a primavera grita sob o céu ainda cinzento
a tristeza dói até à medula
caminho no chão enlameado
para onde fugiram os pássaros, que ninguém os ouve
voa de ramo em ramo um corvo
sobrevoam o lago umas andorinhas de penas negras
as gotas escorrem nos caules das árvores adormecidas
um sobressalto de primavera
numa volta do caminho
no vaso esquecido ao canto da varanda
desabrocha a medo um botão pequenino.