Sunday, November 18, 2007

Saturday, November 17, 2007

Árvore

Na árvore,
colhidas as folhas,
os ramos gritam,
sufocam de desolação
e a seiva gela
de tristeza.

Friday, November 16, 2007

Geada

a erva

pela manhãzinha

branquinha

não era neve, não!

geada

e a aragem

fresca

muito fresca
quase parada

esgotada...

Tuesday, November 13, 2007

mar

cercada de montanhas
prisioneira das serranias
paradoxalmente
falta-me o ar
falta-me o mar!

Monday, November 12, 2007

Sorriso

Se não fosse a tua voz em sorriso
do outro lado do fio,
que seria
deste dia
entrado o anoitecer
sem se perceber?

Saturday, November 10, 2007

Caiu a noite

Caiu a noite
na cidade
na verdade
caiu a noite
por todo o lado
adiantado
o sono do Sol!

Papoilas

“Nos campos da Flandres crescem papoilas/
entre as cruzes que, fila a fila, marcam o nosso lugar (...)”,
“se trairdes a fé de nós que morremos/
Jamais dormiremos, ainda que cresçam papoilas/
Nos campos da Flandres”.
John Mccrae
in "Publico" on-line

e, a partir de uma ideia/post de Papoila

Tuesday, November 06, 2007

"A Sétima Porta", de Richard Zimler

Vindo lá do FORUM CIDADANIA ( ideia de Carminda Pinho) , chegou este desafio que , desde já desdesafio porque não vou enviá-lo a ninguém... a não ser que alguém chegue e pense " vou pegar neste desafio!" e o leve consigo e ponha a ideia a circular sem romper o elo...
Mas eu, pela delicadeza que merece esta Amiga, vou dar-lhe forma...

1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abra-o na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;

6ª) Repassar para outros 5 blogs.

Ainda tenho à mão, mesmo perto, o mais recente livro que li .
"A Sétima Porta" de Richard Zimler ( autor de " O Último Cabalista de Liboa", entre outros, possui admiráveis qualidades humanas; nasceu perto de Nova Iorque , naturalizou-se português e vive no Porto). A acção desta obra - Berlim, tempos de Hitler e a II Guerra Mundial com perspectiva muito diversa daquela a que estamos habituados... onde são claras as adaptações camaleónicas que o medo inculca em seres aparentemente normais.

Então vou abrir...página 161... se o livro não tivesse página 161... como seria???
5ª frase completa:

" Também pensei nisso, Sophele, mas acho que a Vera e alguns dos outros podiam assustá-lo".

Sunday, November 04, 2007

Quietude

sem sopro
de ar
as folhas
quietas
bocejam.
...
com fastio
de onde
em onde
uma folha
desprende
o ténue fio
e balança
muito devagar
sozinha
até tombar
no chão.
...
sem um sopro de ar
as folhas bocejam.
...

cores

estende-se a luz; estendem-se as cores todas ao sol; cores de experiências de pintores pacientes; amarelo vivo, amarelo pálido e seco; castanho esgotado e duro; verde das ridículas giestas, das pegajosas estevas, verde das mimosas esperançadas numa primavera a destempo, verde dos pinheiros indiferentes; de repente, o fulgor do laranja e do vermelho-valentino ladino e triunfante; estende-se a luz radiante... por esses montes!

Thursday, November 01, 2007

1 de novembro

...
correm a par
um par de crianças
...
um casal de origem
indiana e um filho
parados em frente
à loja dos telemóveis
fechada
...
o polícia caminha
na rua fazendo
o seu giro
...
três homens
entendem-se
num linguajar
estrangeiro
...
a calma da tarde
tão calma
deixa perceber
o barulhar
da "sardanisca"
a correr
entre as folhas
secas dos arbustos
rasteiros
...
apaziguar
as almas
que partiram
e os espíritos
que ficaram
com flores
orações
e rituais
...
e acima
das sombras
das esquinas
dos telhados
das igrejas
dos campos
das árvores
dos casais
o sol!

Sunday, October 28, 2007

Sol da tarde

No ritual
de final
da tarde
ora antecipado
arrimado
à parede
da igreja
busca
as frouxas
réstias
de sol
um velho
acompanhado
de solidão.

Saturday, October 27, 2007

Pensando...


Será do tempo de Outono uma nostalgia que atravessa o sol e, como o friozinho fresco desta tarde, entra nas pessoas , entristece as palavras e deixa no ar as saudades? Nem se sabe de quê! E todas as filosofices são permitidas entre o olhar as paisagens fugazes em tempo mudado e o folhear alheado de um livro, um jornal, cada um rapidamente abandonado sobre uma mesa. Há instantes como pessoas. Cruzam-se connosco e envolvem-nos numa nuvem amarga, secam tudo à sua volta, em visão de terra queimada. Momentos há que seguem indiferentes sem deixar rasto. Outros, porém, são simples, instantâneos e fortes, e dessa simplicidade, brota uma energia, uma presença, uma luminosidade que marcam para sempre. De uma palavra, um gesto, um silêncio. De um nada. Que é luz. Ontem, aconteceu. ( Acontece e não damos conta). E agora voam pombas em bandos num baile mágico. Numa alegria desconcertante que as folhas amarelas e murchas não entendem e, por isso, caem desalmadas no pavimento. São estes equívocos que trazem, nestes dias, os corações desencontrados à procura de calma.

Friday, October 26, 2007

Sussurros outonais

Há um murmúrio de vozes e folhas amarelo-castanho-avermelhadas a viajar pelos ares. Num tranquilo desassossego de fim de manhã. O céu esbranquiçou-se de luz.

Thursday, October 25, 2007

O Outono chegou enfim?



Esta manhã, o sol apareceu falso ilusório baço. Zunia junto à face uma aragem agreste. Encolhiam-se as folhas caídas junto aos muros varridas em remoinhos. Nas árvores, as folhas que restam agarradas aos ramos ficaram amarelas de repente.




Para a semana, voltarei a "sair" e farei visitas. Algumas.
Obrigada pelas palavras amigas.

Wednesday, October 24, 2007

Veio o Outono

Veio o outono atrasado
com cheiro saudoso
a castanhas assadas
apetece um chá
bem perfumado
de flores silvestres
sobe no ar
vertical
tal lâmpada genial
um fumozinho
saboroso
uma palavra serena
em letra pequena
gostosa de poesia
e harmonia...
veio o outono
silencioso ...
e esperado!!!

Tuesday, October 23, 2007

Da alma


Fica-se doente. Da alma.
lê-se no olhar.
chega uma aranha e constrói uma teia.
com pezinhos de lã, estica os fios,
desarruma-os em palavras.
enreda-as. estende os desenhos,
envolve-os em fel.
cola-os. reforça-os.
basta
ficar à espera.
espera
e ataca
pela calada.
Nada
se pode deslindar
na teia armada
na cobardia.
Fica-se doente.
da alma enganada.



Intrigas

Intrigas lidas nas entrelinhas de palavras em dia susceptível. Ligadas a outras palavras a propósito de assuntos outros, juntas numa amálgama de preconcebidas confusões. Como se escutassem atrás das portas palavras soltas esfarrapadas. E , centro do universo, se achassem aludidos em cada qualquer palavra em outras sequências... como se não houvesse meio de esclarecer palavra por palavra, procura-se antes o confronto à revelia. Com amigos destes, quem precisa de inimigos?

Monday, October 22, 2007

olho o céu

olho o céu
azul riscado
de branco
o outono
em pranto
consome
a terra
de fome
e de sede...

...por falta de tempo...

A partir deste momento, por falta de tempo, visitarei os blogues ( amigos e outros) , sem deixar comentários.
Boa sorte a todos.
Estarei, no entanto, disponível e contactarei, por mail, cada um que assim o entender!

Saturday, October 20, 2007

Rimas sem jeito nenhum...

Rimas sem jeito nenhum nem sei a propósito de quê…

Em reunião cheia de alegria
Abraçavam-se uns senhores
Impantes radiantes
cheios de salamaleques
a “assinar” um belo tratado
muito bem cozinhado

e lançaram tantos foguetes ao ar
que até parecia que o dito
não vai ter que ser ratificado
por isso se calhar
os foguetes eram de lágrimas
embora coloridos…
o Zé povinho a gritar
(eram aos milhares)
não teve direito a notícia
com grande perícia
os “grandes” jornalistas
tal conseguiram evitar

Acabada a festa
Da minha aldeia
Voltarão cada um
Para sua colmeia …
Veremos se algum
Leva na ideia
A realização de um referendo
Ou se a democracia dá jeito
Apenas quando convém…
Ou se o povo se deixa
Ficar a adormecer em sono lento
Ou se este contentamento
Explode na mão de alguém…

São assim as festas na minha terra
A ressaca depois da música dos bombos dos foguetes
Do vinho a correr nas gargantas alegretes
Custa sempre muito a curar…
...

Friday, October 19, 2007

No alto



A Torre


no alto do Castelo

na foto parece inclinada

tem graça

nunca tinha reparado

a Escola

ao lado

bem lá no alto

não admira nada

que a cabeça pareça

desanuviada

mas ande atarantada

com tanta papelada

valem as janelas altas

abertas para a lonjura

que entra pelas salas

dentro mesmo sem ser

convidada.

Monday, October 15, 2007

Cheiro a tílias e a terra




Choveu.
Ao longo do horizonte, uma linha de luz.
E, descendo as escadas quotidianas, anda no ar o perfume das tílias
e o cheiro fresco da terra.


Singelamente, para todos, em especial, para a Carminda...

Saturday, October 13, 2007

São estas as tílias


Que me importa o inútil

Se mexem as folhas

E me abraçam as tílias

Em negaças ao sol

Que me importa o papel

Se ao vento me dou

E é ele quem transporta

A minha canção.


Autor: J.G. O Sineiro

Friday, October 12, 2007

As tílias

Devia ter trazido a máquina fotográfica... as tílias perfilam-se este fim de manhã em frente ao portão da Escola , como vem acontecendo há dezenas e dezenas de anos, mas hoje excepcionalmente felizes. A manhã veio muito cedinho fresquinha fresquinha a chamar os casaquinhos mais quentinhos e fofos. Depois, cresceu céu longe e trouxe um soberbo calor de Outono a cheirar a marmelos e diospiros e romãs em cambiantes de cores calorosas e doces, em despique com as tonalidades do verde ao amarelo das folhas incansaveis a cair no chão ( trabalho de Sísifo o dos varredores das nossas ruas por estes entretantos) e a garotada enche de vida esta paisagem sob o sol clarinho e suave, com Torre de menagem em fundo com ar de postal ilustrado. E as lições... que damos e recebemos, hoje estou a ganhar, que recebi mais que dei. O J. S. contagia com o seu entusiasmo e ensina e sabe tudo de sites e blogues e versões disto e daquilo, vai a cem à hora, que só tinha meia hora para me esclarecer, e eu, a correr, a correr, a cabeça cheiinha de pressa para apreender tudo e ele, naquela tranquilidade sábia de onze anos, a dizer que tudo é muito fácil, não preciso de me preocupar, é melhor tomar nota disto e daquilo e do outro e eu, regalada, a dizer a toda a gente que estava a ter uma aula de informática e ele com aquela serenidade impressionante como se isso fosse a coisa mais natural deste mundo, a verdade é que é, devia ser se não é... e as tílias têm um aspecto cada vez mais bonito e o sol brilha divino sobre a cidade e a garotada brinca no recreio, senta-se nas escadas, conversa sem saber de quê, que importância tem isso... ouve-se a aula de Educação Física e os gritos de "goooolo!" e parece tudo tão certo, tão certo que me ponho a escrever ao correr das teclas, se calhar ficam aí umas palavras com as letras trocadas, mas tenho que dizer isto, desta sensação que pode não se repetir logo à tarde, daqui a bocado já não se vive a mesma cena da mesma maneira, já as tílias podem ter abanado os ramos, podem ter caído mais umas folhas e é por isso, já nada é mais a mesma coisa, já a criançada desata numa correria ao toque da campainha, já se perdeu a magia, já se perdeu a consciência da beleza desta milésima de segundo, o J.S. a tirar-me as dúvidas, a surpresa de todos, tudo invertido, pode haver um grito mais alto, mais desajustado e o sol pode assim ficar desafinado , e as tílias brilharem menos... por isso, dedilho aqui estas teclas escuras com as letras brancas a toda a pressa que o tempo urge, ruge silenciosamente a passar e o relógio saltita em bicos de ponteiros e as tílias... ali, em gfrente ao portão, mesmo ao fundo das escadas... e o sol suave , suave e é tudo tão simples e tão bonito...

Wednesday, October 10, 2007

Inutilidades

Das grandes janelas

luminosas e antigas

apetecia o sol

e a tarde majestosa
que corria calma;

sobre as mesas amarelas

papéis fastidiosos

amarfanham a alma
e toldam o entendimento
esgotam a energia
e a alegria da hora
que avança
e os ramos entrelaçados
das tílias lá fora
sussurram segredos
suavemente encantados...

Sunday, October 07, 2007

Sete à mesa

Cada um de seu lugar
marcaram
um ponto
e aí se encontraram
entre o sol
os inícios
e os caminhos
andados
entre a dúvida
e a (pouca) certeza...
atropeladas
as palavras
pela emoção
no canto da garganta
e nos abraços
apertados
e umas lágrimas
enroladas
no coração:
sete à mesa...

Friday, October 05, 2007

pensamentos em passeio




.........................................................................................
ténis velhos nos pés
mp3 nos ouvidos
capa da chuva - a manhã dançou radiosa de sol, mas a tarde preferiu o cinzento das nuvens
chaves no bolso direito
máquina fotográfica do outro lado
óculos de sol - não há sol, mas andam sempre poeiras no ar, diz o oftalmologista, protegem os olhos e os meus com carácter de urgência
marca a música o ritmo do caminho
a ponte pedonal - obra iniciada no natal de dois mil e seis parece pronta-
não foi ainda inaugurada
atravessemos a estrada
automóveis para cá e para lá
pessoas quase não há
segue a música cat-cha... pum...
ca...tch...pum a compasso
o parque infantil - o maior da Península Ibérica!-
vem dos primórdios do Pólis
pomposas palavras
equipado a preceito
cada equipamento que deixa os olhos abertos de espanto
mas não há crianças nos baloiços modernos nem no canto
do mini-anfiteatro nem em lado nenhum
os passeios aprimorados
os espaços ajardinados
mas ainda não inaugurados
e a música ... "no vento do norte...
... fogo de outra sorte...
... sigo para o Sul...
sete mares.... "
corre a meio a ribeira do Rio Diz que tresanda de maus cheiros
uma dificuldade
sem resolução à vista
alcandorada no alto
a cidade ...
uma bandeira
hasteada
ondula pregada
no céu!

Tuesday, October 02, 2007

Outono


A chuva caía , macia, ao anoitecer e luzia a água nas poças em círculos minúsculos.

Escuridão dentro, engrossou e desatou a correr campos e estradas fora até ser dia.

As árvores tresloucadas, despenteadas pela ventania soltam folhas repentinamente amarelecidas.

À esquina, um homem, sob as gotas acocorou-se e escreveu, na areia cinzenta da borda escaqueirada do passeio, umas palavras aparentemente incompreensíveis.

Dizem que, numa estrada da Galiza, um poeta anónimo espalha os seus versos em maiúsculas ao longo do alcatrão, como se registasse os seus pensamentos num antigo quadro negro da Escola.

Ou os lançasse ao vento em mensagens globais.

Sunday, September 30, 2007

Não, senhor Secretário de Estado


Alguém teve tempo para ler a crónica de Maria Filomena Mónica, no "Público" de hoje , domingo, dia 30 de Setembro???

É melhor NÃO ler...

E, como o dito jornal não deixa ler as notícias, crónicas e etc... da edição impressa on-line, a não ser a assinantes, eu, que comprei o jornal, partilho-a...

... para ver se NINGUÉm lê.
Nota: NÃO fazer duplo clique sobre a imagem, porque, desse modo, lê-se mesmo bem!!!

Saturday, September 29, 2007

Sótãos


Um dia qualquer, já Outono, andei pela praia e a areia morna entrou nas sandálias sem ser convidada.

Esta tarde , o Outono não deixou dúvidas e obrigou-me a abandonar numa caixa as sandálias. E levou-me aos armários a mudar roupa e sapatos.

Enfiei umas tralhas no sótão. Não sei por que razão metemos tanta coisa no sótão, sempre com a ideia de que, um dia destes, podemos vir a precisar de algum daqueles objectos. Durante a maior parte do tempo, esquecemo-nos deles completamente. Se , uma vez por acaso, nos lembramos de algo e vamos lá procurá-lo, quase nunca o encontramos... Então para que servem os sótãos das casas?

Quando chega o Outono e nos entra pela casa dentro, nostalgicamente, o Verão refugia-se no sótão... das recordações... juntamos-lhes as outras estações e vem a melancolia de uma vida a passar...

Thursday, September 27, 2007

Listas


Eu sei: estou atrasada. Ainda nem sequer fiz a lista das prendas de Natal, quando, por esta altura, em anos anteriores, até já tinha comprado algumas. A minha irmã do meio num destes dias, em conversa no messenger, proclamou em letrinhas coloridas com uns bonequinhos engraçados à mistura ( andamos mesmo actualizadíssimas!) que eu já podia fazer anos e festejar o Natal, quando quisesse, que as minhas prendas estavam compradas… Prefiro cumprir o calendário, mesmo assim. Mas enfim, este ano, o Verão passou muito depressa. Estava eu à espera dele em ondas tremendas de calor e ele passou sossegadinho ( a Meg vai protestar, mas eu não tenho culpa que ela viva mais perto do Equador – não o livro do Miguel , não, simplesmente a linha imaginária , essa , que separa o Norte do Sul e dizem que é por causa dessa linha que não vivemos as estações do ano ao mesmo tempo, andamos com as voltas trocadas) e, agora, dou conta que corre pelas noites um ventinho diferente, embrulha-se na folhagem aqui à porta e anda em segredos tardios pela escuridão fora…De repente, dou comigo, atolada em montanhas de papel, a bem dizer, nem é papel, é mais páginas de computador que depois, de qualquer maneira, se transforma em resmas de papel. Andam uns senhores muito vistosos, bem vestidos a gritar aos quatro ventos ( deve ser mesmo por causa da chegada do Outono; no Brasil, o Óscar Luiz lembrou que lá , do outro lado do Atlântico, em terras uma vez chamadas de Vera Cruz, começou a Primavera…) umas trapalhadas sobre novas tecnologias com umas palavras muito sofisticadas que só eles, bem perfiladinhos compreendem, cheios de cifrões ( já não existem cifrões, era do tempo dos escudos , agora é um símbolo com cara de euro…) a brilhar e que nenhum dos simples mortais vê a raiar por este país… e falam e falam de inovação e modernidade e muitas vezes palavras terminadas em -ão e -dade e eu fico perplexa , quando me vejo obrigada a preencher tantos documentos sobre uma só e única pessoa não sei quantas vezes , quer dizer , até sei : o nome de X e o nome dos pais e profissões e habilitações literárias , por exemplo, que já constam no boletim de matrícula informatizado ( mas que passa a papel em cada ano) e que se repete na ficha biográfica que os pais preenchem para o dossiê de turma, noutra ficha para retirar dados para o projecto tal e coisa, mais a folha da caderneta , se eu achar conveniente, e, como se não bastasse, retirar os dados da dita ficha e colocá-los numa grelha e reproduzir dados e grelhas quase até ao infinito, em várias versões…no computador e , depois, tudo em papel e ando de "pen" para cá e para lá…a fingir que estou ( sou) muito moderna…E, quando penso ( nessa altura, acho que já nem penso , fico automatizada ) que vou dar por concluída a tarefa, há sempre um malvado papelinho… à minha espera. Bendito Simplex! Dizia eu que me vejo anestesiada com tanta grelha… E, se , da rua me virem, através da porta-varanda, com os braços no ar, uma vez e outra, no meu canto do computador, como se fosse uma maestrina maluca, ao som de D. Shostakovich- Waltz nº2 from Jazz suite que ouço a partir de http://www.osbigodesdegato.blogspot.com/, ninguém estranhe.


Pois! E estou atrasada , já disse.Vou fazer a lista das prendas de Natal.

Wednesday, September 26, 2007

Lua cheia

A lua tombava
em cheio
sobre as árvores
e a sombra
estatelava-se
no chão
desamparada.
O vento
bisbilhotava
entre as folhas
num bulício
nocturno
e inquieto
de outono.

Friday, September 21, 2007

A casa dos avós





........................................................................................................................

A casa.
A casa que foi dos meus avós.
A casa com aquelas janelas da sala.
A sala enorme com uma mesa comprida e pesada.
A mesa dos almoços fartos e longos de domingo.
Abríamos a janela e colhíamos cachos de uvas negras “mouriscas”.
Os cachos de bagos redondos e gordos.
Trincávamos entre os dentes os bagos rijos.
Os bagos desfaziam-se dulcíssimos na boca.
No andar de baixo, havia uma porta.
A porta dava para a adega e para o lagar.
Do lagar subia em tempos vindimos o aroma do mosto.
Junto ao grande portão de madeira, desciam meia dúzia de escadinhas de pedra.
No Verão, corria pelos degraus, vinda de longe, uma levada de água abundante e fresca.
A água corria das poças, encaminhava-se pelos regos cuidados até aos campos de milho.
À tardinha, ainda o calor ardia nas pedras, três garotas riam.
As garotas chapinhavam, exuberantes, na cascata particular à porta da casa.
A casa dos avós.
A casa.

Thursday, September 20, 2007

Tuesday, September 18, 2007

Power of Schmooze Award



Não faço a mínima ideia de onde surgem estes e outros prémios que cirandam pela blogosfera em danças e contradanças... ( este parece - olha que eu digo parece- que surgiu daqui - http://thingsbymike.com/about/power-of-schmooze-award de um tal Mike)

Sei que a Papoila ganhou um , bonito, poderoso, ainda por cima azul... a combinar contrastando com a cor preciosa das suas pétalas...

Vai daí , amorosa, como sempre, põe-se a distribuir, magnânima e simpática ( sei quem vai gostar , mas que torce o nariz às "cadeias" , "correntes", e sinónimos... e vai fazer um discurso sobre o assunto... ah lembro-me de repente que não vai ser apenas uma personagem... ) e , vejam bem, olhem lá bem para ele tão vistoso, calhou-me um a mim... Eu não vinha escrever sobre nada disto, mas agora tenho que reflectir sobre o assunto e ofertar mais cinco e é difícil, tão difícil... Depois, a primeira regra, devia dispensar-me de nomear blogues que o outro prémio referido , também o recebi e distribuí... mas isso não deve interessar para nada e já vai há algum tempo... Sendo assim, vou meditar um bocadinho... É que uma pessoa acaba sempre por ser injusta , quer queira quer não...

"Este prémio é uma tentativa de reunir os blogues que são adeptos aos relacionamentos "inter-blogues" fazendo um esforço para ser parte de uma conversação e não apenas de um monólogo".

Schmooze: (Verbo) fofocar, jogar conversa fora, trocar idéias. (Substantivo) conversa, bate-papo.

Regras:

1. Se, e somente SE, você receber o "Thinking Blogger Award" ou "The Power of Schmooze Award", escreva um post indicando 5 (cinco) blogs que tem esse perfil "schmoozed" ou que tenha te "acolhido" nesta filosofia. (se não entendeu, leia a explicação no parágrafo anterior de novo).

2. Acrescente um link para o post que te indicou e um para o post do Mike, para que as pessoas possam identificar a origem deste meme.

3. Opcional: Exiba orgulhosamente o "Thinking Blogger Award" ou o "The Power of Schmooze Award" com um link para este post que você escreveu." ( Nota minha ... Isso é que era bom... que eu conseguisse fazer isto... sem pestanejar!!!)

Depois de uma meditação breve que tenho outras questões a que atender, atribuo este Power of Schmooze Award aos seguintes blogues ( não vou atribuir àqueles já presenteados pela Papoila que eles ainda me atiram um livro à cabeça... com boa intenção e numa grande risota...mas podem-me atingir, sem querer!!!) e tenham lá paciência, os links... ao ladinho:

Porca da Vila lá pela Braganzónia

Simplesmente Kaotica

Cidadão do mundo MIXTU

Bell in Savebybell

O poeta na voz da romãzeira

Monday, September 17, 2007

Hino às Mulheres

A canção ELLA, cantada por Bebe é um verdadeiro Hino às Mulheres. Chegou-me por via de uma grande Mulher, uma verdadeira Princesa, que habita ali a três ou quatro quadrículas do Passeig de Gràcia, na cidade de Barcelona e eu dedico-a a todas as Mulheres, ( aos Homens também , aos que têm grande apreço e carinho por Elas!!!) , em particular àquelas que têm a paciência de me visitar com uma regularidade fora do comum... e muita amizade. Aproveitem, levantem-se aí da cadeirinha junto ao computador e dancem... Isso: que maravilha!

Para o caso de não terem notado nada: Repararam que consegui colocar aqui um vídeo? SEM ajuda!!! Batam palmas... Muito obrigada ( vénia)!

Ella

Sunday, September 16, 2007

OS LOBOS

São OS LOBOS. Jogam rugby. Ninguém previa que uma equipa amadora chegasse aos Mundiais. Ninguém previu a transmissão em canal aberto de um ( apenas um!!!) jogo que fosse para os apreciadores ... tem que ser previsto para ser publicado no Diário da República! ... E vai daí eles vão, dão uma lição de profissionalismo e de amor ao desporto... e conseguem, dentro e fora de campo, o respeito de todos, adeptos (e não só) e jogadores, incluindo os All Blacks, campeões mundiais... porque também respeitam os adversários e jogam com alma e com alegria... e, porque lá bem dentro de cada um de nós, apesar da nossa sina de fado triste congénita, temos ( quero eu crer!!!) uma luz igual àquela que sentimos neles, nós nos orgulhamos e nos emocionamos e queríamos todos ser como eles . Sem vergonha. Sem subserviência. Sem miserabilismos. Mesmo quando não vencemos. Respeitados por todos. Como deve ser apanágio de um Estado independente!!!
E sei que alguns me vão entender! E mais não digo!

Para vê-los e aprender a cantar o Hino Nacional sem pejo:

http://videos.sapo.pt/QTSrOnViqmRjsitCmPGO

Saturday, September 15, 2007

Fim de tarde...

Eu abri a página do blogue para escrever sobre as nuvens que , a princípio da tarde, se amontoavam brancas em castelo, entre nesgas de céu azul e o brilho da luz do sol que se reflectia nos flocos de algodão; alguns foram ficando cinzentos e o vento tentou empurrá-los para longe. Agora postaram-se em círculo ao longo da linha do horizonte em vigília. Mas , enquanto o blogue abria e não abria, fui espreitando umas notícias e dei-me com esta no "Público" on-line, última hora ( ainda não, não aprendi a fazer o link para se ler a notícia toda, mas vou ter um ano para aprender , creio eu, se a isso me dispuser, tenho que fazer uma lista enorme ...http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1304969) :

«Homem morre após ambulância ter estado parada por ordem da BT
15.09.2007 - 12h51 Lusa
Um homem morreu quinta-feira "poucos minutos" após entrar no hospital de Ponte de Lima, depois de a ambulância que o transportava ter estado parada "perto de 20 minutos" à ordem da Brigada de Trânsito, denunciou hoje um seu familiar.
(...)
Contactada pela Lusa, fonte da empresa "Ambulâncias Arcuenses" que assegurava o transporte da vítima, garantiu à Lusa que o motorista alertou a BT para o facto de na viatura seguirem dois "doentes urgentes".
Apesar disso, a ambulância ficou ali retida "algum tempo", para "cumprimento de formalidades de trânsito", nomeadamente dois testes de alcoolemia, após o que a BT terá então dado ordem para a viatura seguir para o hospital."
A Brigada seguiu a ambulância para se assegurar, junto do hospital, se o caso era urgente ou não e decidir se autuava ou não pela utilização das luzes de emergência. Acabou por não autuar", disse a mesma fonte.
(...)»


Um pássaro, daqueles que planam em frente à minha varanda de vez em quando, passa veloz em direcção às árvores, quedas em fim de tarde...

Tuesday, September 11, 2007

Realidade?


Enredei-me toda a noite nos lençóis, sem dormir, enleada em papéis... que me massacravam a cabeça... Tentei descansar recorrendo às imagens do mar: o mar da Concha, o mar de Espinho, o mar da Vagueira, o mar de Sesimbra, Atlântico e poderoso, o mar Adriático, calmo e quente, o mar Mediterrâneo, o mar... Acordei ao toque da campainha. O sol , esse, magnífico, o calor em dose perfeita. Atravessava a rua um casal de braço dado e ela trazia um fresco vestido curto às flores. Pelo dia fora , continuei afogada em papéis e decretos e leis e despachos e portarias. E tenho a sensação bizarra de que a noite chega mais cedo e eu ainda teimo na ilusão do Verão...

Monday, September 10, 2007

Da Tv...

Um psiquiatra espanhol, na televisão espanhola, questionado por uma jornalista espanhola, acerca da actuação da Polícia Portuguesa, no caso Maddie, respondeu, sem hesitação e com toda a convicção, que a Polícia Portuguesa é das melhores da Europa e que os seus investigadores são totalmente dedicados ao trabalho!




Eu não percebo nada de râguebi ( leia-se assim mesmo!) , a primeira vez que ouvi falar deste desporto foi há mais de trinta anos em viagens de Coimbra- Anadia - Coimbra pela voz da minha colega Graça Cantante ( o marido era jogador da modalidade!) , mas não sei nada mais desse jogo, mas aquela garra, aquela fibra das imagens em que, a chorar, aqueles HOMENS cantaram o Hino Nacional, com alma e sem nenhuma vergonha emocionou-me , que querem ? Não vivo só para os papéis!!!... Tivessem outros desportistas aquela chama!!! ...

Saturday, September 08, 2007

Calma


Fui andarilhar pela cidade. A temperatura convidava, soberba.

Atravessava as ruas e travessas um silêncio calmo. No jardim, as folhinhas das árvores nem mexem e as flores recolhem o sol de corolas erguidas e tranquilas.

Tuesday, September 04, 2007

à janela

Encostada à janela, olho descuidadamente a árvore: em redor dela, uns pardalitos em acrobacias geniais, rasando os telhados, regressam metódicos aos ramos escondidos entre a folhagem...

Não tarda nada , eu vou estar afogada em papéis...

Encostada à janela, deixo correr a textura do tempo.

O sol poisa no restolho e ainda é Verão!

Saturday, September 01, 2007

Setembro

ouve-se o sossego



na praça,



vozes baixas



nas escadas



junto à catedral;



folheio o jornal



muito devagar,



bebo um café



melancólico;



do miradouro



no quadro bucólico



da paisagem



nem quase aragem:



rodam num torpor



comedido as hélices



dos monstros eólicos



encarrapitados



especados



num céu pálido.





Friday, August 31, 2007

Agosto




a contragosto

o mês de Agosto

chega ao fim

assim:
o céu liso de azul

uma aragem ligeira
traiçoeira

uma sonolência

uma dormência

dos vales aos planaltos;

um rebanho procura

erva perdida no restolho

e os pardais

entre os ramos

voltejam sem cessar
em círculos repetidos;

a aventura

guardada
numa gaveta

semi-fechada

em fotografias

de momentos
lentos

sem tempo marcado

e na memória
uma varanda
com vista para o mar

para me perder
quando precisar

de calma...
















Wednesday, August 29, 2007

Certificado



Ando com uma preguiça imensa. Chamo-lhe eufemisticamente síndrome de fim de férias para justificar o incumprimento de uma lista de tarefas que ando a tentar realizar devagar como convém para não stressar... foi assim que só hoje trouxe com muito prazer um certificado que a Carminda ( FORUM CIDADANIA) me ofertou com carinho... E ainda por cima não obriga a nada...
Agora, quem me visitar de boa fé, é porque tem também um blogue merecedor deste certificado, colha-o e leve-o. Não foi para isso que inventaram estes certificados? Essa é boa! Não discuta, leve-o e pronto! Não é assim, Carminda? E ela é que sabe destas coisas...

Tuesday, August 28, 2007

Saudades


Naquela noite, os relâmpagos entravam por aquele funil que descia até à porta alta e antiga do quarto e os trovões ecoavam entre as paredes do pátio interior. O sono escapulia-se entre as horas vagabundas, ali a duas quadrículas da Rambla Catalunha, a três do Passeig de Gràcia ( um luxo!) à espera do despertador, que o avião não esperava. Pela manhãzinha, descemos a Rambla quase deserta lavada a preceito pelas chuvadas nocturnas. Parecia uma manhã sem nada de especial e, afinal, lá ficava a Princesa na Praça de Catalunha a dizer adeus com o seu sorriso sonolento e sereno, prontinha para ir trabalhar…enquanto eu partia, sem perceber bem porquê.

Sunday, August 26, 2007

Acordei

A noite acordou
assustada
pela trovoada,
entrou
pela madrugada
esgotada
em granizo
e a água atarantada
transformou-se
em rio
pela rua;
corri
à janela
estremunhada
e pensei
que adormecera
em hibernação
e aquela escuridão
trouxera
um Inverno
extraordinário
espantando
o calendário
lavando
as pedras
adormecidas
despertando
dos sonhos de Verão .

Saturday, August 25, 2007

Chuva de Agosto

O vento
ergueu
num escarcéu
o pó
e varreu
a areia,
empurrou,
arrastou,
envolveu
as nuvens
em escuro;
o ar cheirava
a água.
Do sul
chegou
a chuva.

Thursday, August 23, 2007

Palau Nacional - Barcelona : Fonte




Fonte: noites mágicas de Verão, aglomera-se uma multidão nas escadas e arredores do Palau Nacional de Barcelona; ergue-se a música e a água acompanha o ritmo, enrola-se em salpicos, sobe num jacto de cor bruxuleante e cai em rolos de algodão branquíssimo, enreda-se em formas e alturas diversas, espalha-se em forma de leque, cruza-se e descruza-se, valsa do rosa em branco e alarga-se em vermelho paixão e regressa ao céu num impulso impossível, acalmam-se langorosos os sons e a água sossega, incansável, numa dança lenta... só um instante...

Wednesday, August 22, 2007

Nortada


A espuma da água

cortada

pela nortada

corre branca

apressada

em direcção

à praia.

Monday, August 20, 2007

Fonte de Trevi - recanto


Ainda não percebi como consegui tirar uma ou duas fotos sem pessoas: era dia oito de Agosto e o calor abatia-se sobre Roma ao princípio da tarde e, à volta da famosíssima FONTE, aglomerava-se , sentada, de pé, a chegar, de passagem, a partir, uma multidão de muitas partes do mundo...

Sunday, August 19, 2007

Feira S. Mateus, Viseu


Depois das obras dos últimos anos, recinto fantástico; pavilhão de exposições muito agradável com ar condicionado; restaurantes com bom aspecto e , em geral, com qualidade. Preços a puxar para o carote, se escolhermos uma ementa diferente de frango, febras, costeletas de porco e afins.

Praça Velha com Sé Catedral: Guarda


Dez da manhã!
instalada
a esplanada
sob um sol brilhante
temperado
por aragem
da serra
um café e um jornal
uma conversa informal:
sopra a calma
na alma
da praça.

Saturday, August 18, 2007

Basílica de S. Pedro - Roma


Em fila indiana
cobertas as mulheres
em direcção à basílica
à espera recolhimento
um momento
de prece;
ferve grande agitação
um corrupio em movimento
fotos desenfreadas
um choque, uma angústia;
numa fuga para a praça
para respirar da pressão;
aquece
a cabeça a ideia
absurda do lugar
em que se ergue
sumptuosa
serpente em anel:
a feira das vaidades!

Thursday, August 16, 2007

Nascer do sol




Há lugares assim:


o sol não se põe no mar


alagando as águas


de luz cor de fogo;


do mar irrompe


o sol pela manhã


inundando as ondas


de vida!

Alba Adriatica











Wednesday, August 15, 2007

Cheguei!!!

É tudo muito bonito: o mar, o sol, os gelados, o dolce far niente, as viagens, o que se aprende, o que se conhece, outras terras, outras gentes... mas, depois de tudo, bonito é voltar a casa, ao nosso canto...

Resumo e fotos: em breve.

Friday, July 27, 2007

FÉRIAS!!!







De 30 de Julho a 15 de Agosto de 2007…






Como é que uma pessoa se lembra de ir para Alba Adriatica ou Giulianova, ali na província de Téramo, região de Abruzzo?

Praias com imenso areal d’ “argento” no mar Adriático - não é razão bastante?

E se lhe juntarmos o amor? ...

… com passagem por Barcelona, em visita a uma Princesa!

Fotos retiradas de:
http://www.comune.alba-adriatica.te.it/storia.php
http://it.wikipedia.org/wiki/Giulianova
http://www.comune.giulianova.te.it/ ( galeria fotográfica)

De 30 de Julho a 15 de Agosto de 2007…






Vou , mas não tarda nada estou aqui de novo.

Thursday, July 26, 2007

quadro negro ou branco ou interactivo...

Ando a tentar fazer a mala para a viagem, a deixar uns comentários nos blogues para ninguém se esquecer de mim, enquanto vou de abalada por esse mundo fora, assim com esta antecedência, porque vou ter visitas no fim de semana. Antes de dizer "au revoir" "arriverderci", vou deixar um pontinho de reflexão: as palavras nem são minhas, vou transcrevê-las do jornal "Público" de quarta-feira, 25 de Julho ( Artigo "O Governo antropormófico" por Helena Matos) e, mesmo que não se concorde com todas as ideias, servem para pensar, devagarinho, à sombra, sem stress, com um refresco ao alcance da mão, uma sangria também serve, cervejinha bem gelada com espuma q.b. para os apreciadores, um vinho saltitante do Douro, branco, belo, refrescante, se possível, o mar em frente, ou o rio a navegar, água que apague bizantinices, que acaricie a areia, que cante ao rolar sobre os seixos de cores, arredondando-os...

«(...) Ao contrário do que afirmou o nosso primeiro-ministro, a relação professor-aluno não muda por causa de um brinquedo que desenha de forma perfeita os ângulos dos losangos. O quadro intercativo não faz falta alguma ou melhor dizendo faz tanta falta quanto antes deles fizeram os mais recentes acetatos ou já os desaparecidos flanelógrafos: se o professor for bom e se a turma estiver motivada, esses objectos ajudam a tornar mais interessante aquilo que já o é. caso contrário, ou seja, se o professor for mau e se os alunos não estiverem interessados, então todas essas apregoadas maravilhas se transformam numa tralha grotesca. (...) »

Eu pensei que já ninguém se lembrava dos "benditos" flanelógrafos ... e , agora, já antiga nestas lides, que , naquela altura em plena aula assistida no ano de estágio, a brincadeira não tinha mesmo piada nenhuma, não se consegue conter o riso, ao rever a cena que tantas vezes se repetia: colocados os bonecos - a Nicole, o Robert, Madame e Monsieur Dupont mais uma porta, um quadro , um sinalefo que significa falar e mais outro que simbolizava ouvir, enfim, a cena toda prontinha para se repetir o diálogo daquelas criaturinhas infelizes ou fazê-lo repetir a um gravador cheio de ruídos- aquilo vinha tudo abaixo, no momento menos propício... e valia-nos a paciência dos alunos que - vejam só !!! - nem se riam nem nada , eles também conscientes do instante malfadado e da repercussão que podia vir a ter e do desportivismo com que se - fazendo das tripas coração- se agarrava na bonecada toda outra vez e - masoquistas que éramos! - pretendíamos encaixar nos lugares as ditas personagens, o que nem sempre era possível... ( tem muita piada , tem, a quilómetros de anos de distância... ... ... por acaso tem!) Imagino agora a cena sofisticada, em que um Professor no seu estágio ou em avaliação, aquela de que ainda nada ou quase nada se sabe, o quadro da luz vai abaixo, o rato teima em não funcionar, o cabo não liga de maneira nenhuma e, caso se queira ligar à internet, nesse mesmo dia, internet, viste-a... e lá vai o trabalhinho de muitas horas e horas... para o maneta... ( o Maneta é outra história do tempo das Invasões Francesas e o flanelógrafo é antigo, mas nem tanto!!!) ...

Wednesday, July 25, 2007

Jogos Olímpicos de Pequim

Acabo de ouvir no Canal 1 da Televisão Espanhola que , na China, durante os Jogos Olímpicos em Pequim, as autoridades estão prontas...

... a proibir que as pessoas se beijem!


Mas estes chineses estão loucos!

Tuesday, July 24, 2007

Candeeiro


Na minha rua

há um candeeiro

redondo

no fim do tronco.


Aceso, lembra a lua

cheia.


Um pinheiro

alongou os ramos

no espaço.

Se sopra

o vento ligeiro,

a árvore

afaga a esfera

brilhante

num abraço.

Monday, July 23, 2007

KAOS in Barcelona

Em Barcelona, um apagão
deixou-me sem sol
em espera
e o nosso amigo
KAOS
que ilustra na blogosfera
em bonecos a actualidade
instalou-se na cidade!

Desafio: quinta linha página cento e sessenta e um

Desafio ( vindo da minha amiga MEG):
quinta linha
página cento e sessenta e um
do livro que ando a ler

Obra:"O Pintor de Batalhas"
Autor: Arturo Pérez-Reverte

Mais (linha 4)/tarde entrou na agência bancária para levantar dinheiro da sua /(linha seis) conta, foi á loja de ferragens onde encomendava as tintase pagou a última factura pendente.

Extra desafio, transcrevo umas linhas, da página 14, que eu sublinhei:

Depois a fotografia ocupou esse lugar. As tuas fotografias, Faulques. E as dos outros. Mas até isso perdeu a honradez, não é verdade? Mostrar o horror em primeiro plano é já socialmente incorrecto. Até à criança que ergueu as mãos na famosa fotografia do gueto de Varsóvia lhe tapariam hoje a cara, o olhar para não desobedecer às leis sobre a protecção de menores.


Passo o desafio a

BICHO de CONTA
KAOTICA
KAOS
Assim queiram seguir a corrente;
se não quiserem, amigos como sempre!

Leituras: sugestões aceitam-se

Sou uma exagerada. Começo sempre a fazer as malas com muita antecedência, por isso nunca poderia aproveitar as ofertas de última hora. Estico tudo em cima de uma cama livre. Tudo que é como quem diz: aquilo de que me lembro numa primeira impressão. Depois, dia a dia, durante uns cinco dias, pelo menos, vou acrescentando os pormenores: também tenho que levar isto, se calhar aquilo vai fazer-me falta, e aqueloutro, possivelmente, dava-me jeito. E, nos últimos tempos, nesta nova era tecnológica, não nos podemos esquecer do carregador do telemóvel ( em apartado à parte, quer dizer , vai num compartimento de um saco ali mais à mão), o telemóvel, os óculos ( que também são tecnologia imprescindível para quem começa a ter falhas de visão ) , o carregador das pilhas da máquina digital, mais um cabo para ligar a máquina a um computador e não levo o computador portátil ( tem um nome todo modernaço em inglês, mas agora não me ocorre), porque ainda não o tenho , que perdi esta nova oportunidade…e uma revista, o jornal do dia e um livro … ou dois, se a viagem for mais longa, se houver muitas esperas em aeroportos e viagens de comboio, que vai ser o caso. E este ano é complicado. Já tinha ali um livro “O pintor de batalhas” de Artur-Pérez Reverte, mas já vou a meio, não chega ao dia da viagem, ainda por cima, há lá momentos muito angustiantes, que me arrepiaram até ao coração, por ver até que ponto um ser humano se desumaniza numa guerra, uma guerra que – creio que todos nos esquecemos, provavelmente, por não medirmos bem as distâncias , à falta de TGV e de mais auto-estradas – se passou mesmo ali, ao nosso lado. Não sei quantos quilómetros são em linha recta até Vukovar, mas, se usarmos a tecnologia de que todos nos gabamos tanto, estamos mesmo à distância de um voo ou de um clique… Enfim, não é propriamente uma leitura para descansar em férias, como se em férias até não estivéssemos mais disponíveis para reflectir. Assim, lembrei-me de perguntar ( já houve várias indicações sobre livros ultimamente em vários blogues) e, em vez de ir à livraria e folhear à toa à procura, correndo o risco de levar até o Harry Potter, atendendo à loucura de vendas por esse planeta fora, o tal que tão depressa acha que estamos perto uns dos outros, como crê que nos separam imponderáveis, quando convém… dizia eu, em vez de escolher um tanto à sorte, venho pedir sugestões a quem me visita, desejando que deixem a proposta com uma notinha de rodapé ( maneira de dizer, claro! Um nota rápida de ler!). Acrescento eu que gosto de romances, romances históricos incluídos, mas leio tudo, desde que muito bem escrito ( e aqui podia divagar mais um tempo: serão os livros – alguns – de Saramago bem escritos , se até lhe falta tanta vírgula e tanto ponto? ) e nunca mais daqui saíamos. Portanto, o pedido está feito. Das respostas, se as houver, darei conta quarta-feira ( nunca mais tarde que segunda estou eu de abalada e ainda terei que ir comprar os livros para estar tudo em ordem sem stress bastante tempo antes) para poder aproveitar a todos os que aceitarem as sugestões. Isto não é um desafio, mas até parece!
Ah houve notícias de Paris... ah Paris, Paris ( dizer com "accent" parisiense!)

Sunday, July 22, 2007

7 factos 7


Desafio deixado por Carminda Pinho, fórum cidadania:

Cada pessoa escreve sete factos casuais sobre a sua vida e passa o desafio a outras sete.


Andei a investigar e há enumerações de factos casuais para todos gostos. Eu optei por escrever daquelas manias/gostos/desgostos do dia a dia/vida rotineira e não propriamente da vida inteira. Versejei, mas foi sem querer...




1. Nunca acordo verdadeiramente sem tomar um café.
2. Se não durmo bem, pareço uma zombie durante o dia seguinte. Não me digam nada, porque não adianta. Passo o dia à espera de pôr o sono perdido em dia…
3. Tenho sempre ao alcance da mão um livro, uma revista, um jornal, um bloco , um lápis ou uma esferográfica , mesmo que não lhes toque durante horas. Manias!
4. Um dia sem ouvir a voz da Princesa é um dia sem sol.
5. Não gosto que me mudem os objectos do sítio ( gaveta, estante, cantinho qualquer), porque depois andam à procura das coisas e eu é que tenho que as encontrar…
6. Quando vejo filmes/séries policiais, ajeito-me no sofá toda contente, com uma tacinha de batatas fritas (sem sal) e araruta para ir roendo… e, por favor, ninguém fale comigo no momento preciso em que se descobre o criminoso!
7. Gosto mesmo é do Verão!


Passo o desafio a – lamento que alguns estejam de férias, mas , se não lhes estivesse a moer o juízo, ia ser muito complicado entregar o desafio. Pardon, sorry, me dispiace… mas o que tem que ser tem muita força…passo o desafio a:

Bell ( savebybell)

Braganzonia ( sei que tens já o desafio, mas respondes dois em um , digo eu)

Papoila

Recalcitrante ( sei que tens já o desafio, mas fazes como a Braganzonia: respondes dois em um , que fica mais prático)

Vareira

Pomarão


E fazemos assim: eu não aviso ninguém desta vez ( ai madre que já estás a incumprir as regras todas outra vez!) ; quem vier e quiser pegar no fio da meada , desenrolá-lo e levá-lo consigo, fará o favor de lhe dar seguimento... é que são férias para alguns, é Verão, sempre se vai até à esplanada beber uma cerveja ou uma limonada, fica-se por ali, se a aragem o permite, a conversar, passa-se pela praia num instantinho, espraia-se a vista pelo mar ou pelas montanhas ou pelos vales... e isto de ter horas marcadas e tarefas obrigatórias não casam bem com o bom tempo. E disse!

Também podem colher uma flor...

Saturday, July 21, 2007

Miminhos em forma de chocolate


... Entretanto e, para adoçar o paladar e as almas, aquecer o corpo e saciar a mente, a Carminda ( Forum Cidadania) abriu uma atraente caixa de chocolates e anda a distribuir por toda a gente, com muito mimo... e eu estou a ajudá-la... na distribuição. Escolham um, metam na boca e sintam como é suave e delicado esse derreter da seda a embriagar as papilas gustativas...
Se quiserem repetir, estão à vontade!...

Festas NA Cidade


Começaram ontem as Festas NA Cidade e pareceria mal não referir o facto. Abriu a Feira de Artesanato e actuou o Tony Carreira. A "Beirartesanato com um número apreciável de expositores, o que foi uma muito agradável surpresa, mas estava tanto frio que andava tudo encolhido e vontade de comprar ou de sentar numa das tasquinhas a beber um copo não era ( quase) nenhuma. Quanto ao Tony, não sei dizer, que não fui assistir . .. nem ouvi comentar!

Friday, July 20, 2007

BANANA Prize



Papoila que se preza dança o cha cha cha e o samba e marchinhas com uma sensualidade tropical... é só ir lá espreitar ( o link está ao lado; já sei que tive imenso tempo para aprender a colocar aqui a ligação, mas , com este Verão que nem é nem deixa de ser, não tenho paciência; fica para Setembro, mas não prometo!) para perceber. E dança e dança e dança e precisa de uma bebida fresquinha que ela prepara com doçura. E, com tanta dança, pôs-se a distribuir bananas por toda a gente da roda. E vai daí, eu trouxe a que me pertence, agradecendo... Fica aqui tão bonitinha que não resisti... Levem também, se por aqui passarem. Não sei nenhuma receita especial para fazer com elas ... e - vá que ninguém se ria - assim de repente só consigo lembrar-me da canção que diz "como o macaco gosta de bananas, eu gosto de tiiiiiiii"...

Nota: também não sei que premeia tal prémio! Mas não tem importância ou tem? Ah! Uma condição. Cantar (!!!) - desafinar também serve - a canção do Prémio Banana! Voilà! Tudo a cantar! E está tudo a rir! Óptimo...

Lo unico fruto del amor,

Es la BANANA,

Es la BANANA!

Lo unico fruto del amor,

Es la BANANA si señor!!!

ChaChaCha!!!

Wednesday, July 18, 2007

Sensualidade

leve tecido

fino

transparente

esculpido

em corpo

feminino

flutua

brevemente...


Monday, July 16, 2007

MomentUS de Excelência





distinção atribuída ao meu blogue http://www.maniadasfotos.blogspot.com/ por BICHO DE CONTA ( link ao lado), (a quem agradeço o carinho) e que me "exige" a recomendação/nomeação de outros blogues... não sei quantos! ( Quebro as regras todas, porque este Verão também não anda a seguir regras nenhumas nem escritas nem por escrever...... )


Assim, a todos quantos me visitam regularmente, ali e aqui, e são pessoas que vêm em paz, nomeio dignos deste galardão: a todos, porque me querem bem, a uns porque me incentivam, a outros , porque me fazem rir, a alguns , porque me emocionam, muitos me impressionam pela dedicação a lutas (im)possíveis e pela qualidade das palavras que escrevem e pelos sentimentos que expressam...
e, perdoem-me todos, em especial, ao meu "padrinho" que anda por Paris em merecidas férias!!!


Cada um prenda o "pin" na lapela... quando e se o desejar.
A única maneira de saberem que lhes "outorguei" o Prémio será ... através de uma visita ... aqui ou ali...
E depois , façam como entenderem: nomeiem um , sete, dez, ou guardem-no ... apenas!

Sunday, July 15, 2007

Carroussel

Já estive em França
no 14 Juillet...
baile gigante
e estonteante
fogo de artifício;
uma vez cheguei
ao aeroporto d'Orly
num 1º de Maio e recebi
um raminho perfumado
de flores de muguet...
dormi num hotel
em Saint Germain des Prés,
Notre Dame a Catedral
fechada não sei porquê,
mas passeei na avenida
dos Champs-Elysées
e sentei-me descansada
numa esplanada
a beber um thé;
vagueei pela noite
no Quartier Latin;
subi à Torre Eiffel
e tout Paris ville-lumiére
ajoelhou a meus pés;
desde um bateau-mouche
num dia chuvoso
Paris brumoso
das pontes
históricas
sobre o Sena;
adorei o Jardin
du Luxembourg
e o Museu d'Orsay
que foi uma estação
e actualmente
já não é
e onde vi casualmente
os Girassóis de Van Gogh
e quadros de Monet!
Guardamos as imagens
num cofre na memória;
como um livro de História
para não esquecer,
relemos as mensagens,
nos nossos vagares
voltamos aos lugares...

Nota: culpa do J. Sineiro esta lengalenga!

Saturday, July 14, 2007

Sombras

Projecta-se o silêncio
nas sombras especadas
das casas paradas;

nas esplanadas
quase vazias
poucas pessoas
pousam pasmadas
em frente da TV;

adiante a garganta
de um altifalante
possante
a despropósito
grita no Largo da Sé
a voz de Jennifer;

o sossego
canta em segredo
entre as folhinhas
o perfume adocicado
da flor das tílias.

Monday, July 09, 2007

Verão afinal

Amacia a pele acesa

uma canção francesa

gota a gota

deslizando

a água pelo corpo

cansado

embrulhado

o pensamento

em vento

suave...

Sunday, July 08, 2007

Mões - Castro Daire





Ouvimos falar numa feira Medieval em Castro Daire e nem pensámos duas vezes, embora, ultimamente, estas feiras proliferem por esse país fora em cada recanto, o que lhes retira o encanto e hoje os olhos até estão mais focados na Festa dos Tabuleiros de Tomar, que deve ser festa em grande. Pela Lezíria, inaugura-se também uma comprida ponte e é só festas, romarias e inaugurações e valha-nos o Verão para andar tudo ao som de fogo de artifício , pelo menos em sentido figurado que, fogo real deste de lançar no ar o foguetório, é preciso cuidado… Lá fomos – como diriam os governantes - para o Portugal profundo. De Castro Daire, conhecia a localização de ver no mapa e umas duas ou três freguesias – Gozende ( pode escrever-se com s ) , Picão e Ermida, conhecia a proximidade fronteiriça a Cinfães, porque , ao andar a viajar pelas vidas dos meus antepassados, parei também nos nomes das terras ( freguesias que se tornaram lugares, lugares que se tornaram quintas, quintas que deixaram alguns vestígios e outros lugares que desapareceram… administrativamente e só vivem nos documentos dos Arquivos ou na Torre do Tombo). Nomes que identifiquei com a ajuda do Dicionário Corográfico de Portugal, dos confrades do sítio GENEAPortugal, dos genealogistas que tive a sorte de encontrar pelo caminho ( talvez um dia parte dessa H(h)istória do meu passado seja contada por Nuno Resende que bloga em “O Breviário” e, através do qual tive acesso a ligações familiares nunca possíveis sem o seu trabalho e a generosidade que teve em partilhar tais conhecimentos com esta humilde mortal!) . Enfim, chegámos aos arredores de Castro Daire , já depois de sair da A24, e, de Feiras, apenas anúncios de beira de estrada “Feira Medieval – Mões”. Não conhecia Mões. Nunca na vida ouvira falar de tal freguesia, nem os meus olhos se haviam jamais detido nela , nem quando procurara a situação das já referidas atrás. De nariz franzido, com as indicações de dois locais , que, àquela hora quase não se via vivalma por ali, passámos Ponte Pedrinha e, virando sempre à esquerda, sempre à esquerda, sempre à esquerda, lá demos com a freguesia. Primeiro sinal de que algo se passava: trânsito proibido a certa altura. Lá fomos a pé , como deve ser, por ali fora e foi uma boa surpresa: tudo bonito, limpo e escorreito. As pessoas , uma simpatia, em que se notava uma vivência total do acontecimento, aliás, a organização estava a cargo da Filarmónica de Mões, as mulheres e moças, bem vestidas para a ocasião ( talvez tivesse havido ontem algum desfile a propósito!) e bem calçadas a condizer, o que nem sempre acontece... ( os homens também!). Mas ia dizer que, em Mões, há mulheres e moças muito bonitas…Comeu-se bem ( já acabara o cabrito assado no forno de lenha!) e não cabíamos em nós do espanto: em Mões, lá num alto sobranceiro ao rio Paiva, no meio das serranias, vive-se assim uma Feira … Para se saber mais sobre Mões e, como chegou até nós de tempos longínquos, como esteve ligada a Egas Moniz, e a muitos reis pelo tempo fora, como foi concelho com foral e depois deixou de ser, consultar, por exemplo: http://www.minhaterra.com.pt/template/frames.php?intNivelID=4031

Friday, July 06, 2007

Encadeado

O calor , chegou o calor!

Queda-se nos campos

o feno cortado

estendido ao sol

como outrora

nas eiras do Douro

o milho dourado ...

e o meu avô calejado

encostado ao mangual

rastreava com os olhos

as terras calmas

em socalcos

a correr para o rio...

e do outro lado

Resende

"-dizem que viva Resende

não sei que graça lhe achais

terra do milho miúdo

alimento dos pardais-"

cantavam ao desafio

em despique

nas noites da desfolhada

com beijos de mel

em horas de milho-rei

pelo s. miguel

e a minha avó

entre as panelas de ferro

e as malgas cheias

de caldo a rescender

a ementas nunca mais

saboreadas

nem Jacinto

a subir para Tormes

e a provar a canja

e o célebre arroz de favas

se lhes compara

e as pequenas acaloradas

os pés descalços

a chapinhar

pelas levadas fora ...

e as uvas gordas

a inchar pelas tardes

e as meninas a seguir

o avô em passos

de sombra

que ele tem um segredo:

na ramada do Rosso

preso nos bagos maduros

de Fernão Pires

vivia o sol!

Wednesday, July 04, 2007

A divagar...

Anda este Verão a outunar sem pés nem cabeça... desatina o clima e o sono consome-se em insónias e pesadelos de papéis que nunca têm fim... abandono involuntariamente a leitura dos blogues e, quando volto, horas passadas, tanta água correu debaixo das pontes, tanta tinta-em-forma-de-letras na blogosfera foi gasta... correm céleres notícias-cimeiras-reuniões-fotos-contraplacadas de sorrisos enroladas em belos sacos de embrulho modernos em papel de jornal e imagens de televisão... novos países velhos (re)descobertos para congratulação do mundo europeu e além-europa, novos reis de aquém e além-mar em áfrica e américa... atinge o intolerável um cansaço disto e daquilo... venha a noite, desça um manto sobre as casas, traga o sossego, esconda o lado de fora, deixem apenas entrar o luar, o luzir fiel de Vénus e o silêncio... que deixem ouvir o silêncio... enquanto não chega o dia que eu quero de sol claro.