a casa
a casa onde nasceste
no meio de quintais
ao lado do poço
a casa de passagem
na rua da nesga do mar
a casa da tua infância
a infância foi ali
(depois perdeu-se
não sei em que momento do caminho
encruzilhada
viagem
portal
casa
janela
lágrima
riso)
diante da baía
a baía vive também nos livros
a baía do Verão
da praia das barracas coloridas
às riscas
dos banhos no mar
dos polvos arrancados às pedras
das corolas azuis sobre os muros
das ervilhas-de-cheiro
a casa do nascimento
da tua primeira irmã
a casa do Inverno
o mar a entrar corredor dentro
o pai a lançar-se às ondas de Fevereiro
os pass(e)antes a vê-lo a nadar
encolhidos de frio
a praia de todos
a praia só nossa
as pequenas fugas
os pequenos desgostos
as tranças
o livro minúsculo do José do Egipto
(existe até hoje milhões de anos passados)
a irmã em convalescença
o Catitinhas as barbas brancas
a criançada
sentada na areia
a ver os robertos
a estação a automotora
que te levou do paraíso...
Showing posts with label S. Martinho do Porto. Show all posts
Showing posts with label S. Martinho do Porto. Show all posts
Saturday, March 03, 2012
Wednesday, March 04, 2009
Aniversário

hoje
chove…
quando nasceste
o dia chegou
com certeza
lindo de luz
faiscando
sobre a baía
da nossa infância
estrelejando
de alegria e ânsia…
não me lembro do sol
só me lembro
de uma criança
pequena
muito pequena
morena
muito morena
que seria
sempre
minha companhia
e o meu farol…
chove…
quando nasceste
o dia chegou
com certeza
lindo de luz
faiscando
sobre a baía
da nossa infância
estrelejando
de alegria e ânsia…
não me lembro do sol
só me lembro
de uma criança
pequena
muito pequena
morena
muito morena
que seria
sempre
minha companhia
e o meu farol…
(a casa lá está
frente ao mar
as palmeiras
cresceram primeiro
que nós
ainda se avista
o rasto
das traineiras
e no ar
ainda se sente
às vezes
na nossa mente
o perfume
das ervilhas de cheiro)
Thursday, July 17, 2008
Volta pelas praias

S. Martinho do Porto
vem lá de longe da infância
de começar a conhecer,
da noção de existir e ser,
vem de uma distância
até à Escola de laçarote,
de jogar como um rapazote,
de viver junto à desenhada
Concha inconfundível,
de nos escapulirmos a correr
para nos espantarmos
com a recém-chegada TV,
dos banhos no mar no Verão,
da praia a toda a hora,
do mar a entrar pela casa fora
no surpreso Inverno terrível,
os búzios, o cheiro a maresia,
o nascimento de uma irmã,
a praia vazia pela manhã,
a Mãe, tão jovem e linda,
um cágado no jardim, o perfume
das ervilhas de cheiro ainda,
as corda-de-viola ou campainhas
a saltar por todos os muros,
as mulheres de negro
noite dentro à espera
dos pescadores, homens,
filhos e irmãos, amigos,
em presságios cruéis e duros,
como estátuas doloridas,
a irmã cortou-se num pé
não pode andar,
está sentada, sossegada,
numa cadeira
e eu, à sua beira,
leio a história do José
do Egipto de fio a pavio,
o mar a marulhar,
em música de fundo.
Labels:
anos cinquenta,
mana do meio,
praia,
S. Martinho do Porto,
Tv
Subscribe to:
Posts (Atom)

