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Thursday, May 25, 2017

As casas vazias



As casas vazias
Quedaram-se
Sem portas nem janelas.
Nas paredes, as nostalgias
Agarram-se às pedras.
Não habitam nelas
memórias
nem as histórias
resistiram
ao passar dos tempos.
Enquanto os muros
Não se esboroam,
Os espíritos atordoam
Os ares com silêncios.
Nas casas sem pessoas,
as árvores cresceram
dentro delas
e puseram-se à janela,
estendem os ramos
para ver o sol.
Nas casas sem pessoas,
Os pássaros entram
E saem livremente.
Renasce assim a casa
De um orgasmo
de morte aparente
para outra vida.



in Antologia Poetas Lusófonos Contemporâneos
Pastelaria Studios,

Saturday, November 17, 2012

Vazio

ruas paradas
casas entaipadas
portas e janelas
escondidas por telas
brancas ou tijolos
casas em ruínas
as árvores a crescer
dentro delas
casas semi-construídas
os blocos à espera
na estrada
casas arruinadas
casas fechadas
por trás de panos pretos
ou papel costaneira
castanho-amarelado
casas esventradas
as ervas a engolir os buracos
das paredes pardas
desanimadas
janelas caladas
o gato sobre o telhado
arrenda-se
aluga-se
vende-se
aluga-se ou vende-se
o gato não sabe ler
vem sempre às horas do sol de Outono
aconchegar-se sobre as telhas de sempre
na casa abandonada.





Tuesday, September 09, 2008

Vazio


Esta noite

sentei a minha alma

no cantinho do sofá

e para ali está

numa amorfa calma,
amarfanhou-se
toda a tarde em papéis
esvaziou-se de mim,
não tarda nada adormece,
arrefece
e eu adormeço
junto dela,
afasto-lhe os pesadelos
com as mãos, devagar,
aqueço
o seu alento,
lamento
este vazio...