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Thursday, April 19, 2012

Abraço

Já reparaste? Anoiteceu.
Quando te encontrar
vou correr para te abraçar.
Com saudades da memória
de um amor que não aconteceu.

Monday, April 16, 2012

No parque. Chuva.

Que saudades eu tinha
de caminhar à chuva
limpar a alma
seca do pó dos tempos
caminhar nesta calma
sentir cada gotinha
que a terra suga
e as flores sorvem
ficar assim parada
as andorinhas em acrobacias
rasantes sobre o lago cinzento
quedar-me assim deslumbrada
a sensação de fresca liberdade
das crianças de sempre
de outros tempos e lugares
a chapinhar em cada poça encharcada
chegar a casa molhada
e os pés às gargalhadas...




Monday, April 09, 2012

No Parque. O pardal.

O pardal
mal
me pressente
fica um momento
quieto no ramo ainda sem folhas nenhumas.
Voa
da árvore sem ainda folhas nenhumas
despida
para o ramo da árvore florida
cheiinha de folhas verdes.
Esconde-se.
Vou andando
muito lentamente.
O pardal rodeia o ramo da árvore florida.
Camuflado, queda-se entre a ramagem.
Uma miragem.
Espera.
Espera mais um bocadinho.
Vou andando.
O pardal
encolhe-se.
Joga às escondidas.
Como quem ri.
Voa.
Para longe.
Como quem ri à gargalhada.
Malandro, ainda te apanhei.
Na fotografia!


Wednesday, September 28, 2011

Dantes, também escrevia cartas assim
a pôr pontos nos is
a gastar-me de mim
a desgastar-me
a desgostar-me.

Agora, fecho os olhos à mágoa
ouço os pássaros, sinto a leveza
das asas espanejando no ar
e a água
do lago a borboletear baixinho
canções de amores.

Pela manhã, ando à procura,
procuro o caminho das rosas,
pressentindo que já partiram
rumo à primavera seguinte.

Encontro gotas de chuva...

... ainda há rosas no parque.



Friday, May 20, 2011

Instantâneos

Choveu.
O velho vai andando
cabeça baixa
mãos atrás das costas
olhando,
aqui e ali
pára,
veio beber
nas pétalas das rosas
o alívio da solidão,
se alguém lhe diz bom dia!
levanta os olhos, sorri,
leva as mão ao coração,
agradece o gesto
bem haja pela sua palavra!
como se o dia se enchesse de luz,
sabe, as pessoas já não falam como dantes,
andam num ritmo muito agitado,
por isso é gratificante a sua palavra.
Choveu.
Voltará a chover não tarda.
O velho encaminha-se para casa.
Leva as mãos atrás das costas
e um brilho nos olhos,
levanta a cabeça para o céu,
espiando as gotas de chuva.

Monday, March 14, 2011

A primavera... talvez

cai uma chuvinha tonta
a primavera grita sob o céu ainda cinzento
a tristeza dói até à medula

caminho no chão enlameado
para onde fugiram os pássaros, que ninguém os ouve
voa de ramo em ramo um corvo
sobrevoam o lago umas andorinhas de penas negras
as gotas escorrem nos caules das árvores adormecidas

um sobressalto de primavera
numa volta do caminho

no vaso esquecido ao canto da varanda
desabrocha a medo um botão pequenino.