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Saturday, August 21, 2010

Praia Azul












Quatro varandas viradas para o mar
um guarda-sol azul no extenso areal
e azul rendilhado de branco ainda o mar
azul a praia onde se escreve a rimar
uma toalha estendida ao sol só uma de manhãzinha
os passos marcados na areia limpa e fria
e os abraços saborosos a cheirar a maresia
sem quê nem porquê entre conversas e risadas
e a espuma branca estendida na areia brilhante de sol e luz
recortado de branco na falésia o bar a varandinha
cheiinho de pôr-do-sol e a saudade a saudade do mar
e do verão e da areia por ali sempre a pairar
como as gaivotas frente às janelas a voar
contra o vento devagar...

Wednesday, August 26, 2009

historieta




acordo sem horas de relógio
ainda nem o encontrei
exilado que foi
para algum saco sem fundo
abro a cortina
de elementos marítimos
saio para a varanda
e alongo o olhar sem neblina
no mar em frente
a praia ainda aparentemente
deserta
desperta
as barracas nuas ainda
um guarda-sol verde plantado
cedo na areia
e sempre o olhar no profundo
mar este sentimento
de obsessão e loucura
de conhecimento
do mais além
se calhar foi assim
que o ínclito infante
se pôs em sagres
a mão em pala, os olhos
a cismar e a cabeça
a imaginar outro mundo

regressei
à montanha e trouxe comigo
aquela imagem trago-as sempre
fecho os olhos e estou
numa varanda frente ao mar
o mesmo mar outra praia
um rochedo algas e areia
e na praia quase deserta
que desperta
pouco a pouco
duas mulheres caminham
páram e avançam
em gestos e risos
e guardam as conversas
como conchas e búzios...

Monday, August 24, 2009


corpos estendidos na areia sedentos de sol
gaivotas sem gritos inquietos espreitam o mar

ao sabor das ondas e do tempo
o rochedo
ergue-se em altar


nas horas de nevoeiros sebastiânicos
partem os pescadores


e à tardinha o sol cai em fogo

ou anuncia a noite em branco brilhante.

Thursday, July 17, 2008

Volta pelas praias


S. Martinho do Porto


vem lá de longe da infância


de começar a conhecer,


da noção de existir e ser,


vem de uma distância


até à Escola de laçarote,


de jogar como um rapazote,


de viver junto à desenhada


Concha inconfundível,


de nos escapulirmos a correr


para nos espantarmos


com a recém-chegada TV,


dos banhos no mar no Verão,


da praia a toda a hora,


do mar a entrar pela casa fora


no surpreso Inverno terrível,


os búzios, o cheiro a maresia,


o nascimento de uma irmã,


a praia vazia pela manhã,


a Mãe, tão jovem e linda,


um cágado no jardim, o perfume


das ervilhas de cheiro ainda,


as corda-de-viola ou campainhas


a saltar por todos os muros,


as mulheres de negro


noite dentro à espera


dos pescadores, homens,


filhos e irmãos, amigos,


em presságios cruéis e duros,


como estátuas doloridas,


a irmã cortou-se num pé


não pode andar,


está sentada, sossegada,


numa cadeira


e eu, à sua beira,


leio a história do José


do Egipto de fio a pavio,


o mar a marulhar,


em música de fundo.