Thursday, December 10, 2009
Wednesday, December 09, 2009
Duplicado
a luz fugidia
filtrada
pelas nuvens cinzentas
da manhã serena
suaviza
o ar parado,
nem um sussurro
da folhagem;
o canto dos pássaros
sossegado enternece,
a realidade revela-se no lago,
em duplicado,
o comboio partiu
sem ruído,
vazio,
ninguém procura
outros sóis, outra paragem;
o alecrim floresce
no canteiro selvagem.
Saturday, December 05, 2009
Dia de chuva
trouxe o nevoeiro do cimo da serra
e cobriu de frio a face da terra
o lago, o rio, o mar, a árvore...
amanhã choverá o dia inteiro
a clarear a alma angustiada,
descerá a prece da madrugada
e a água vai engolir o nevoeiro...
como quem chora sem saber porquê!
Monday, November 30, 2009
Frio
Thursday, November 19, 2009
Muro
Tuesday, November 17, 2009
Depois da tempestade
depois da tempestade
escorre subterrânea a água,
a terra respira saciedade,
os pássaros voam em bandos
eufóricos da bonança,
as pedras magoadas
de granito cinzento,
o lago quieto hoje
espelha árvores
ao contrário.
Friday, November 13, 2009
Pesadelo
Contorciam-se enroscadas umas nas outras
as cobras.
Acordei: estava presa num qualquer lugar esquecido,
as portas não abriam,
gritava por ti sem voz
e não ouviste o meu pensamento.
Acordei: chovia e o céu cinzento oprimia a terra,
que não respirava nem gerava flores.
Acordei: quatro caminhos e eu sem saber o destino.
O comboio nem sequer partiu para lado nenhum.
Quero adormecer e acordar nos teus braços.
Monday, November 09, 2009
Contra a corrente
Wednesday, November 04, 2009
Viagem
por fortes ventanias
de terra em terra;
de quando em quando,
em momentos de acalmias,
ainda lhes tremiam
as pernas de lutar
contra os vento desorientados,
encontravam um lugar
momentâneo e abrigado
dos ares furiosos e das neves;
sabiam que não era para sempre,
amarravam as árvores ao chão
para não voarem à procura
de uma nesga de céu, quando
se adivinhava vendaval;
não sentiam compreensão
naquela viagem sem destino,
sem levar objectos nem amigos,
não havia tempo de os guardar,
eram para eles um sonho fugaz;
um dia, cada um, por cansaço
ou escolha, encontraram a paz
num canto e sentem prazer
em ficar mais e mais,
embora a alma de nómadas
de antigamente continue inquieta;
então, fogem através das montanhas
sem pensar, sem ventos nem tempestades,
e procuram o mar; depois, regressam,
não sabem se é para ficar.
Sunday, November 01, 2009
Sonho
Wednesday, October 21, 2009
Cinzento-luz
Monday, October 19, 2009
Outubro
Tuesday, October 13, 2009
Pássaros
Wednesday, October 07, 2009
Depois da tempestade
depois da tempestade nocturna
não me conformo nesta prisão sem grades;
se não decido partir, como vou conhecer
os cinzentos indecisos espalhados pelos céus,
como vou saber as árvores desfalecendo
em gotas e folhas e o ribeiro descendo
envolto em lama e espuma,
e como vou seguir o vento alvoroçado
sem bússola nem norte
ou os pássaros estonteados de água,
como posso encontrar o caminho?
quero ler o espanto das gentes,
quando eu atravessar o temporal.
vou partir, livre como um verso,
serei árvore e seiva
sem criar raízes num lugar só.
Outono
Esfuma-se em brumas avalónicas a cinzentura do dia,
descolam-se as gotas das nuvens
e poisam a embalar a vermelhidão de folhas,
cânticos desfeitos em águas cristalinas
ecoam na montanha invisível,
deslizam pelas pedras endurecidas,
nem fio de vento passa entre as divindades
ocultas de rochedos e águas.
Saturday, October 03, 2009
Outono
Tuesday, September 22, 2009
aparência
Saturday, September 19, 2009
Pássaro e rosas
o som do sino
um longínquo sinal
chega de uma igreja
que não sei
ouço os pássaros
não os vejo
apenas os entre-sonho
nos ramos gotejados
da chuva matinal.
o homem de chapéu
na cabeça quedou
sentado inclinado
no banco de pedra
leva as mãos ao rosto
(cansado do caminho que fez
ou do que tem para andar?);
páro o olhar nas gotas
caídas pelas folhas
e flores, olho outra vez
e o homem já abandonou
o momentâneo lugar
de paragem.
à passagem,
meto na boca duas
amoras maduras;
sento-me no chão lento
de palha amarela,
não quero espantar
o pássaro pousado
no galho mais alto;
sigo o céu cinzento
que amanhã não
será mais igual,
amanhã volto contigo!
sem me esconder,
roubo rosas e pássaros
para pôr nas fotografias.
Thursday, September 17, 2009
noite
apenas a noite do princípio dos tempos: clarões abrasadores arrasaram a escuridão
por momentos claros; pressentiu-se a queda das gotas ao longe antes da real percepção
da chegada em aluvião
da chuva carregada de cheiros
a manhã chegou limpa
límpida
acalmou o pó nos caminhos
e os pardais entrecruzam os voos e os cantos
de ramo em ramo como se tivesse chegado a primavera…
Sunday, September 13, 2009
pássaros
trovoada no ar
nuvens em castelo
anda um corvo
negro a voar
flores pequenas
amarelas
entre a secura
do restolho;
as rãs escolhem
a frescura
do lago artificial
adiante ainda as amoras
maduras e negras
a chamar os caminhos
quentes e esquecidos;
onde andam os pássaros
que ninguém os ouve?
talvez à sombra quietos
a fugir das horas
batidas pelo calor.
e nisto que surpresa!
ultrapassam nossos passos
e em abraços
prendem os ramos
(nós vamos
lado a lado
e paramos)
os pássaros…
