Uma gaiola
Um pássaro colorido dentro
A porta fechada.
A mulher cuidadosamente
Protegeu
o pássaro do pó e dos ruídos
E colocou
a gaiola na varanda,
A gaiola com pássaro colorido dentro
E a porta fechada.
Um dia depois, na varanda alta,
Olhou e viu a gaiola,
A gaiola e a porta aberta.
Saltou-lhe do peito o coração,
Abriu a boca de aflição,
Num segundo fugaz, pensou:
Lá fugiu o pássaro.
Reparou melhor, em alerta,
suspirou:
o pássaro colorido
dentro da gaiola,
a porta aberta.
Habituadas
à prisão, as asas
atrofiadas
nem perceberam a liberdade
em aberto naquela porta escancarada.
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Thursday, March 05, 2015
Sunday, November 13, 2011
Asfixia
ouvi farfalhar
talvez a fuligem despresa das paredes da chaminé
um rumor
talvez a fuligem caindo das paredes da chaminé
um baque surdo
talvez a fuligem solta das paredes da chaminé
gritos presos nas asas agonizantes de susto
a agonia da prisão
o clamor
um pássaro negro de fuligem
no estertor
da escuridão
a asfixia
o coração encurralado
abram essa janela
deixem entrar o ar
o sol, o calor,
a liberdade
vai o pássaro em agonia
quase se estilhaça
contra o desespero da vidraça
corrige o rumo
fora, desata num voo livre, recto, forte
longe, longe
talvez a fuligem despresa das paredes da chaminé
um rumor
talvez a fuligem caindo das paredes da chaminé
um baque surdo
talvez a fuligem solta das paredes da chaminé
gritos presos nas asas agonizantes de susto
a agonia da prisão
o clamor
um pássaro negro de fuligem
no estertor
da escuridão
a asfixia
o coração encurralado
abram essa janela
deixem entrar o ar
o sol, o calor,
a liberdade
vai o pássaro em agonia
quase se estilhaça
contra o desespero da vidraça
corrige o rumo
fora, desata num voo livre, recto, forte
longe, longe
Friday, April 24, 2009
Abril

Jogavam as crianças
no recreio
eu jogava também
tão criança como elas
só um pouco mais crescida
sem saber nada da vida
veio o Director
(nesses tempos aprendia-se com obsceno rigor
a palavra proibir)
a jovem professora não podia
andar a saltar à corda e rir
depois Abril aconteceu
com mudanças
e sonhos e esperanças
o Director desapareceu
nunca mais ninguém o viu
(assim se respirou
fundo
foi assim que percebemos
o que era
liberdade)
...
até hoje
( ainda é Abril
mas tenho sonhos inquietantes
proibir
voltou a ser moda,
agora,
em nome de várias (in)seguranças):
volta à escola
o director!...
as crianças já crescidas ainda vão poder jogar à corda?
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