, 2009
Contra a corrente
Tuesday, October 13, 2009
Pássaros
Wednesday, October 07, 2009
Depois da tempestade
depois da tempestade nocturna
não me conformo nesta prisão sem grades;
se não decido partir, como vou conhecer
os cinzentos indecisos espalhados pelos céus,
como vou saber as árvores desfalecendo
em gotas e folhas e o ribeiro descendo
envolto em lama e espuma,
e como vou seguir o vento alvoroçado
sem bússola nem norte
ou os pássaros estonteados de água,
como posso encontrar o caminho?
quero ler o espanto das gentes,
quando eu atravessar o temporal.
vou partir, livre como um verso,
serei árvore e seiva
sem criar raízes num lugar só.
Saturday, October 03, 2009
Outono
Friday, October 24, 2008
Palavras soltas à volta de um castanheiro
vendaval de desesperança
bonança
limpidez do ser
céu azul
nas entrelinhas tresler
linha perpétua
desesperada a régua
no horizonte longínquo
rosa oblíquo
sem chegada sem partida
despida
viagem adiada
palavra nada inspirada
desfeita em acrónimo
de despoeta anónimo
no castanheiro
o primício
ouriço
inteiro
inflecte
reflecte
cai ou não
introspecção…
bonança
limpidez do ser
céu azul
nas entrelinhas tresler
linha perpétua
desesperada a régua
no horizonte longínquo
rosa oblíquo
sem chegada sem partida
despida
viagem adiada
palavra nada inspirada
desfeita em acrónimo
de despoeta anónimo
no castanheiro
o primício
ouriço
inteiro
inflecte
reflecte
cai ou não
introspecção…
Friday, September 26, 2008
Manhã de outono
Que linda manhã:
a luz suave
o céu acetinado
o cheiro a maçã
a voar, uma ave,
pássaro endiabrado,
na árvore,
as folhinhas
ainda verdes
a dançar, a dançar,
atrás e adiante
muito devagar!...
a luz suave
o céu acetinado
o cheiro a maçã
a voar, uma ave,
pássaro endiabrado,
na árvore,
as folhinhas
ainda verdes
a dançar, a dançar,
atrás e adiante
muito devagar!...
Friday, September 19, 2008
Nuvens
No céu encoberto
decerto
estupefacto
entre a luz do estio
e a sombra do outono,
o trovão num impacto
de eléctrico brilho
abre as entranhas
das nuvens estranhas
em chuva cantada
sobre a terra ansiosa
e o cheiro sempre novo
nunca esquecido
sobe do chão molhado
até à janela entreaberta...
o avô espreita e o milho dourado
volta a estender-se na eira:
foi só uma nuvem passageira!...
decerto
estupefacto
entre a luz do estio
e a sombra do outono,
o trovão num impacto
de eléctrico brilho
abre as entranhas
das nuvens estranhas
em chuva cantada
sobre a terra ansiosa
e o cheiro sempre novo
nunca esquecido
sobe do chão molhado
até à janela entreaberta...
o avô espreita e o milho dourado
volta a estender-se na eira:
foi só uma nuvem passageira!...
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