Saturday, April 21, 2007

Trovoada

rasgou-se o céu
em ânsias
de clarões erráticos
e gritos fantásticos,
o negro véu
esbarrondou-se
em água.

6 comments:

Kaotica said...

Tão poética e sintética a tua descrição da trovoada, condensa toda a grandiosidade do momento. Um bom Domingo de bonança, minha amiga.

bell said...

Quase que a consigo ouvir.

O tempo anda mesmo maluco!

Bom Domingo.

Papoila said...

Bonita descrição de uma trovoada. Uma trovoada que me recordou as trovoadas tropicais que trago na memória e guardei o perfume da terra mãe molhada.
Sou distraíde escrevo sem olhar para o teclado e para "ajudar a avó que é velha" (adaptação livre)... sou dislexica... "soruns" é nada mais que Foruns... lol.
Beijo

Porca da Vila said...

Parabéns. Bela imagem dessa força brutal da natureza que, apesar dos arrepios, sempre me fascinou contemplar e ouvir.

Aproveito para agradecer a visita que me fez, e para deixar aqui [assim poupo-lhe a viagem até à 'Braganzónia'] a resposta ao seu comentário:

"O ano lectivo de 1964/65 foi precisamente o do meu primeiro ano no Liceu de Bragança e era já reitor o dr. Domingos Rijo.

O que quer dizer que fomos colegas de Liceu! Apesar de, pelo que me diz, o termos sido apenas por algumas semanas. É fantástico como nos voltamos a cruzar aqui nos blogues ao fim de mais de quarenta anos!

Também eu fui mais tarde para o Porto, onde estudei entre 1972 e 1978 na ESBAP [Belas Artes].

Pelo que me diz, fico sem saber se esteve em Vinhais apenas de passagem ou se é natural de lá.

Eu já conhecia a 'rendadebilros' do 'Pafúncio' da Kaotica e do 'Conto Livre', primeiro, e das visitas ao 'Sino da Aldeia' do Jorge Guedes, depois. Também já por várias vezes passei no 'Que Conversa', apesar de nunca ter deixado comentários. Vou 'linká-lo' desde já e habituar-me a passar por lá com mais frequência."



Um Xi da Porca

[O 'Que Conversa' já está 'linkado']

soledade said...

renda, quem me dera ter assistido a essa trovoada! E fiquei aqui a pestanejar lembranças: aos anos que não ouvia ninguém dizer "esbarrondar-se"... Era verbo do meu linguajar infantil, do meu tempo da primária. Dizíamos: "Caiu, esbarrondou-se todo!" Não devíamos deixar morrer certas palavras.
Um beijinho

rendadebilros said...

Aqui fica o comentário que me chegou via mail através de uma amiga de uma sua amiga... Vou ter que dar uns açoites a este blogue que, pelos vistos, anda a ser irritante, para quem quer deixar comentários que agradeço, com muita amizade.
"Cheguei até aqui pelas mãos da Soledade e do Zef... E li muitas vezes em silêncio, mas sempre com prazer, aqueles aromas, cores e "tiques" que trazemos de outras terras e de outras épocas e que fazem bem à alma. Hoje escrevo para dizer que, tal como a Soledade, gostei muito da trovoada - gosto sempre! - que me recordou aquelas a que assistia em pequena, no sótão da casa de meus Avós, olhando a serra das Degracias que se "esbarrondavam" sob aquelas trovoadas abafadoras...
Também a palavra é do meu vocabulário infantil, mas não a perdi porque a transmitimos aos filhos e vamo-la gastando...
Bem haja por estas memórias tão quentes!
Abraço.
fernanda.s.m."