Thursday, May 25, 2017

As casas vazias



As casas vazias
Quedaram-se
Sem portas nem janelas.
Nas paredes, as nostalgias
Agarram-se às pedras.
Não habitam nelas
memórias
nem as histórias
resistiram
ao passar dos tempos.
Enquanto os muros
Não se esboroam,
Os espíritos atordoam
Os ares com silêncios.
Nas casas sem pessoas,
as árvores cresceram
dentro delas
e puseram-se à janela,
estendem os ramos
para ver o sol.
Nas casas sem pessoas,
Os pássaros entram
E saem livremente.
Renasce assim a casa
De um orgasmo
de morte aparente
para outra vida.



in Antologia Poetas Lusófonos Contemporâneos
Pastelaria Studios,

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