Monday, April 30, 2007

Folheando o blogue, como quem não tem que fazer!

Andam por aí umas nuvens alvo-acinzentadas a rondar a rondar, a parecer um disco voador sobre as nossas cabeças. De vez em quando chove e arrefeceu. O boletim meteorológico anunciou neve para as terras altas, sem perceber bem onde se localizam essas terras, já que a neve anda arredia há muito tempo destas paragens… E, então, assim como quem folheia um livro ou abre um álbum antigo de fotos, pus-me a passar as páginas do meu blogue e fiquei mesmo surpreendida: ora esta brincadeira já começou em Julho de 2004 – digo brincadeira, porque foi assim que começou e assim continua sem pretensões, evidentemente – e eu tinha-lhe perdido completamente o início. Era Verão e, com a Princesa de fim de semana ou de alguns diazitos de férias, demos ambas o pontapé de saída a este sítio. Verifico que escrevia de tempos a tempos , de forma muito irregular e despretensiosa, como sempre, só para ela ler lá pela capital. Dos primeiros tempos, não há nenhum comentário, aliás os primeiros surgem em 29 de Dezembro de 2005, em língua inglesa, standardizados, a que eu não liguei patavina. Para cúmulo, o comentário seguinte , aparece em 6 de Maio de 2006, para publicitar aulas de inglês… engraçadinhos!!! E os seguintes, lá estão em 26 de Julho de 2006 , a propósito do concerto de Luís Represas na Guarda…mas eu não tinha este hábito que me meteram na carne de andar a visitar blogues, nem me apercebia por essa data – até parece que foi há séculos… - do interesse que poderia ter viajar pelos blogues e aprender sempre e, muitas vezes, muito… e cá fiquei pelo meu cantinho, sossegadita, sem intercâmbio nenhum…por curiosidade, tentei agora ver quem são as pessoas e que têm feito e nicles…já nem existem os seus espaços…e só lá por finais de Agosto de 2006, a Vareira e eu nos cruzamos mais frequentemente nos blogues respectivos, porque ela teve a bela ideia que, a mim não me tinha ocorrido, de me indicar, por correio electrónico, o seu blogue… e, em Outubro, a propósito, do fecho da Escola de Lagoaça, lá tenho outro comentário… da “sara” que nunca mais vi por aqui…e, em 31 de Outubro, a propósito de um poema que, repito, não fui eu que escrevi, foi a E.P., a propósito de uma Ministra de um país qualquer , a Soledade deixou uma mensagem ( a Soledade que trouxe até mim a vozdaromãzeira), divulgou de tal modo bem o poema que , um dia , muito mais tarde, fui encontrá-lo, num blogue do Expresso, assinado, vejam lá o descaramento por uma pessoa que – eu sei e muitos outros também sabem – não era a autora…Compreendi assim que temos nas mãos uma ferramenta com um poder inimaginável, para o bem e para o mal…
E passaram protestos, greves e Vareira sempre presente a deixar um comentário, nem que fosse telegráfico. Eu também ia visitando um ou outro blogue, mas não deixava comentários, por puro comodismo ou por não ter atingido o alcance deste mundo virtual, de que sou navegadora-aprendiz-sempre. Alguns sítios desapareceram, ou possivelmente, deram lugar a outros…ou entraram no limbo ( não sei se esta imagem ainda vale porque o limbo não existe…) do esquecimento . E,um dia, lá por finais do ano, surgiu-me um sineiro a tocar, a avisar, a deixar-me um poema… - 30 de Dezembro de 2006 - o meu mundo virtual tornou-se mais vasto, horizontes abertos, largos, ao mesmo tempo, um mundo enorme, em que eu sou um grãozito de areia, que não sei nada, mas quero abrir os olhos e ver mais e melhor… Tudo mudou: agora até recebo visitas de Burkina Faso e do Brasil e percebi que podemos ter ideias muito simples ( falo das minhas que visito blogues muito importantes e, em certos casos, super-especializados), que , juntas a outras como as nossas, podem conter uma força que nem toda a gente parece compreender… O Sino do Sineiro tem a faculdade de, a tocar como toca, não deixar ninguém indiferente e, da sua torre, agrega à sua volta amigos que apresenta a amigos e consegue a proeza de, nos tempos que correm, ficar feliz por todos…
Não sei que me deu – será da chuva? – mas deu-me para isto, para me pôr a folhear as páginas do meu blogue e ter-vos a todos aqui ( os links aí estão ao lado), depois desses primeiros encontros, assim, entre tímidos e curiosos , horas e meses passados, sabe-me bem!!!
Nota: se parecer desconexa esta algaraviada, é mesmo por causa da chuva…

8 comments:

jpg - o sineiro said...

Li atentamente o teu texto.

És uma boa amiga, Alex!

E se isto te parecer pouco, é porque aqui não chove...

Não há chuva sobre mim
O céu calou soluços
E saiu p'ra rua
Vestido de branco
Era de manhã
E eu, despido da noite,
Ergui a cabeça
Para o cumprimentar
Sabíamos ambos
O que esperar do tempo
Das horas e dos dias
Não do outro
Que dá o frio
E o calor quando dá
Olhámo-nos uma vez
E sorrimos os dois
Assim, ele azul
Eu de branco
Não há chuva sobre mim
Nem uma nuvem no céu

Escrita na hora.
Para ti, Rendinha, com muito carinho.

jorge g - Lx. 1/5/2007 07:35

bell said...

Foi engraçado saber como tudo começou. E ainda bem que te "abriste" à blogosfera. Um blogue vive da interacção com os outros.

Bom feriado!

Papoila said...

Gostei de ler a tua história de blogueira. Pois é querida renda graças ao Sino e ao nosso amigo Sineiro o meu blog agora é visitado por todo o Mundo nesta aldeia global.
Chove que se farta aqui também e o frio é intenso.
Muito bonito o poema do Sineiro.
Beijo

zef said...

Renda, e cheguei aqui com muito gosto e até vaidoso por ter vindo pela mão que me trazia. Com alegria e vaidade igual a vejo pela romãzeira

Osc@r Luiz said...

Como disse... "Não perderia a viagem".
Ainda que longa, atravesso o Atlântico com prazer só pra trazer saudações!
(Desculpe-me a mentira! Vim mesmo porque gosto de tudo o que vejo por aqui!)
Beijos!

fernanda s.m. said...

Renda, como gostei de ler esta sua "conversa a solo" com a qual me identifiquei muito! Eu, ainda para mais, recebi da internetcomunicação (??)companhias inesperadas trazendo-me um consolo grande em momento que me parecia esvaziado de tudo. Comecei a medo, com pudor de comentar, e fui, levada por mãos amigas de blog em blog, como ao atravessar um rio, de pedra em pedra, para chegar ao outro lado. Foi bom t^-la encontrado pelo caminho.
Beijos.
fsm.

Porca da Vila said...

A trovoada já passou mas há horas que não pára de chover. Faz outra vez frio, mas nada que anuncie neve. Em dia assim, sabe bem ficar em casa, entrar neste mundo enorme e visitar quem por aqui se vai lentamente conhecendo, só para deixar...

Um Xi da Porca

papagueno said...

Lagoaça, que giro, já passei por lá, também há 500 anos atrás lol!
Freixo de Espada à Cinta é a terra da minha mãe e vivi lá dos 4 aos 10 anos. É uma das terras que nunca me saiu do coração.
Beijinho