Tuesday, March 29, 2011

Coisas da vida

gotas e flores

ontem ficaste a olhar a lua
enleado nos céus escuros,
sem saber a lucidez das coisas.

esta manhã choveu:
as flores prenderam cada gota
para lhe sugar o sangue
soltaram-na e dela escorreram
os reflexos do céu.

Monday, March 14, 2011

A primavera... talvez

cai uma chuvinha tonta
a primavera grita sob o céu ainda cinzento
a tristeza dói até à medula

caminho no chão enlameado
para onde fugiram os pássaros, que ninguém os ouve
voa de ramo em ramo um corvo
sobrevoam o lago umas andorinhas de penas negras
as gotas escorrem nos caules das árvores adormecidas

um sobressalto de primavera
numa volta do caminho

no vaso esquecido ao canto da varanda
desabrocha a medo um botão pequenino.

Friday, February 18, 2011

Gotas

espreito por entre o ar frio
a primavera

espio
os gomos nos galhos

são gotas de chuva.

Saturday, January 29, 2011

Neve

o ar macio
o pássaro negro de gravata vermelha
ancorado num ramo da árvore esquálida
o céu pálido
a neblina encaracolando-se no cume da serra
desce a neve
na quietude do cinzento.

Tuesday, January 11, 2011

sonho




deste-me uns lençóis às flores,
quando eu não tinha chão;
prendeste-me nos braços,
quando eu caí à procura de uma estrela;
lançaste um papagaio de papel para eu ver o céu...

Wednesday, January 05, 2011

Nevoeiro

 no caminho, seguem-me os meus próprios passos
as gotículas do nevoeiro trespassam-me os sonhos complexos
a chuva entranha-se nos meandros oníricos das manhãs...

Wednesday, December 22, 2010

Saturday, December 11, 2010

Carta

li o meu espírito
nas palavras
da tua carta.

Monday, November 15, 2010

Sonhos


Nem sei se acordei

vi-me no meio de um nevoeiro intenso

procurava procurava-me procurava-te

e não me encontrava não te encontrava

prisioneira dentro de mim

gritava

participei na fuga escapei

nas garras do nevoeiro

um cheiro tardio a incenso

não se vê nada ninguém acende a luz

na tarde precocemente noctívaga

a noite engoliu os sonhos

tão cedo...

Sunday, October 31, 2010

Árvores no outono


uma árvore

as folhas verde-acastanhadas amarelaram num ápice

começaram a cair pouco a pouco apoucaram nos ramos

quedaram meia dúzia a naufragar agarradas aos troncos mais finos

chegou na escuridão um safanão de espíritos e ventos embruxados
e arrancou desapiedado as folhas sobrantes agonizantes no chão
um arrepio correu a noite num brado de mistérios acesos
à volta de uma fogueira na clareira escondida entre as sombras dançantes
bruxuleantes de sons fantasmagóricos e músicas esquecidas nas pedras
a árvore ergueu os braços despidos num delírio obscuro do princípio da terra...

Monday, October 18, 2010

sol de outono


o sol amacia a brisa fresca no outono temperado


a sombra é triste


as amoras encarquilhadas morrem nos ramos


o sol amacia a alma


as folhas amarelas tremeluzem e rebrilham


algumas folhas soltas fogem pela rua fora


o sol amacia as palavras...

Thursday, September 30, 2010

Folhas caídas

o homem vagueava pela cidade


arengando embriaguez e loucura


em gestos e palavras absurdas;


caiu sem vida e sem idade


atravessando a serra crua


com as primeiras folhas do outono.



Thursday, September 23, 2010

Amoras


as amoras maduras à beira do caminho
entraram bem negras e doces pelo outono dentro

ninguém as colheu ninguém as comeu
agora nestas horas ninguém come amoras
esquecidas maduras e doces à beira do caminho

as amoras pertencem a outros lugares de outras infâncias,
já não são daqui.

Sunday, September 12, 2010

Caminhos


mais vale assim

guardar nos braços

entre os abraços


o momento das rosas

o perfume do jasmim

sob as ramadas prenhes de uvas

e o perfume da terra sob a chuva

e adiar o tempo

do sofrimento

envenenado do aloendro branco

mais vale assim...

Saturday, August 21, 2010

Praia Azul












Quatro varandas viradas para o mar
um guarda-sol azul no extenso areal
e azul rendilhado de branco ainda o mar
azul a praia onde se escreve a rimar
uma toalha estendida ao sol só uma de manhãzinha
os passos marcados na areia limpa e fria
e os abraços saborosos a cheirar a maresia
sem quê nem porquê entre conversas e risadas
e a espuma branca estendida na areia brilhante de sol e luz
recortado de branco na falésia o bar a varandinha
cheiinho de pôr-do-sol e a saudade a saudade do mar
e do verão e da areia por ali sempre a pairar
como as gaivotas frente às janelas a voar
contra o vento devagar...

Friday, August 20, 2010

Templos do séc. XXI - exposição em Barcelona

Próximo sábado, 21 de Agosto, em exposição "Templos do século XXI" com uma das minhas fotos.

A exibição está patente ao público no espaço de arte "The Changito" em Barcelona das 17 às 21 h

Ler mais: http://maniadasfotos.blogspot.com/#ixzz0x9IuHuv9
Under Creative Commons License: Attribution

Saturday, July 31, 2010

GUARDA a cidade mais alta portugal


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e a minha página http://alexapinto.bubok.pt/

Boas Férias...

eu vou ali ... e volto daqui a nada

Thursday, July 08, 2010

Tarde de Verão

anda o homem no tractor a virar o feno
no final da tarde escaldante
nem um fio de vento
suaviza o ar quente
---
os pássaros inquietos esvoaçam
de lado para lado num chilrear infantil
as árvores quietas as folhas paradas-
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as flores das amoreiras-silvestres
espraiam-se à sombra rosadas discretas
- outro dia colheremos amoras -
e o perfume das tílias dança pelos caminhos
---
a mulher grávida caminha à beira do lago
as rosas perfeitas sorveram o orvalho
de manhãzinha e suspiram pela noite...