Friday, August 20, 2010

Templos do séc. XXI - exposição em Barcelona

Próximo sábado, 21 de Agosto, em exposição "Templos do século XXI" com uma das minhas fotos.

A exibição está patente ao público no espaço de arte "The Changito" em Barcelona das 17 às 21 h

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Saturday, July 31, 2010

GUARDA a cidade mais alta portugal


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Boas Férias...

eu vou ali ... e volto daqui a nada

Thursday, July 08, 2010

Tarde de Verão

anda o homem no tractor a virar o feno
no final da tarde escaldante
nem um fio de vento
suaviza o ar quente
---
os pássaros inquietos esvoaçam
de lado para lado num chilrear infantil
as árvores quietas as folhas paradas-
---
as flores das amoreiras-silvestres
espraiam-se à sombra rosadas discretas
- outro dia colheremos amoras -
e o perfume das tílias dança pelos caminhos
---
a mulher grávida caminha à beira do lago
as rosas perfeitas sorveram o orvalho
de manhãzinha e suspiram pela noite...

Wednesday, June 30, 2010

Momentos


Do meio do feno cortado


escapuliu-se uma cobra


para a estrada onde sobra


metade do réptil estatelado,




trespassou-me um arrepio


vindo da memória do princípio


sem fim dos tempos bíblicos


pagãos, supersticiosos e míticos.


Saturday, June 26, 2010

Tarde de Verão


uma revista aberta abandonada

caída no chão,

na mesa pequena quadrada

um livro fechado

a página marcada

com um lápis afiado,

entra em casa o sol enleado

em nuvens de trovoada.

Wednesday, June 09, 2010

Sob a chuva


chuva no parque

o parque só para mim

os pássaros em voo rasante sobre o lago

reflectem-se na água

enlouqueço a correr em semi-círculos

de braços abertos

e guarda-chuva no ar

caminho nas poças sem a minha mãe protestar

as rãs saltam

a chocalhar no ribeiro

passa o vento suavemente

das folhas caem gotas

flores e folhas inclinadas em reverência

o rosmaninho as giestas as papoilas

as cores vivas das gotas

regresso leve sob a chuva

o coração enfeitado de rosas

e o cabelo molhado.

Tuesday, June 08, 2010

Jarmelo


no cimo o burburinho as barracas na feira as vacas jarmeleiras no último reduto


os rostos tisnados contam a rudeza do trabalho e a dureza do sol a sol


a casa de granito a capela


a terra em tempos arrasada de sal


a tragédia de Inês e Pedro


plasmada a ferro


no monte do Jarmelo.


Wednesday, May 26, 2010

Paz

talvez seja isto a paz!

estes momentos:


o vento vagaroso


empurrando


as nuvens cinzentas,


a chuva caindo cantando


sobre folhas, trevos,


rosmaninhos e rosas,


as almas dos poetas


pairam sobre a terra.

Monday, May 24, 2010

tardes de maio


tardes de maio
com sabor a trigo verde
ondulante
ao vento.




tardes de maio


com sabor a mar


a barca entra na vaga


um abraço de amantes...




Wednesday, May 12, 2010

Pesadelos


Cortem-me estas amarras

que me pesam

me prendem

a pesadelos e demónios

a vaguear na escuridão

das noites negras:

nem as cigarras

posso ouvir

nem sei colher

o pequeno malmequer

do outro lado

do arame farpado
com este aperto

no peito que me tolhe;

enquanto caminho

a destropeçar de pedra

em pedra,

sinto uns passos,

volto-me de repente,

vejo-me sombra

da minha sombra,

um restolhar de folhas

mais nada nem ninguém...

Monday, May 03, 2010

Milagre


Chego de manhã

à varanda

espreito a terra

a planta a rasgar

o torrão escuro

sobe devagarzinho

em direcção ao céu

ao sol às estrelas

cada dia cresce

mais um bocadinho

agora desvenda

a cor da flor

mantém-se ainda

escondida num véu

amanhã talvez

talvez o milagre

e a flor rasga

lentamente

o fino tecido

sai uma pétala

do invólucro

como uma pena

de pintainho amarelo

como uma asa

de borboleta

amanhã talvez...

à noite voltei atrás

antes de me ir deitar

fui espiar

a flor à varanda:

às escondidas

nas hastes compridas

surgira

esbelta e vaidosa

uma flor esplendorosa

sob as estrelas...

abro o coração

recolho o milagre

e a voz da cotovia

e, com a alegria

na alma, sonho!

Wednesday, April 28, 2010

À espera


ouço a porta fechada

fico a acordar os sonhos

saio para a rua

debaixo de chuva

a lavar as lágrimas

que o vento enxuga;

não tarda o sol...

Sunday, April 11, 2010

de quando em quando



de quando em quando
uma noite em branco
texto nas entrelinhas
sangue sem azul
dias desiguais
pássaros a despropósito
pensamento insólito
parêntesis no sol
viagem para sul
conversa fiada
passo em falso
capela entre vinhas
flores nos laranjais
o silêncio nas fontes
um vão de escada
a varanda para o rio
alma penada
o ninho vadio
a água da nascente
a enchente
a passagem na ponte
o vinho e o poeta
a porta aberta
a portagem
a estrada

de quando em quando
a viagem
o saltimbanco
o salto

de quando em quando

o sobressalto...


Saturday, March 27, 2010

Vazio


em cima da mesa de cabeceira


abandonada


a conversa inacabada,


enclavinhada nas dobras do lençol


inquietou-se a alma vazia e dorida


nesta noite esfarrapada,


o pesadelo vampiriza os sonhos,


ficam frios


os pés.

Wednesday, March 17, 2010

Incerteza

vou espiando a primavera
por entre os ramos descarnados;
fugidio, arisco, soberbo
um pássaro,
demora um segundo,
senhor do mundo,
depois lança-se no ar
nos céus deslavados
de indecisão.


Sunday, March 14, 2010

F.

... ... ... ... ... ... ... ...

Levantaste-te da mesa apenas para ir lá fora fumar o último cigarro.

É isso que eu quero crer.

(Não voltaste.

Partiste.

Num domingo cinzento.)


excerto/final de um texto a recordar a minha amiga F.
e que vou guardar para mim.

Monday, February 22, 2010

Passados

o velho arrastou os pés

com uma mão no peito

através

do caminho estreito

afastando as silvas

tropeçando

nos arbustos invasores

até à casa dos bisavós,

a casa em ruínas

as paredes ainda de pé

abrigavam árvores novas,

o sobreiro antigo engrossou

a figueira velha medrou

a videira apoiada ao choupo

mirrou

de tristeza entre devoradores

trágicos dos miasmas

de antepassados fantasmas;



o velho encostou o corpo

à parede

estendeu as mãos, quis rodear

todas as vidas passadas,

o tempo escorreu-lhe

entre os braços,

as vidas passam

tão depressa,

ainda ontem saí desta casa

cheia de gente

à procura do mundo,

agora regressei

e já não encontrei

ninguém...



o telhado há muito caiu

ruiu

a chaminé, na pedra do lar

na cozinha de terra batida

nem as marcas das cinzas

vingaram...



o velho lançou um olhar

ao sobreiro que restou,

à figueira, ao choupo preso à videira,

retrocedeu mais encurvado

pelo caminho estreito

a mão no peito,

a reter as lágrimas na garganta,

o tempo corre danado

como torrente

indomável ...



a mão no peito

pelo caminho estreito

arrimado

às lembranças,

as lágrimas

presas na voz,

a mão no peito

pelo caminho estreito...

Sunday, February 21, 2010

Cartas de amor

acende a lareira
aquece-me o coração de chuva
o comboio partiu dentro do horário
não sei em que dia de tempestade
esqueci-me de virar a folha do calendário
perdi o relógio, a hora, a sanidade
fiquei a arder nesta fogueira
de chama e sombra escura...

escrevo sem paragem
o tempo voltou atrás sem pressa nem vagar
anda desorientado em cartas dispersas de amor
nem sei se fui eu que as escrevi
de tanto tempo fugido e esquecido
aquela mulher não era eu na voragem
da paixão e da ausência num patamar
de outras vidas sem flores e sem cor
nem eras tu devo ter sonhado ou descrevi
esse ser e não ser sem nenhum sentido
só para constar de um romance desvairado
que não pode ter existido.

essas folhas de papel quadriculado
não fui eu que as escrevi
a caligrafia não é minha
nem é minha a vida dessas cartas
são papéis de um armário desarrumado
que encontrei em tempos e onde vi
a confusão romântica de gratas
memórias que a distância vai
embelezando ou destruindo
até ao esquecimento.

a chuva, não te esqueças da chuva
e acende a lareira
nem te esqueças dos papéis
lá no fundo do armário
vira a folha do calendário
e acende a lareira
trago o coração de chuva
muito frio
acende a lareira
o comboio já partiu
ficámos os dois com as velhas cartas nas mãos
lê essas cartas não são tuas nem minhas
são um romance antigo dos nossos avós
não te prendas
podes ficar preso nas malhas das palavras
e, se não voltas, fico para sempre à tua espera
à espera que acendas
outra vez este fogo
em dia de chuva...

ouves a música?
é a chuva ou o teu coração?
o meu não é, há muito que não sei dele!

acende a lareira...

Thursday, February 18, 2010

Barcelona



esta manhã

não descemos o carrer de radas

para ir à Calábria tomar um cortado

e comer uma ensaimada

contigo.




não te acompanhámos

no metro da linha verde

até à esquina de frame 25,

nem voltámos

sobre os nossos passos

nem subimos a encosta do parque Güell

assoberbadas pelo trabalho fantasioso

do arquitecto Gaudí,

nem desconstruímos com Picasso

os retratos

e os quadros

as pombas e as flores

numa bebedeira de azul rosa e absinto,

nem sequer nos abrigámos da chuva

na pastelaria ao canto do palácio do rei,

nem passámos na boquería

onde se almoça a filosofar

entre cheiros e cores.


não esperámos por ti

para comer os pintxos

ou beber un cava rosado.


esta manhã foste sozinha no metro da linha verde...


nós abrimos a casa da misericórdia

de Margarit

página trinta e nove

e lemos el vendedor de rosas
solitario y furtivo , con su ramo,
va a locales ncturnos en busca de parejas.

guardámos na agenda os bilhetes de metro

e dos museus

metemos as fotos nos álbuns digitais

e voltámos à rotina da nossa (in)segurança.
não me esqueci outra vez da máquina fotográfica
para te deixar à entrada da porta
um beijo rápido e muitos risos.


esta manhã
não descemos a rua
para ir tomar um café
e beber um sumo de laranja
contigo...