Friday, May 18, 2007

Inauguração do Sanatório Sousa Martins




































Amanhã

VISITA d’El Rei D. Carlos e da Rainha D. Amélia à cidade da Guarda para inaugurar o Sanatório Sousa Martins ( reconstituição CEM ANOS passados…)

As montras de algumas lojas "vestiram-se" a rigor para receber o Rei.

Mas creio que o Rei vai encontrar tudo muito mudado...

Maio


Houve meses de Maio em que as horas se alongavam nas tardes calorosas
o mundo e o tempo viviam ao alcance das mãos
e as crianças enfeitavam-se de brincos de cerejas vaidosas...

Tuesday, May 15, 2007

Mensagem (des)propositada para a Cidade Condal em dia especial


Trazes no sangue
o sangue de guerreiros,
de nobres e plebeus,
caseiros e senhores,
comerciantes, marinheiros
transmontanos,
galegos e beirões,

trazes no sangue
o sangue das vinhas
dos socalcos e do rio,
o trabalho e o amor
a saudade e a dor,
o cheiro da terra e do mar,
o brilho das constelações
do sol o calor…

a calma natureza
a alma lutadora
o coração sereno
a força persistente
a coragem, o humor
a amizade duradoura:

é essa a tua beleza!

Parabéns, Princesa!…

Monday, May 14, 2007

Valsa

Saio para passear
a volta do costume
para não me instalar
em solitário azedume
ou apática estupidez;
regresso a desafinar
uma canção em inglês
e, na sala, rodopio
num espaço vazio
em passos inventados,
ao som imaginado
de uma valsa curiosa
risonha e caprichosa...

Sunday, May 13, 2007

Vento

No terreno
da quinta em frente
ondula o feno
sob a vaga insistente
da fantasia
e do vento.

Almeida - apontamento


Directos à Feira das Artes, em Almeida, onde chegámos por volta do meio dia e meia, pudemos ver pintura e escultura, mas "comes e bebes" estava (ainda!!!) muito fraquinho e o Picadeiro d'El-Rei era varrido por uma ventania fresquinha pouco hospitaleira ... Assim , rumámos a Ciudad Rodrigo para as costumadas costeletinhas de "cordero" e , no regresso, atestar o auto... O Ministro das Finanças havia de ir dar uma olhadela às filas dos carros portugueses nas bombas do lado de lá; sendo que o gasóleo se paga a 0.904/litro ( em Portugal, 1.059/litro - é só fazer as contas!!!), até ajudamos a economia espanhola a crescer... a intenção será essa(?)...
Por acaso, já se aperceberam que o meu blogue está mais bonitote, com o OSCARINO ali a brilhar ao lado e tudo??? Quem tem amigos...

Saturday, May 12, 2007

MEME : PARAÍSO NATURAL V





E, como as montanhas, apesar do ar que lá se respira, me atrofiam a mente e os horizontes, se tomado – o ar – em demasia, busco sempre a água, o caminho para me libertar e sonhar, o caminho que a seguir para qualquer lugar em qualquer momento, o meu paraíso natural particular, localiza-se quase sempre à beira-mar…
E, agora, para se cumprir o desafio, convido a lançar na blogosfera o "seu" MEME... os seguintes amigos, que se podem , com certeza, sentir perfeitamente à vontade para declinar o convite... que nem traje de gala é necssário nem é de aceitação obrigatória... eu nem sei quantos devia convidar, mas também não me quero tornar pesada nem maçadora. (Repito para não haver dúvidas: este convite é feito, mas não tem que ser aceite... e não lanço o repto, desde já, ao meu amigo do Sinodaaldeia , porque ele já declinou um... o que não tem importãncia nenhuma, é evidente!!!)
vareira
avozdaromãzeira
pomarão

MEME : PARAÍSO NATURAL IV


Sanábria


…águias-reais e lobos vivem também para lá das fronteiras, entre a Galiza e Castela e Leão nos arredores do maior lago de origem glaciar na Penísula Ibérica.

MEME : PARAÍSO NATURAL III


Lagoaça

Voam as águias-reais sem quebrar o momento mágico do silencioso vale do “belo horrível”…



MEME : PARAÍSO NATURAL II


Rio Mondego ( Aldeia Viçosa)

Recantos ao longo das margens do Rio, as ervas e florinhas singelas, nesta época, convidam aos segredos…


MEME : PARAÍSO NATURAL I



Serra da Estrela

Na vertente da serra voltada para o vale de Manteigas, por alturas do degelo, na Primavera, desce das alturas, em cascata, a água em espuma…
Foto: rio Zêzere, em Valhelhas.

MEME : PARAÍSO NATURAL

BRAGANZÓNIA – reserva natural de índios situada no Parque Natural de Montesinho… ( e, para saber mais , ir até a esse sítio…)

Foi daí que me chegou um desafio – escrever sobre um MEME – PARQUE NATURAL - … e ora aí está o que se descobre e aprende por aqui… Eu sabia lá o que era esta palavrinha com quatro letritas???? E, então, li a informação em Braganzónia e espreitei a wikipédia e …

MEME ( Richard DAWKINS – zoólogo, etólogo, evolucionista, popular escritor de divulgação científica britânico)
- ideias
- artes de ideias
- línguas
- sons
- desenhos
– capacidades
- valores estéticos e morais
- ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida em unidade autónoma.
(Memética – estudo dos modelos evolutivos da transferência de informação)

Já temos em que pensar durante algum tempo a ver se percebemos estas informações.


Continuando: e que será um PARAÍSO , ainda por cima natural? Consultemos quem sabe.
PARAÍSO (dic. HOUAISS) – etimologicamente, do latim paradisus, jardim próximo à casa; o paraíso terrestre; o paraíso celeste.
para os antigos persas, amplo parque;
segundo a Bíblia, jardim aprazível onde Deus colocou Adão e Eva, depois da sua criação; éden;
fig. lugar em que reina a felicidade, céu;
qualquer lugar agradável e prazeroso.
Nota: não registo o paraíso fiscal para as empresas e pessoas…ou devia???


Não sei se o Paraíso Natural é um local belíssimo em que não há ninguém ou um local também belíssimo, onde vamos com boa companhia ou do qual recordamos momentos irrepetíveis… em que se pode ouvir o silêncio, embora haja quem , no silêncio, sufoque.
Depois, surge outro problema: não sei escrever nada assim de rompante, sem pensar ao menos um bocadinho no assunto; e gosto de escrever mais com o coração … o que não dá grandes textos …
Assim, surgiu-me esta ideia apenas… que segue …

Friday, May 11, 2007

Namorados

Esborratado
de branco
o azul celeste
da tarde morna...
um par de namorados
agarradinho
no meio do caminho
fica parado
entrelaçado
de beijos calados
quentes,
indiferentes
ao mundo parado
ali ao lado.

Thursday, May 10, 2007

Horas...

As lagartixas passam por mim a correr, a sair e a entrar dos buracos do enorme muro junto à estrada. Anuncia-se outro dia de calor. Há horas de silêncio e horas de recreio, gritinhos, risadas, jogatinas de bola e conversas nas escadas. Lá fora. Porque o céu sossega de azul pálido e o sol brilha e a Primavera anda desenfreada de brincadeira e excitação. No ar, um estonteante desejo de escapar.

Wednesday, May 09, 2007

Risos

O sol ficou mais quente esta tarde... entrou-me pela sala dentro com a tua voz alegre e serena e encheu-me de luz e riso.

Tuesday, May 08, 2007

Devagar...

Andam os passos devagar
preguiçosamente
a gozar
o sol quente!

E os amores-perfeitos amarelos a brincar no jardim ...

Monday, May 07, 2007

Eu gosto é deste tempo...

É deste tempo que eu gosto, igual à canção " Eu gosto é do Verão!!!..." , sair por aí, sem me enrolar em casacos e camisolas e não querer voltar para casa, porque as casas ainda estão frescas e esta frescura só vai apetecer lá mais adiante com Julho e Agosto...

Lá pela capital da Catalunha, onde atrevidamente, já se vai à praia, quando não desata a chover inopinadamente, andam, por estes dias, duas CUQs ( nome de código, dos tempos da Universidade do Minho - elas são quatro - em que, incógnitas, estudaram as ditas Princesas e cada uma Princesa de sua casa...) a aproveitar o tempo que a vida lhes ofereceu agora!

É deste tempo que eu gosto...
... só tem um defeito: instala-se até aos ossos uma preguiça fatal!

Sunday, May 06, 2007

Saturday, May 05, 2007

Mãe



Mãe

Eram outros tempos, outra maneira de educar, outro entendimento das coisas, outro modo de (não) mostrar o amor...

... mas chegávamos a casa, estavas sempre lá...

... ainda hoje, batemos à porta e lá estás... sempre! E sonho que é para sempre!


"A noite é uma multidão de mães iluminadas que se chama estrelas."

Erri de Luca


Aparições


Povoam

antigos caminhos

recentes estradas

carreiros de peregrinos

velhos e novos

a pão e água

livres de mágoa

ou de dor encravada

no corpo e na alma

em direcção ao sítio

mítico

de reais

ou eventuais

aparições

... a pé!



Que os move?

Quem os conduz?

a trancendência

de alguma luz?

terríveis aflições?

pagamento

de promessas

dessas

em momento

de um mundo às avessas?

pendor para o sofrimento?

uma energia invulgar

daquele lugar?

ou uma cega
e inexplicável
fé?


Thursday, May 03, 2007

Sonho...

Impensável dedicar
tempo à informática
pensar em gramática
e descortinar
o sentido das palavras:
anda uma pomba
a esvoaçar
em círculos
a toda a hora
e leva os sonhos
lá para fora!

Wednesday, May 02, 2007

Lua cheia

Esconde-se a lua
bem cheia
atrás da chuva
lacrimejante
e fria
leva a magia
para o fundo
do céu de breu
e eu
fico a olhar
o vazio
um calafrio
arrepia
a noite e a lua
cheia oculta
recolhe
pedra preciosa
um segredo
uma lenda
misteriosa...

Monday, April 30, 2007

Folheando o blogue, como quem não tem que fazer!

Andam por aí umas nuvens alvo-acinzentadas a rondar a rondar, a parecer um disco voador sobre as nossas cabeças. De vez em quando chove e arrefeceu. O boletim meteorológico anunciou neve para as terras altas, sem perceber bem onde se localizam essas terras, já que a neve anda arredia há muito tempo destas paragens… E, então, assim como quem folheia um livro ou abre um álbum antigo de fotos, pus-me a passar as páginas do meu blogue e fiquei mesmo surpreendida: ora esta brincadeira já começou em Julho de 2004 – digo brincadeira, porque foi assim que começou e assim continua sem pretensões, evidentemente – e eu tinha-lhe perdido completamente o início. Era Verão e, com a Princesa de fim de semana ou de alguns diazitos de férias, demos ambas o pontapé de saída a este sítio. Verifico que escrevia de tempos a tempos , de forma muito irregular e despretensiosa, como sempre, só para ela ler lá pela capital. Dos primeiros tempos, não há nenhum comentário, aliás os primeiros surgem em 29 de Dezembro de 2005, em língua inglesa, standardizados, a que eu não liguei patavina. Para cúmulo, o comentário seguinte , aparece em 6 de Maio de 2006, para publicitar aulas de inglês… engraçadinhos!!! E os seguintes, lá estão em 26 de Julho de 2006 , a propósito do concerto de Luís Represas na Guarda…mas eu não tinha este hábito que me meteram na carne de andar a visitar blogues, nem me apercebia por essa data – até parece que foi há séculos… - do interesse que poderia ter viajar pelos blogues e aprender sempre e, muitas vezes, muito… e cá fiquei pelo meu cantinho, sossegadita, sem intercâmbio nenhum…por curiosidade, tentei agora ver quem são as pessoas e que têm feito e nicles…já nem existem os seus espaços…e só lá por finais de Agosto de 2006, a Vareira e eu nos cruzamos mais frequentemente nos blogues respectivos, porque ela teve a bela ideia que, a mim não me tinha ocorrido, de me indicar, por correio electrónico, o seu blogue… e, em Outubro, a propósito, do fecho da Escola de Lagoaça, lá tenho outro comentário… da “sara” que nunca mais vi por aqui…e, em 31 de Outubro, a propósito de um poema que, repito, não fui eu que escrevi, foi a E.P., a propósito de uma Ministra de um país qualquer , a Soledade deixou uma mensagem ( a Soledade que trouxe até mim a vozdaromãzeira), divulgou de tal modo bem o poema que , um dia , muito mais tarde, fui encontrá-lo, num blogue do Expresso, assinado, vejam lá o descaramento por uma pessoa que – eu sei e muitos outros também sabem – não era a autora…Compreendi assim que temos nas mãos uma ferramenta com um poder inimaginável, para o bem e para o mal…
E passaram protestos, greves e Vareira sempre presente a deixar um comentário, nem que fosse telegráfico. Eu também ia visitando um ou outro blogue, mas não deixava comentários, por puro comodismo ou por não ter atingido o alcance deste mundo virtual, de que sou navegadora-aprendiz-sempre. Alguns sítios desapareceram, ou possivelmente, deram lugar a outros…ou entraram no limbo ( não sei se esta imagem ainda vale porque o limbo não existe…) do esquecimento . E,um dia, lá por finais do ano, surgiu-me um sineiro a tocar, a avisar, a deixar-me um poema… - 30 de Dezembro de 2006 - o meu mundo virtual tornou-se mais vasto, horizontes abertos, largos, ao mesmo tempo, um mundo enorme, em que eu sou um grãozito de areia, que não sei nada, mas quero abrir os olhos e ver mais e melhor… Tudo mudou: agora até recebo visitas de Burkina Faso e do Brasil e percebi que podemos ter ideias muito simples ( falo das minhas que visito blogues muito importantes e, em certos casos, super-especializados), que , juntas a outras como as nossas, podem conter uma força que nem toda a gente parece compreender… O Sino do Sineiro tem a faculdade de, a tocar como toca, não deixar ninguém indiferente e, da sua torre, agrega à sua volta amigos que apresenta a amigos e consegue a proeza de, nos tempos que correm, ficar feliz por todos…
Não sei que me deu – será da chuva? – mas deu-me para isto, para me pôr a folhear as páginas do meu blogue e ter-vos a todos aqui ( os links aí estão ao lado), depois desses primeiros encontros, assim, entre tímidos e curiosos , horas e meses passados, sabe-me bem!!!
Nota: se parecer desconexa esta algaraviada, é mesmo por causa da chuva…

Sunday, April 29, 2007

"A la minuta" ( instantâneo - hoje!)




Um dia
céu turvo
e tudo
salpicado
de chuva
fotografia
“a la minuta”
ao lado
do jardim.

Outro dia
um círculo
de luz
agitado
afastou
neblinas
nuvens
peregrinas
e alargou-se
em azul.

Reina
a calma
mágica
de flores
pintalgando
os verdes
de cores…

…em moldura
repousada
o fotógrafo
de antigamente
itinerante
paciente
sonha!...

Saturday, April 28, 2007

OSCARINO 2006/2007


O meu queridíssmo Jorge Sineiro, de OSINODAALDEIA, reservou-me uma surpresa este fim de semana e, creio que, para festejar o quase primeiro aniversário deste seu blogue, dedicou-se, com muito carinho, a dar prémios... e o meu, aceito-o e agradeço-lhe, dizendo a todos para o irem visitar ( sem esquecer OCONTOLIVRE, onde também colabora), ouvir música, ler, passar pel'A TASCA e pelo COFFEE TIME... Terão oportunidade de conhecer os outros OSCARINADOS que, se foram escolhidos, acreditem em mim, mereciam de certeza ser galardoados. E mais não digo, que me faltam as palavras.
Mas , digam lá se o Oscarino não é reluzente de lindo!!!

Thursday, April 26, 2007

Tempo


Passeio até à janela:
altas, luminosas
as tílias frondosas
de sentinela
e o céu cinzento
macilento
e a torre estática
majestática...
vão escoando
entre os dedos
sem segredos
as horas andando
pasmadas
enroladas
perdido
o sentido
do tempo.

Wednesday, April 25, 2007

25 de Abril de 1974


Naquela manhã, pelas oito horas, a Alice L. que esperava boleia na Praça da República, em frente aos Correios, em Coimbra, atirou-se para dentro do Citroen verde-garrafa da Rosália e, numa aflição, lançou-nos a exclamação/pergunta abafada: “ Já sabem da guerra!?” Ainda meio ensonadas, a questão deixou-nos atarantadas e a Rosália, agarrada à mudança de mão, ficou interdita uns segundos, a tentar perceber o que ouvira. Não sabíamos de guerra nenhuma, não tínhamos ouvido nada e não conseguíamos entender. À nossa volta , em todos os sentidos, a vida decorria normalmente. Então, decisão tomada de avançar para Anadia, atentas à estrada, nada de estranho se encontrou pelo caminho e já achávamos que a nossa colega tinha tido algum pesadelo ou não estava boa da cabeça, quando avistámos, à entrada da Escola, os alunos, amontoados à volta do automóvel de um Professor, ouviam rádio em silêncio, um rádio que não dava notícias, apenas música marcial. Tinha havido – informavam – um golpe de estado, não se sabia de que lado era, como se alguém fosse entendido em lados daqueles. Arrastámo-nos todos para as aulas com um peso e, ainda hoje, não percebo por que razão em Lisboa andou tudo na rua sem aulas nem nada, só manifs e nós estivemos na Escola a trabalhar normalmente… normalmente é como quem diz. O Director não apareceu, porque lhe deu um ataque cardíaco e teve que ser internado e, por pouco, nos livrámos de ter o MFA a tomar conta da Escola , mas, como gente inteligente, formámos a nossa Junta de Salvação particular e lá tivemos os nossos colegas – futura Comissão Executiva a tomar as rédeas e houve uma reunião e tivemos que ir a Águeda entregar a acta , não sei para quê e eu fui a secretária dessa acta e já nem sei por que motivo se realizou essa reunião… E ainda me lembro do Nuno, um rapaz de doze anos a chorar que nem uma Madalena, que não havia direito de terem humilhado o Marcelo Caetano daquela maneira e achei extraordinário que uma criança chorasse assim por essa razão e o Américo Tomás tinha vindo no início do ano inaugurar a Escola novinha em folha … mas os dia foram decorrendo normalmente… ou não, porque todas aquelas situações eram novas, mas nós também tínhamos acabado de sair da Universidade e tudo era novo para nós e éramos umas crianças muito novas para apreender aquilo tudo de repente… Não sei, depois foi a festa do 1º de Maio e depois aquelas reuniões pela noite dentro e depois aquelas filas interminavelmente pacientes das eleições, e penso que se respirava melhor… é isso, lembro-me que se respirava melhor…
E, quando se alude ao 25 de Abril, eu lembro-me dos cravos , mas isso veio depois, porque sempre e em qualquer momento, como um reflexo imediato, em primeiro lugar, vejo a Alice entrar no carro da Rosália , tudo o mais entrou na normalidade das nossas vidas.
Em ano e meio, essas mesmas vidas, até aí unidas por mil razões, seguiram cada uma seu rumo!

Tuesday, April 24, 2007

As tílias

O tédio adormece
mão encostada
à cabeça parada
à espera
desta máquina pachorrenta
em vagares de câmara lenta
a olhar pela janela...
As duas tílias guardiãs
do portão da entrada
bamboleiam os ramos
como duas irmãs
numa risota pegada...
A manhã passa
letárgica e mansa!

Sunday, April 22, 2007

Jasmim


Da noite estrelada
lua em quase
quarto crescente
nasceu a manhã
fulgente
e neste verão
recente
dos ramos mirrados
explodem rebentos
de verde limão.


do chão

brota o alecrim

e o ar perfumado

pela flor do jasmim.


nas hastes direitas,

o rosmaninho...

e uma cegonha,

em voo rasante,

desceu do ninho!

Saturday, April 21, 2007

Trovoada

rasgou-se o céu
em ânsias
de clarões erráticos
e gritos fantásticos,
o negro véu
esbarrondou-se
em água.

Wednesday, April 18, 2007

Noite

na terra repousada
a noite adormecia
à luz estremecida

trilava num canto
do escuro
uma cotovia.

Futebol

Em tardes de sol, ao domingo, perdia-se desde o Estádio Municipal de Coimbra, pelos quintais fora, o grito de " Briooooooooooooosa", entoado em "ós" cantantes e redondos com efeito de bola de futebol.
Descia-se da cozinha para o quintal, onde revejo a Mãe debruçada sobre o tanque. Pelo carreiro até à Rua dos Combatentes, aspirávamos o perfume doce das nêsperas que engordavam entre as folhas verdes e ásperas num apetite de colorido saboroso.
Aquele mar de gente, à saída do estádio, subia a rua em alegres disparates de vozes, se os jogadores de preto venciam aquelas batalhas amigáveis (?)... ou então deslocava-se em sussurro soturno que se esvaziava rua acima.
Nos quintais, enchia-se de perfume o tempo das nêsperas.

Tuesday, April 17, 2007

Aqui há prémio!!! THINKING BLOGGER AWARD







Este prémio tão bem pensante foi-me atribuído por Kaotica ( os links estão aí ao lado, façam o favor de espreitar!!!) e é, neste momento, que devo agradecer ainda mais publicamente a essa amiga esta distinção ( não posso pôr-me a choramingar senão ninguém consegue perceber o que digo, por isso, porto-me dignamente) - não sei como ela descobriu algum ( pequeno) valor nestas palavras singelas aqui lançadas num rompante, num desabafo, num momento de lembranças... e agradeço-lhe porque me desafiou a escrever no Conto Livre e está presente e luta pela Escola Pública e não tem medo de falar…
Avançando, que a Gala não pode esperar tanto tempo para continuar, agradeço a todos os que me visitam regularmente e àqueles que vão passar a visitar ( presunção minha, está bem de ver, mas sempre pode acontecer que alguém sinta curiosidade por um blogue com um prémio ou não?) e, de uma forma especial ( não agradeço ao cão e ao periquito porque não tenho animais cá em casa e não sei se perceberam que estes desvios servem um intuito claríssimo: esconder uma certa emoção... não se compara a um Óscar este prémio, mas, enfim, sempre é um prémio!!!) à Princesa, foi ela que me deu o primeiro empurrão para esta escrita e, em seguida, ao autor d’ O Sino da Aldeia, visita assídua e motivante com apoio e divulgação, por ser muito generoso…

Não sei como surgiu o prémio, mas sei que tenho agora uma tarefa complicada, a saber: distinguir cinco blogues ( parece que não posso devolver o prémio a quem mo deu, espero estar certa) que me façam pensar … enfim , de que eu goste muito, muito, muito… Então…

The THINKING BLOGGER AWARD goes to…

http://www.vareira.blogspot.com/

porque a vareira vive junto ao mar, em Espinho
porque a conheço há seis anos ( foi num fórum de um sindicato e andava eu a tactear os primeiros passos na Internet e enviei-lhe um postal de Manchester)
porque trocámos mensagens e ficámos amigas
porque fala da sua vida, da sua família, dos seus amigos, com emoção
porque sim

http://antero.wordpress.com/

porque “fala” com humor
porque o faz com inigualáveis “bonecos”
porque também


http://vozromazeira.blogspot.com/

porque traz da serra umas palavras saborosas
porque conhece poemas que entram coração dentro
porque escreve com sorrisos
porque sabe de uma romãzeira que fala
porque sim e sim


http://pomarao.blogspot.com/


porque é uma criança cheia de energia
porque gosta de escrever
porque é alegre
porque merece


e….

at last but not least

http://www.osinodaaldeia.blogspot.com/


porque dá lições de História encantadoras
porque fala de viagens e nos faz sonhar
porque está sempre em cima do acontecimento para nos avisar
porque encontra sempre tempo para nos visitar e incentivar
porque tem mais blogues ( cafés e de vinhos com cheirinho especial)
porque ouvimos música quando o encontramos
porque fala muitas línguas
porque , se alguém merece um Prémio, é ele…
-------------------
Nota: os premiados escolherão, se quiserem, claro que ainda estamos num país livre, cinco blogues para lhes atribuir este Prémio... Parabéns e ... boa sorte!

Monday, April 16, 2007

Uma lágrima ao canto do olho...

A tarde decorria normalmente, debaixo de uma calorzinho abafado e as nuvens em castelo a fazer levantar o nariz para cheirar a trovoada.

No Arquivo, num murmúrio de papéis antigos silenciosos e microfilmes, entre paredes de pedra, correu o tempo presente já passado num ápice e, de volta à rua, tudo parecia na maior das normalidades.

Direitinha a casa, aconchegada ao cantinho do computador, entrando na internet... imediatamente. Ver o correio para saber, em particular, se há novidades lá por Espanha que o meu coração anda perdido por Barcelona ( "doenças" que dão às pessoas!!!) e responder a todos , se for caso disso, enquanto se espreita alguma presença no "Skype" e/ou "Messenger" , hábitos recentes que são irreversíveis...


Depois, já mais calmamente, ir ao sítio do meu modesto blogue e deliciar-me com as visitas ( pouquíssimas , mas tão boas , tão saborosas que valem por mil) e os comentários sempre generosos ... para retribuir imediatamente as visitas... para, só depois, ainda mais devagarinho, dar uma voltinha pelos outros, umas vezes, por ordem alfabética, outras levada pela saudade, outras pela actualidade, outras pelas novidades na profissão, outras pelas notícias em forma de "bonecos" e muitas outras poqrue sim e pronto!!!


Hoje, fui aos comentários para começar as visitas ... arregalei os olhos muito arregalados para ler os comentários e retribuir e, de arregalados, senti perpassar por eles uma lágrima ao canto do olho, precisamente como diz a canção. E se não fossem estes amigos, estas visitas, estas palavras, que seria de mim? Que seria deste blogue? ... que começou por ser ( e ainda é) apenas e tão-só uma maneira ( mais uma) de estar ao lado da Princesa, dar-lhe notícias, contar-lhe histórias do passado, novidades, cantar-lhe em palavras o que me vai na alma... até que um dia, houve um Sino, ( tenho procurado recordar o momento, mas não sou capaz - ai esta memória!!!) que passou por aqui a tocar, a tocar e, a partir daí, abriram-se horizontes e os caminhos para outros sítios... , muitas vezes de forma Kaótica e que importa? com tanta , tanta sorte que só tenho encontrado gente boa...



Agora, desculpem todos os culpados desta emoção, vou ter que ir buscar um lenço ( já sei que Sagitário não chora - pouco!!!-, mas hoje é excepcional!!!) e culpados também, porque tenho que aprender como se faz bonito para atribuir prémios ( ah achavam que escapavam?)...

Sunday, April 15, 2007

Belmonte à vista


Era o Castelo de Belmonte
No cimo do monte
E a tuna a tocar a cantar
O acordeão a acompanhar
E o porco no espeto a rodar
A rodar e o vinho a escorregar
Nos ares um homem no parapente
Apareceu de repente
Vindo talvez de Videmonte
E toda a gente contente
A entoar os parabéns nesta data
Feliz e a malta desafinada
a gritar à desgarrada
e ao longe nuvens de trovoada
e eu no meio de tanta macieira
com a certeza de um murmurar
da voz serena de uma romãzeira…

Saturday, April 14, 2007

Postal


Calou-se a euforia da multidão e o chão recuperou o silêncio das pedras...



De palco magnífico para televisão, a Praça com a Sé Catedral transfomou-se em cenário para foto de casamento.
Acima do fundo de postal, o céu desmaia azul sobre a cena.

Friday, April 13, 2007

Paixões

No início da semana, um rapazinho dos seus onze anos abraçado a um livro conversava sobre livros e leituras e declarava , olhos brilhantes: " Isto é uma paixão!". Ele não sabe, mas estas palavras encheram o meu dia.


Esta manhã, uma menina procurava na net um sítio sobre chás nos tempos medievais e, sem perceber como, saltou-lhe aos olhos o nome de Sophia de Mello Breyner Andresen encimando o poema "As amoras"; imprimiu-o e levou-o para a aula para partilhar com os colegas que ficaram encantados e , encantada , deixo-o aqui:

O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.


Não tem mesmo nada a ver com este assunto, mas a Guarda hoje anda por aí a ferver de animação com a RTP a ocupar os espaços todos em volta da Sé e a transmitir em directo para o resto do mundo...

Thursday, April 12, 2007

Granizo na Guarda cerca das 18 horas










Espantos

Eu, se quiser confirmar que tenho certas habilitações literárias, agarro no meu certificado das mesmas e verifica-se que " Fulaninho de tal ( reponsável/chefe dos Seviços Administrativos da Universidade de ........) certifica que Fulaninha de tal ( eu própria) concluiu a Licenciatura de tal e coisa em tantos de tal com x valores..."
Simplex, não?

Espanta-me que outras pessoas só tenham para o comprovar um papelete com uma lista de disciplinas... Não sei em que país isso se passa, mas deve ser um país muito desorganizado!!!


Deve ser um país tão pobre , tão pobre que um governante muito importante(!!!) sujeitou-se na TV a explicar o que não tem explicação... E -dizem!!!- ficou bastante contente com o efeito...



Espanta-me , que querem? Também me espanto com qualquer cena!!!

Wednesday, April 11, 2007

Interrogações

Em Timor, que dança das cadeiras anda por lá a organizar-se?


Corre pelo mundo um êxito musical de nome UUUUUU... Mas aquilo tem algum jeito?


Rumoreja-se que as licenciaturas da Universidade Independente de um certo ano é que são boas... Mas porquê, ganha-se mais? Ou , como os vinhos, têm anos com colheitas melhores que outras?



E não acontece nada? Só isto?

Monday, April 09, 2007

Cerejeiras em flor


Não sei se é Páscoa se é Natal. Ando confusa com este tempo cheio de água e neve e granizo e frio e lareiras acesas por todo o lado, enquanto as cerejeiras se enchem de vaidade florida contra o ambiente gelado. Animada ando sempre entre o borrego assado no forno e um arroz doce fora de série , daqueles que fazem chorar por mais de ontem em Aldeia Viçosa com a família por afinidade ( o vinho do Douro, Quinta de Mazouco) e a canja magnífica de hoje, no Colmeal da Torre, seguida de um arroz de marisco à maneira, do cabrito assado no forno e mais uma galinha do campo e sobremesas de fazer crescer água na boca…regado com um vinho do Dão, Vinha.Paz…e a lareira sempre acesa…
Quer-me parecer que isto não pode continuar assim e amanhã voltamos ao trabalhinho…mas estes momentos já ninguém mos pode roubar…

Thursday, April 05, 2007

Miragem

a lua

esquiva

ladina

cheia

candeia
na noite escura…




amanhece
em bailarinos
fugidios
vadios
flocos
loucos
no dia
que arrefece.

Saturday, March 31, 2007

Ementa




Arroz de lampreia
para quem aprecia a ideia
lulas e robalo
escalado
grelhado
tudo regado
a verde da região
e conversas de ocasião…

em fundo de postal
os moinhos e o mar
de profundo cinzento
e agreste o vento
a soprar…



Tuesday, March 27, 2007

Pôr-do-sol hoje


Corre um rumor
de neve
vindo da serra...
um esplendor
de fogo
mergulha na terra...

Monday, March 26, 2007

Lembranças...


Há seis anos, andávamos nós a passear por York. No dia anterior, mudara a hora, mas só demos conta vinte e quatro horas depois. Nós bem sentíamos que andávamos um bocado lentas em relação às outras pessoas: queríamos almoçar, quando os outros já lanchavam, depois de um belo passeio por um grande parque com patos que teimavam em ficar nas fotos todos contentes, lanchámos à hora de jantar e, quando quisemos jantar, encontrámos os restaurantes fechados e achámos que, como era domingo ( de Páscoa) tudo se tinha recolhido cedo, porque , no dia seguinte era dia de trabalho. Nem o facto de já ter passado a "happy hour" no Bar do costume, nos fez reflectir sobre a questão das horas. É o que dá andar de passeata longe das preocupações, das notícias, quase fora do circuito normal do mundo... Valeu o telefonema da manhã de segunda à hora já regulada para não perdermos o autocarro para York ( ou foi para Liverpool???) ... Ontem, andei à hora exacta ( a chamada hora de verão), mas não passeei pelo Parque em Manchester com os patos atrás de nós para ficar nas fotos. Estive apenas na Praça Maior, em Ciudad Rodrigo, numa esplanada e parecia Verão.

Saturday, March 24, 2007

Dança da hora


Sem mais comentários que hoje só tenho os sentidos despertos para a Primavera!

Friday, March 23, 2007

Papéis

Ando
de cabeça
perdida
amachucada
com papéis...
e a vida
apressada
em passos
cruéis
a correr
lá fora
sem esperar
por mim,
arquivada
entre o inútil
e o vazio...

Monday, March 19, 2007

Pequeno conto em que entra um Pai

Lá por 1942, a tia Conceição do Outeiro ( S. Tomé de Covelas- Baião) perguntava ao Manuelzinho de Vinhozinhos, rapagão dos seus dezanove anos, negociante de castanha, por que razão permitia ao irmão mais novo ir namoriscar, se ele é que estava em idade de namorar. A resposta foi rápida e breve: - Estou à espera da sua filha!
A filha da tia Conceição, rapariguinha dos seus doze-treze anos, mexia, indiferente, nas brasas da lareira... A Mãe riu a bom rir.
Oito anos depois, por um frio mês de Fevereiro, a rapariguinha casava com o rapagão... ! Ela é a minha Mãe e ele , o meu Pai!!!
Quando lhe telefonei hoje, à hora do almoço, percebia- se apenas a alegria de ter a tal rapariguinha ao seu lado e de lhe chamarem Pai!!!

Saturday, March 17, 2007

Flagrantes

A mãe desce a rua , com a filha pequena pela mão.

Uma mulher passeia com o cão enorme.

De mochila às costas, o turista caminha em direcção à porta da Sé.

O rapaz volta-se e lança com o olhar um piropo extasiado à jovem que passou, com o umbigo à mostra.

Na Praça, duas garotas andam de patins em linha.

As zonas de peões continuam a ser ruas com trânsito incessante, autorizadas umas, outras proibidas, onde condutores passeiam entre os obstáculos como se de uma gincana se tratasse.

(Des)constroem-se rotundas lá mais abaixo.

Passa um calmo desassossego de Primavera pelo jardim.

Sunday, March 11, 2007

Primavera


Espelham-se
nos lagos
menores
as folhas
branquíssimas
pequeníssimas
dos agriões
e meruges

as urzes
brilham
nos montes
lilases

vivazes
as mimosas
frondosas
amarelas
de flores

as cores
dos malmequeres
minúsculos
pontículos
vibrantes

exuberantes
de rosa
vestidos
na calma
da tarde
os pessegueiros…

Thursday, March 08, 2007

Torre de Menagem


O Sol
atravessa
a aragem
fresca
no azul
puro
onde se acolhe
a torre
de menagem
colagem
de outrora
em tempos
de agora.

Tuesday, March 06, 2007

Manhã

Manhã
de andar
barata
tonta
patarata
escada
acima
abaixo...

a chuva
pronta
desce
a calçada
empedrada
de tristeza...

a manhã
arrastada
sem sentido
perdido
o tino
entre palavras
à toa
soa
sem tom
nem som
por entre
os dedos
escorregadios
de um tempo
sem volta...

a manhã
desliza
devagar...

Sunday, March 04, 2007

4 de Março



A primeira vez que a vi estava ela, morena e linda, muito pequena ( continua morena e linda , mas nada pequena) nos braços da minha/nossa Mãe... ( Depois, passámos a andar lado a lado, nas fotos e tudo!!!) Eu , encantada!!! Ai há tantos anos ... e, em sua honra, republico o post do ano passado, mesmo dia e mês, evidentemente!




Hoje é o dia em que, todos os anos, mesmo depois de tanto ( ou tão pouco?) tempo, recordo sempre com uma ternura intensa aquele rosto moreninho entre lençóis brancos e, como num clique, vêm à memória imagens e momentos de uma vida!!! … uma praia imensa, só para nós, de Verão e de Inverno, numa baía em forma de concha que vim, mais tarde, encontrar, com espanto, nos livros de Geografia… um livro pequenino, fininho, maneirinho que ainda hoje possuímos que falava da vida do José do Egipto e de sonhos, muitos sonhos misteriosos, .. as fugas para ver a Amália cantar o fado numa televisão, a preto e branco, outro objecto encantado na época, que até se via perfeitamente uma mosca passear no xaile da fadista, …a mudança da praia para a terra, no interior junto ao Douro, gelada, no Inverno de neves abundantes e com um pão de sabor estranho, e de laranjas doces no Verão ardente , … as cambalhotas no ferro do portão da D. Emilinha, …o nascimento da mana mais nova, outro mistério cheio de silêncios e deslumbramentos, … e outra mudança e novas vivências … tantas mudanças e lembranças e vivências diferentes que devíamos ter ficado traumatizadinhas de todo, à luz das psicologias actuais, e nada , cá andamos inteiras por estas andanças da vida… até sobrevivemos aos exames ( alguns até repetidos pela morenita, devido à esperteza de jovens “ inteligentes” de esperteza saloia , por casualidade da terra onde agora vivo, que roubaram e venderam uns tantos exames) e – concluo, por hoje, estes “ recuerdos” com esta nota pitoresca que o dia tem tido o céu bastante cinzento e de “cinzentura” chega - … recordando aquela noite de piquenique de suspiros grandes lindos e dulcíssimos em que nos embebedámos de risadas abafadas e de chá sem açúcar …Ah! Também ninguém acredita – como a memória é curta e o tempo passa depressa ou vice-versa!!! – que este dia foi já feriado nacional para comemorar a data de nascimento do Infante D. Henrique , o da Ínclita Geração …



Hoje, como há um ano, floresceu, num vaso da varanda, o primeiro narciso marelo...

Friday, March 02, 2007

Progresso




Um dia destes, as pessoas já se esqueceram das árvores...


como se esqueceram das quintas, das casas, dos tanques cheios de água, dos muros, das paredes, das vidas que entre eles habitaram...


um dia destes, vão crer que nunca habitou aquele espaço nada a não ser um Fórum cheio de lojas, cafés, estacionamentos, cinemas ( espero, o que já não seria nada mau!!!)


um dia destes, quando se estiver naquele lugar, será como se ninguém antes tivesse passado por ali...


é o Progresso....


e das árvores não rezará nenhuma história...

Tuesday, February 27, 2007

Troncos mortos

Tinha ficado de pé aí um metro do tronco das árvores... Esta tarde, andavam a cortar o resto... Ainda não percebi por que carga de água é a Protecção Civil ou alguém com esses dizeres nas"etiquetas" das fatiotas de trabalho que anda a fazer esse lindo trabalho... E o dia passeava-se tão bonito por estas bandas ...

Monday, February 26, 2007

Querem apagar a minha vida

Estou assim um bocado aparvalhada. Pensei que só Estaline e outros companheiros apagavam as pessoas das fotos, quando não lhes convinha por variadíssimas razões aparecer junto delas para a posteridade, e ponho-me a ler a segunda versão do projecto de diploma regulamentar para acesso à categoria de professor titular, como quem não tem mesmo mais que fazer. E descobri, a manter-se esta versão ou equivalente, que - não é que me interesse ser titular muito especialmente, o que queria, na verdade, não era bem isso: agora só queria que , daqui por dois, quatro anos no máximo me deixassem reformar e mais nada - antes de 1999, e recuando até 1973, não vivi profissionalmente. Nada conta do que se passou nesses anos, nem a passagem pelo Conselho Directivo, nem pelo Conselho Pedagógico anos e anos como Delegada de Disciplina, nem como Directora de Turma... Nem conta nenhuma actividade que dinamizei e em que colaborei - e claro que não estou sozinha, outros trabalharam muito mais que eu - ( Visitas de Estudo, Feiras do Livro, Exposições, publicação do jornal, publicação de um livro de textos e poemas dos alunos - para o qual andei a pedinchar o dinheirinho de porta em porta como uma triste e "pobre de pedir"- Encontros com Escritores ( noutro dia, vi-me tão antiga que ainda me lembro de ver lá na Escola a Odette de Saint-Maurice !!!), o Dia do Francês com cantorias e danças e já nem me lembro do resto... Nem conta cada ano em que nem dei uma única falta ... Só contam os anos, em que as mazelas começam a carunchar e uma pessoa se vê obrigada a ir ao médico , a andar em exames de vigilância e prevenção, ou com viroses incompreensíveis, mas terríveis, e gripes ou afonias completas, quer dizer , em que não digo nem pio...
Conclusão: querem pura e simplesmente apagar a minha vida profissional de uma penada... e, se calhar, como crêem que já ando muito motivada, ainda querem humilhar-me mais e fazer-me crer a mim que nunca fiz nada e que não valho nada... mas estão enganados, porque a minha consciência do trabalho com os meus alunos vale mais que um cargo estupidamente chamado titular e, embora me apeteça chorar de raiva, não o vou fazer... o desprezo é o melhor, já que a luta de pouco valeu...


Esta tarde, fui a pé até ao Arquivo Distrital, via Avenida dos Bombeiros. À vinda, após as Portas do Sol, nem queria acreditar e fiquei ainda mais aparvalhada do que já ando ultimamente: cortaram todas as árvores da Avenida. É a preparação para as obras de um certo Fórum ( cuja abertura está anunciada para a Primavera de 2008)... começam bem!!! ( Não trazia a máquina fotográfica comigo!!!)

Friday, February 23, 2007

Dia quatro- diário de viagem, em traços largos




Sol ainda
Pequeno almoço como sempre, antes de nos abalançarmos por aquelas ruas fora, passando pelo Palau da Música Catalã, deambulando um pouco ao acaso por aqui e por ali para irmos almoçar na Cervejaria Catalã, onde os “montaditos” e as “tapas” saltam aos olhos, lindas e coloridas e nos põem apenas uma dificuldade – escolher. Para não ficarmos com muita pena, jantámos também lá, cansados ou já saudosos.
Pela tarde, bebemos um gole de água na Fonte de Canaletes ( diz uma lenda que, quem beber água desta fonte voltará, com certeza, a Barcelona) e sentámo-nos nos bancos a apreciar o vai e vem das pessoas num ciclo não-interrompido (em alguma hora do dia ou da noite haverá uma interrupção desta afluência de gente?) . Cirandámos por ali a ver umas montras, via Igreja de Santa Ana, Igreja del Pi ( a pequena praça desenvolveu-se à volta de um pinheiro) , Praça Real ( que não é a Praça do Rei) e abancámos frente a um chá e a um chocolate quente que os pés já se recusavam a andar mais…a deixar fluir as conversas sem tempo nem medida, até que, via telemóvel, quais autênticos catalães, marcámos encontro um pouco abaixo do bar Zurique, Praça da Catalunha… para jantar.

Separámo-nos no Passeio de Gràcia, uma, a quatro quadrículas dali, os outros, descendo até à Praça da Catalunha, a outras tantas quadrículas da Praça Urquinaona, a meia dúzia de passos do “Hostal”. Como, desta vez, nos recolhíamos mais cedo, não encontrámos, embrulhado num saco-cama, um indivíduo, a dormir, no cubículo da caixa automática.



O dia seguinte amanheceu com ar de regresso a casa…depois de um pequeno almoço com troca de recomendações…



Um dia destes, quando alguém marcar encontro em frente ao bar Zurique , na Praça da Catalunha, portem-se como verdadeiros catalães, habitantes de Barcelona.


Apareçam! Estarão à vossa espera……

Thursday, February 22, 2007

Dia três... diário em traços largos





Mensagem de dia de sol, via telemóvel, o que nos abria o apetite para ir até ao Parque da Cidadela, passear, passear, sem pensar muito, deixar correr os passos e os pensamentos e as conversas até à Barceloneta, juntinho ao mar com umas ondinhas estranhamente suficientes para uns tantos se dedicarem ao surf, Montjuic ao longe, mais ao lado, o Colombo com o braço esticado e as pernas a pedir repouso e o restaurante que procurávamos fechado e as voltas e voltinhas e o resto do dia sem grande história que nem a cabeça consegue processar tanta informação junta nem as pernas tantos passos que parece que não se dão mas caminham-se … ah passámos ainda junto às fachadas todas ( antigas , modernas e moderníssimas, construídas no tempo do Gaudí e depois ao longo das décadas e continuarão durante sabe-se lá quanto tempo) da Igreja da Sagrada Família, mas os guindastes, os ruídos e o pó tiram a beleza toda ao mo(nu)mento…

Conhecemos a celebérrima janela de um certo quarto, janela numa casa com varanda que dá para uns terraços, isto a quatro quadrículas ( aquela zona de Barcelona, em tempos , século XIX, foi planificada, segundo o Plano Cerda e construíram-se conjuntos de casas formando quadrículas uniformes sobre o terreno) da Praça Catalunha…

Dia dois – Domingo


Dia bonito para se passear no Parc Guell ( que o senhor Guell encomendou ao senhor Gaudí) . Não sabia eu que aquela subida íngreme a partir do metro que eu fizera “com uma perna às costas” me ia mostrar que eu tenho músculos em sítios incríveis e que eu jamais me apercebera deles.. Grande Parque para passear , mas , com tanta gente de todos os lados, muitos do nosso rectângulo, uma pessoa até fica cansada.
Vista da Cidade que se alonga até ao mar, com imensas pináculos de igrejas e catedrais e Casa-Museu Gaudí e passagem rápida pelas “casas dos strumpfes” ( que está visto que não se chamam assim) e descida até ao Centro para descansar pernas e processar tanta informação vista in loco e lida no nosso livrinho-guia e retemperar forças no “Els Fanals”, restaurante calmíssimo que era do que estávamos mesmo a precisar…
Ramblas again, com as gentes, os pássaros, as flores e desvio para a zona da Cidade Velha. Da Catedral em obras ( pedia-se um donativo obrigatório de 4 euros por isso, passámos ao largo) pela rua estreita até à praça da Generalitat e zona do Born pela rua da Argentería até à célebre ( pelo livro) Catedral do Mar, onde se voltou mais à noitinha, a porta já aberta e aqueles arcos altíssimos, iluminados fazendo-nos ascender a um lugar mais alto pelo trabalho ali realizado por aqueles homens do século XIV.
Foi então que descobrimos as “ Tapas del Born” que abriam essa noite, ofereciam champanhe e eram simpaticíssimos , de tal modo que voltámos na noite seguinte, lembravam-se de nós e trataram-nos duplamente bem e onde a Princesa se nos juntou vinda da sua aula de Catalão. Mas antes, ainda se tinha divagado pelo Born até ao Arco do Triunfo, caminhando, caminhando, caminhando…conversando…conversando…conversando…
Após o jantar, reencontro em frente ao bar Zurique, Praça da Catalunha como não podia deixar de ser, para uma “copa” no bairro Raval, num bar-livraria ( livraria para se ler , não para vender no caso), perto daquele onde supostamente se escrevia um romance na noite anterior.

Diário de Viagem - Barcelona, dia um





Da janela do comboio, a terra sedenta e gulosa acabava por ficar alagada e lamacenta, debaixo da chuva imparável. Tudo calmo na viagem de avião. À espera, uma multidão (claro exagero) , embora a presença da Princesa parecesse como se aquela multidão toda estivesse ali por nossa causa.
Comecei a ler “A Catedral do Mar” e fui transportada a tempos muito antigos, violentos de uma injustiça atroz.
Primeiro dia
Chovia.
A largueza dos passeios e das ruas e a grandeza dos prédios, deixavam, com facilidade entrar a luz ferrugenta do dia . De nariz no ar, mirava as varandas de ferro, as fachadas todas vistosas. As imensas escadarias , mais ou menos, imponentes levavam-me a ver a Rebeca de Winter a descer, muito elegante, até ao salão.
Para enganar a chuva, enfiámo-nos, em boa hora, na Casa Batló ( que o senhor Batló pediu a António Gaudí para construir ) e a surpresa da poesia sem palavras: a conjugação do trabalho original do vidro, do ferro, do azulejo, da luz, muita luz, a luz e o ar presentes até nos sótãos-lavandarias fez esquecer a humidade e andámos ali a divagar pelas salas, encantados… Ainda demos uma vista de olhos pela Casa Milà, mas eram horas de atacar umas “tapas” para socorrer o estômago…
Deixou de chover.
Do Passeio de Gràcia até à Praça Catalunha e as Ramblas … em frente ao bar Zurique, na larga passadeira de peões, mal abria o sinal verde, assistia-se à contradança de uns bailarinos inconscientes do seu papel. E gente, sempre muita gente, e cor, muita cor na Boquería e mais gente, muita gente até à estátua de Colombo, lá do alto com o dedo a apontar em direcção a um qualquer destino por descobrir… um homem com tanta nacionalidade por saber.
Os pés moídos acalmaram à mesa do restaurante “ Julivert Meu” diante da refeição da noite e de um belo Rioja. Acabou-se a noite num bar do bairro Raval ( diz-se com b) , servidos por um jovem magrinho, de óculos e ar intelectuais que não parava de escrever num bloquinho, o qual continuou a ser escrito pelo colega que o rendeu e imaginou-se que estariam a criar um romance a dois e que o capítulo desse dia poderia muito bem ter começado assim: “ Entraram três figurinhas pelo bar dentro, sentaram-se a uma mesa e pediram três copos de vinho…”


Wednesday, February 14, 2007

Tempestade e bonança

Caiu a chuva
embrulhada
em ar violento

ensopou
a terra

as nuvens
emigraram
além-fronteiras
estrangeiras
imaginárias

deixaram
farfalhos
suspeitos
sujeitos
ao sabor
dos ventos
pensamentos
dispersos

ideias fugidias
fantasias
encantadas
plasmadas
nos céus
entretanto
enxutos
impolutos
apagadas
as pinceladas
de branco...

Sunday, February 11, 2007

Recado ao sobrinho mais querido do mundo

Estás um Homem, pareces um príncipe. Para te dar um beijo, temos que nos pôr em bicos de pés e tu tens que descer da tua altura impossível para nos abraçares. E ainda ontem ( o teu avô P. confidenciou mais que uma vez que o tempo passa muito depressa e a cada dia que vivemos acreditamos mais nele!!!) eras tão pequenino, dentro de uns fatinhos pequenos, mãozinhas pequeninas, carinha pequenina e uma boquinha linda ( eu adoro as mãozinhas e as boquinhas dos bebés) e anda por aí num álbum uma foto da tua prima, deliciada a espreitar para dentro dos cobertores, num gesto de carinho inexcedível e tudo à tua volta numa festa. Mais tarde, nas fotos já andas e brincas na areia da praia e, algum tempo depois, por alturas da "perestroika" ( uma graça que só nós entendemos) , passeámos por essas praias ( entre S. Martinho do Porto e a Praia do Salgado) que nos ficaram à tua Mãe e a mim gravadas da nossa infância e que são , agora, para ti e para a tua prima um marco da vossa e as fotos desse tempo mostram-vos crianças alegres e felizes , o que nos transporta para dias sem nuvens e esse tempo parecia não ter princípio nem fim. Agora, o menino cresceu e a tua vida voa entre o final dos estudos e a tua banda. Só quero que a tua Estrela e a Energia Superior que comanda as nossas vidas te indique sempre o melhor caminho, que o dia em que a tua vida entrou na nossa foi uma festa. Há um ano escrevi-o por aqui e sempre o repito neste dia e di-lo-ei até a memória me falhar: logo depois de nasceres, duas pessoas dançaram no corredor do Hospital e foi em honra da tua Mãe e por ti!!!
Parabéns!

Thursday, February 08, 2007

Azul

Esborrachada
contra a vidraça
a chuva estrelada
fustigada a vento
caía ...
mansamente
devagarzinho
a manhã clareou
e o céu azulou.

Tuesday, February 06, 2007

Praça Luís de Camões vulgo Praça Velha ( Guarda)III




As manilhas de esgoto, porque eram provisórias, foram retiradas, para pena de algumas pessoas que as adoravam . Foram, há dias, colocados estes tubos, que também dizem ser provisórios… ( isto porque ninguém quis, atempadamente, assumir que ia ficar um corredor para trânsito e não quiseram colocar árvores a separar as duas zonas, que , eventualmente , é o que irá acontecer). Isto são pensamentos meus a falar a meia voz com os meus botõezitos...
As crianças ( que eu já vi…) vão ter um local para se dedicarem aos malabarismos….e equilíbrios…onde, no Verão passado jogaram futebol em plano inclinado!!! Mas não liguem... São mesmo pensamentos meus com os meus botões que se fartam de magicar... Mas nem deviam, que não são arquitectos nem nada que se pareça... quer dizer nem os botões nem eu... Mas, enfim, dá-me para estes solilóquios... a certas horas após o jantar, quando o frio corre lá fora e a lareira embota as ideias de tão amodorradas que se sentem a olhar para as labaredas mágicas do fogo!!!

Praça Luís de Camões vulgo Praça Velha ( Guarda)II


Praça Velha “vestida” com relva sintética para o Verão de 2006, dando razão à opinião de algumas pessoas que achavam que a Praça devia ter relva…para amenizar o frio do granito.
As manilhas de esgoto com terra e arvorezinhas dentro "embelezavam" o recinto.

No Inverno, em manhãs de geada, parece mais uma pista de gelo…para peões e automóveis...

Praça Luís de Camões vulgo Praça Velha ( Guarda)


Praça Velha , antes das obras
de requalificação







Praça Velha depois das obras, com o “remendo” dos canteiros improvisados, porque ninguém percebeu que, de certos ângulos, o desnível não era apercebido pelos peões …
E, como se compreendeu depois, mantinha-se afinal um corredor para os automóveis, à direita, e foi necessário separar esta zona da de peões... com umas belíssimas manilhas de esgoto com terra dentro e árvores...

Friday, February 02, 2007

Escultura


A geada

chegou mansinha

pela madrugada,

arrimou-se

ao tronco gelado;

o nevoeiro

aconchegou

o arbóreo corpo

em branco manto

e esculpiu-lhe

as formas gélidas.