O Verão todo gastou-se em convulsões de sol,
já pressinto a garganta a atragantar
de cachecóis
os pés encafuados em meias
e sapatos bem fechados.
O homem de camisola vermelha isolou-se,
sentou-se nas coçadas escadas
da casa em ruínas, sem portas sem janelas,
sem telhado,
no meio do descampado tristonho,
pôs-se a ler um livro.
Os namorados agarradinhos aos beijos
o rapaz sentado no muro
a rapariga encostada a ele,
corre o Outono pela rua fora
e eles quedam-se em espantos mútuos
ignorando o céu cinzento.
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Friday, September 28, 2012
Thursday, July 05, 2012
Namorados
o vento entrança enlaça os pensamentos
cabelos desalinhados
subimos a calçada nova
para o ponto mais alto
granítico
baixamos os olhos sobre a cidade
as mulheres sentadas
nos degraus gastos de séculos
à sombra
a entretecer vidas em rendas
com pequenas agulhas de croché
escolheram o banco mais cimeiro
os dois jovens
reis da cidade
a cidade a seus pés
o par de namorados
sentados
de costas voltadas à urbe
olhos vidrados no castelo
o vento enrolando
desenrolando os cabelos
as borboletas às voltas
entre as pétalas das flores silvestres
que sobem nas encostas
os séculos emaranhados
nas pedras de outrora
caminhos de outros tempos
o vento de agora
os enamorados
sentam-se
trocam segredos
no banco
no ponto mais alto
o vento enlaça enrola enrodilha
os cabelos.
cabelos desalinhados
subimos a calçada nova
para o ponto mais alto
granítico
baixamos os olhos sobre a cidade
as mulheres sentadas
nos degraus gastos de séculos
à sombra
a entretecer vidas em rendas
com pequenas agulhas de croché
escolheram o banco mais cimeiro
os dois jovens
reis da cidade
a cidade a seus pés
o par de namorados
sentados
de costas voltadas à urbe
olhos vidrados no castelo
o vento enrolando
desenrolando os cabelos
as borboletas às voltas
entre as pétalas das flores silvestres
que sobem nas encostas
os séculos emaranhados
nas pedras de outrora
caminhos de outros tempos
o vento de agora
os enamorados
sentam-se
trocam segredos
no banco
no ponto mais alto
o vento enlaça enrola enrodilha
os cabelos.
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