Monday, October 27, 2008

Mudam-se tempos e ventos




















Uma vez era um ninho de amor e vida;






outro tempo, a noite chegou, escondida,






os homens desertaram, as aves fugiram;







dia a dia, as paredes murcharam e caíram







como folhas mortas num outono triste;







em cada pedra seca, o velho umbral,







à entrada da antiga porta, resiste;







o céu acomodou-se a esta moldura







improvisada, terna e intemporal;







passaram tempos e marés,







veio o império soberbo do betão,






arrancou árvores, tapou o sol,






escondeu o azul, cortou o coração:






e, agora, ao passar o umbral pasmado






daquela antiga porta, a parede crua






roubou a alma do lugar e do passado;






descubro, ainda alta, no azul-noite, a lua!





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8 comments:

o escriba said...

rendadebilros

Que bela história sobre o passar do tempo! A parede roubou a alma do lugar mas deixou as pedras para contar a história.

bjs
Esperança

Andreia do Flautim said...

Chegou este tempo frio e escuro!

Carminda Pinho said...

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...
O vento, esse, muda de direcção, mas está mais forte e, frio.

Beijinhos

Papoila said...

Querida Renda
Belíssimas fotos para este passar do tempo (o meu corre!) por este umbrais que guardam memórias de quem os cruzou.
Beijos

gaivota said...

pois é o tempo passaaaaaaaaaaa
e vemo-lo passar assim numa corrida, por uma fresta duma janela
a tua foto é muito gira!
está mais ferscote, é a mudança e o aviso do inverno que aí virá...
beijinhos

Carminda Pinho said...

Então! Ainda a olhar a lua?
Aiaiai...

:)Beijos

zef said...

Olá, Renda!
Apesar de uma espécie de implosão a roubar o espírito do lugar, o poema deixa-nos, "ainda alta, no azul-noite, a lua!"
Vejo nesta luz o aconchego-cenário do início do poema.
Boa noite

Carminda Pinho said...

Então? ainda não vieste das ramblas?
Tás a preparar-te para amanhã?:)))

Que não te doa a voz...

Beijos