Sunday, April 15, 2007

Belmonte à vista


Era o Castelo de Belmonte
No cimo do monte
E a tuna a tocar a cantar
O acordeão a acompanhar
E o porco no espeto a rodar
A rodar e o vinho a escorregar
Nos ares um homem no parapente
Apareceu de repente
Vindo talvez de Videmonte
E toda a gente contente
A entoar os parabéns nesta data
Feliz e a malta desafinada
a gritar à desgarrada
e ao longe nuvens de trovoada
e eu no meio de tanta macieira
com a certeza de um murmurar
da voz serena de uma romãzeira…

Saturday, April 14, 2007

Postal


Calou-se a euforia da multidão e o chão recuperou o silêncio das pedras...



De palco magnífico para televisão, a Praça com a Sé Catedral transfomou-se em cenário para foto de casamento.
Acima do fundo de postal, o céu desmaia azul sobre a cena.

Friday, April 13, 2007

Paixões

No início da semana, um rapazinho dos seus onze anos abraçado a um livro conversava sobre livros e leituras e declarava , olhos brilhantes: " Isto é uma paixão!". Ele não sabe, mas estas palavras encheram o meu dia.


Esta manhã, uma menina procurava na net um sítio sobre chás nos tempos medievais e, sem perceber como, saltou-lhe aos olhos o nome de Sophia de Mello Breyner Andresen encimando o poema "As amoras"; imprimiu-o e levou-o para a aula para partilhar com os colegas que ficaram encantados e , encantada , deixo-o aqui:

O meu país sabe as amoras bravas
no verão.
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.


Não tem mesmo nada a ver com este assunto, mas a Guarda hoje anda por aí a ferver de animação com a RTP a ocupar os espaços todos em volta da Sé e a transmitir em directo para o resto do mundo...

Thursday, April 12, 2007

Granizo na Guarda cerca das 18 horas










Espantos

Eu, se quiser confirmar que tenho certas habilitações literárias, agarro no meu certificado das mesmas e verifica-se que " Fulaninho de tal ( reponsável/chefe dos Seviços Administrativos da Universidade de ........) certifica que Fulaninha de tal ( eu própria) concluiu a Licenciatura de tal e coisa em tantos de tal com x valores..."
Simplex, não?

Espanta-me que outras pessoas só tenham para o comprovar um papelete com uma lista de disciplinas... Não sei em que país isso se passa, mas deve ser um país muito desorganizado!!!


Deve ser um país tão pobre , tão pobre que um governante muito importante(!!!) sujeitou-se na TV a explicar o que não tem explicação... E -dizem!!!- ficou bastante contente com o efeito...



Espanta-me , que querem? Também me espanto com qualquer cena!!!

Wednesday, April 11, 2007

Interrogações

Em Timor, que dança das cadeiras anda por lá a organizar-se?


Corre pelo mundo um êxito musical de nome UUUUUU... Mas aquilo tem algum jeito?


Rumoreja-se que as licenciaturas da Universidade Independente de um certo ano é que são boas... Mas porquê, ganha-se mais? Ou , como os vinhos, têm anos com colheitas melhores que outras?



E não acontece nada? Só isto?

Monday, April 09, 2007

Cerejeiras em flor


Não sei se é Páscoa se é Natal. Ando confusa com este tempo cheio de água e neve e granizo e frio e lareiras acesas por todo o lado, enquanto as cerejeiras se enchem de vaidade florida contra o ambiente gelado. Animada ando sempre entre o borrego assado no forno e um arroz doce fora de série , daqueles que fazem chorar por mais de ontem em Aldeia Viçosa com a família por afinidade ( o vinho do Douro, Quinta de Mazouco) e a canja magnífica de hoje, no Colmeal da Torre, seguida de um arroz de marisco à maneira, do cabrito assado no forno e mais uma galinha do campo e sobremesas de fazer crescer água na boca…regado com um vinho do Dão, Vinha.Paz…e a lareira sempre acesa…
Quer-me parecer que isto não pode continuar assim e amanhã voltamos ao trabalhinho…mas estes momentos já ninguém mos pode roubar…

Thursday, April 05, 2007

Miragem

a lua

esquiva

ladina

cheia

candeia
na noite escura…




amanhece
em bailarinos
fugidios
vadios
flocos
loucos
no dia
que arrefece.

Saturday, March 31, 2007

Ementa




Arroz de lampreia
para quem aprecia a ideia
lulas e robalo
escalado
grelhado
tudo regado
a verde da região
e conversas de ocasião…

em fundo de postal
os moinhos e o mar
de profundo cinzento
e agreste o vento
a soprar…



Tuesday, March 27, 2007

Pôr-do-sol hoje


Corre um rumor
de neve
vindo da serra...
um esplendor
de fogo
mergulha na terra...

Monday, March 26, 2007

Lembranças...


Há seis anos, andávamos nós a passear por York. No dia anterior, mudara a hora, mas só demos conta vinte e quatro horas depois. Nós bem sentíamos que andávamos um bocado lentas em relação às outras pessoas: queríamos almoçar, quando os outros já lanchavam, depois de um belo passeio por um grande parque com patos que teimavam em ficar nas fotos todos contentes, lanchámos à hora de jantar e, quando quisemos jantar, encontrámos os restaurantes fechados e achámos que, como era domingo ( de Páscoa) tudo se tinha recolhido cedo, porque , no dia seguinte era dia de trabalho. Nem o facto de já ter passado a "happy hour" no Bar do costume, nos fez reflectir sobre a questão das horas. É o que dá andar de passeata longe das preocupações, das notícias, quase fora do circuito normal do mundo... Valeu o telefonema da manhã de segunda à hora já regulada para não perdermos o autocarro para York ( ou foi para Liverpool???) ... Ontem, andei à hora exacta ( a chamada hora de verão), mas não passeei pelo Parque em Manchester com os patos atrás de nós para ficar nas fotos. Estive apenas na Praça Maior, em Ciudad Rodrigo, numa esplanada e parecia Verão.

Saturday, March 24, 2007

Dança da hora


Sem mais comentários que hoje só tenho os sentidos despertos para a Primavera!

Friday, March 23, 2007

Papéis

Ando
de cabeça
perdida
amachucada
com papéis...
e a vida
apressada
em passos
cruéis
a correr
lá fora
sem esperar
por mim,
arquivada
entre o inútil
e o vazio...

Monday, March 19, 2007

Pequeno conto em que entra um Pai

Lá por 1942, a tia Conceição do Outeiro ( S. Tomé de Covelas- Baião) perguntava ao Manuelzinho de Vinhozinhos, rapagão dos seus dezanove anos, negociante de castanha, por que razão permitia ao irmão mais novo ir namoriscar, se ele é que estava em idade de namorar. A resposta foi rápida e breve: - Estou à espera da sua filha!
A filha da tia Conceição, rapariguinha dos seus doze-treze anos, mexia, indiferente, nas brasas da lareira... A Mãe riu a bom rir.
Oito anos depois, por um frio mês de Fevereiro, a rapariguinha casava com o rapagão... ! Ela é a minha Mãe e ele , o meu Pai!!!
Quando lhe telefonei hoje, à hora do almoço, percebia- se apenas a alegria de ter a tal rapariguinha ao seu lado e de lhe chamarem Pai!!!

Saturday, March 17, 2007

Flagrantes

A mãe desce a rua , com a filha pequena pela mão.

Uma mulher passeia com o cão enorme.

De mochila às costas, o turista caminha em direcção à porta da Sé.

O rapaz volta-se e lança com o olhar um piropo extasiado à jovem que passou, com o umbigo à mostra.

Na Praça, duas garotas andam de patins em linha.

As zonas de peões continuam a ser ruas com trânsito incessante, autorizadas umas, outras proibidas, onde condutores passeiam entre os obstáculos como se de uma gincana se tratasse.

(Des)constroem-se rotundas lá mais abaixo.

Passa um calmo desassossego de Primavera pelo jardim.

Sunday, March 11, 2007

Primavera


Espelham-se
nos lagos
menores
as folhas
branquíssimas
pequeníssimas
dos agriões
e meruges

as urzes
brilham
nos montes
lilases

vivazes
as mimosas
frondosas
amarelas
de flores

as cores
dos malmequeres
minúsculos
pontículos
vibrantes

exuberantes
de rosa
vestidos
na calma
da tarde
os pessegueiros…

Thursday, March 08, 2007

Torre de Menagem


O Sol
atravessa
a aragem
fresca
no azul
puro
onde se acolhe
a torre
de menagem
colagem
de outrora
em tempos
de agora.

Tuesday, March 06, 2007

Manhã

Manhã
de andar
barata
tonta
patarata
escada
acima
abaixo...

a chuva
pronta
desce
a calçada
empedrada
de tristeza...

a manhã
arrastada
sem sentido
perdido
o tino
entre palavras
à toa
soa
sem tom
nem som
por entre
os dedos
escorregadios
de um tempo
sem volta...

a manhã
desliza
devagar...

Sunday, March 04, 2007

4 de Março



A primeira vez que a vi estava ela, morena e linda, muito pequena ( continua morena e linda , mas nada pequena) nos braços da minha/nossa Mãe... ( Depois, passámos a andar lado a lado, nas fotos e tudo!!!) Eu , encantada!!! Ai há tantos anos ... e, em sua honra, republico o post do ano passado, mesmo dia e mês, evidentemente!




Hoje é o dia em que, todos os anos, mesmo depois de tanto ( ou tão pouco?) tempo, recordo sempre com uma ternura intensa aquele rosto moreninho entre lençóis brancos e, como num clique, vêm à memória imagens e momentos de uma vida!!! … uma praia imensa, só para nós, de Verão e de Inverno, numa baía em forma de concha que vim, mais tarde, encontrar, com espanto, nos livros de Geografia… um livro pequenino, fininho, maneirinho que ainda hoje possuímos que falava da vida do José do Egipto e de sonhos, muitos sonhos misteriosos, .. as fugas para ver a Amália cantar o fado numa televisão, a preto e branco, outro objecto encantado na época, que até se via perfeitamente uma mosca passear no xaile da fadista, …a mudança da praia para a terra, no interior junto ao Douro, gelada, no Inverno de neves abundantes e com um pão de sabor estranho, e de laranjas doces no Verão ardente , … as cambalhotas no ferro do portão da D. Emilinha, …o nascimento da mana mais nova, outro mistério cheio de silêncios e deslumbramentos, … e outra mudança e novas vivências … tantas mudanças e lembranças e vivências diferentes que devíamos ter ficado traumatizadinhas de todo, à luz das psicologias actuais, e nada , cá andamos inteiras por estas andanças da vida… até sobrevivemos aos exames ( alguns até repetidos pela morenita, devido à esperteza de jovens “ inteligentes” de esperteza saloia , por casualidade da terra onde agora vivo, que roubaram e venderam uns tantos exames) e – concluo, por hoje, estes “ recuerdos” com esta nota pitoresca que o dia tem tido o céu bastante cinzento e de “cinzentura” chega - … recordando aquela noite de piquenique de suspiros grandes lindos e dulcíssimos em que nos embebedámos de risadas abafadas e de chá sem açúcar …Ah! Também ninguém acredita – como a memória é curta e o tempo passa depressa ou vice-versa!!! – que este dia foi já feriado nacional para comemorar a data de nascimento do Infante D. Henrique , o da Ínclita Geração …



Hoje, como há um ano, floresceu, num vaso da varanda, o primeiro narciso marelo...

Friday, March 02, 2007

Progresso




Um dia destes, as pessoas já se esqueceram das árvores...


como se esqueceram das quintas, das casas, dos tanques cheios de água, dos muros, das paredes, das vidas que entre eles habitaram...


um dia destes, vão crer que nunca habitou aquele espaço nada a não ser um Fórum cheio de lojas, cafés, estacionamentos, cinemas ( espero, o que já não seria nada mau!!!)


um dia destes, quando se estiver naquele lugar, será como se ninguém antes tivesse passado por ali...


é o Progresso....


e das árvores não rezará nenhuma história...

Tuesday, February 27, 2007

Troncos mortos

Tinha ficado de pé aí um metro do tronco das árvores... Esta tarde, andavam a cortar o resto... Ainda não percebi por que carga de água é a Protecção Civil ou alguém com esses dizeres nas"etiquetas" das fatiotas de trabalho que anda a fazer esse lindo trabalho... E o dia passeava-se tão bonito por estas bandas ...

Monday, February 26, 2007

Querem apagar a minha vida

Estou assim um bocado aparvalhada. Pensei que só Estaline e outros companheiros apagavam as pessoas das fotos, quando não lhes convinha por variadíssimas razões aparecer junto delas para a posteridade, e ponho-me a ler a segunda versão do projecto de diploma regulamentar para acesso à categoria de professor titular, como quem não tem mesmo mais que fazer. E descobri, a manter-se esta versão ou equivalente, que - não é que me interesse ser titular muito especialmente, o que queria, na verdade, não era bem isso: agora só queria que , daqui por dois, quatro anos no máximo me deixassem reformar e mais nada - antes de 1999, e recuando até 1973, não vivi profissionalmente. Nada conta do que se passou nesses anos, nem a passagem pelo Conselho Directivo, nem pelo Conselho Pedagógico anos e anos como Delegada de Disciplina, nem como Directora de Turma... Nem conta nenhuma actividade que dinamizei e em que colaborei - e claro que não estou sozinha, outros trabalharam muito mais que eu - ( Visitas de Estudo, Feiras do Livro, Exposições, publicação do jornal, publicação de um livro de textos e poemas dos alunos - para o qual andei a pedinchar o dinheirinho de porta em porta como uma triste e "pobre de pedir"- Encontros com Escritores ( noutro dia, vi-me tão antiga que ainda me lembro de ver lá na Escola a Odette de Saint-Maurice !!!), o Dia do Francês com cantorias e danças e já nem me lembro do resto... Nem conta cada ano em que nem dei uma única falta ... Só contam os anos, em que as mazelas começam a carunchar e uma pessoa se vê obrigada a ir ao médico , a andar em exames de vigilância e prevenção, ou com viroses incompreensíveis, mas terríveis, e gripes ou afonias completas, quer dizer , em que não digo nem pio...
Conclusão: querem pura e simplesmente apagar a minha vida profissional de uma penada... e, se calhar, como crêem que já ando muito motivada, ainda querem humilhar-me mais e fazer-me crer a mim que nunca fiz nada e que não valho nada... mas estão enganados, porque a minha consciência do trabalho com os meus alunos vale mais que um cargo estupidamente chamado titular e, embora me apeteça chorar de raiva, não o vou fazer... o desprezo é o melhor, já que a luta de pouco valeu...


Esta tarde, fui a pé até ao Arquivo Distrital, via Avenida dos Bombeiros. À vinda, após as Portas do Sol, nem queria acreditar e fiquei ainda mais aparvalhada do que já ando ultimamente: cortaram todas as árvores da Avenida. É a preparação para as obras de um certo Fórum ( cuja abertura está anunciada para a Primavera de 2008)... começam bem!!! ( Não trazia a máquina fotográfica comigo!!!)

Friday, February 23, 2007

Dia quatro- diário de viagem, em traços largos




Sol ainda
Pequeno almoço como sempre, antes de nos abalançarmos por aquelas ruas fora, passando pelo Palau da Música Catalã, deambulando um pouco ao acaso por aqui e por ali para irmos almoçar na Cervejaria Catalã, onde os “montaditos” e as “tapas” saltam aos olhos, lindas e coloridas e nos põem apenas uma dificuldade – escolher. Para não ficarmos com muita pena, jantámos também lá, cansados ou já saudosos.
Pela tarde, bebemos um gole de água na Fonte de Canaletes ( diz uma lenda que, quem beber água desta fonte voltará, com certeza, a Barcelona) e sentámo-nos nos bancos a apreciar o vai e vem das pessoas num ciclo não-interrompido (em alguma hora do dia ou da noite haverá uma interrupção desta afluência de gente?) . Cirandámos por ali a ver umas montras, via Igreja de Santa Ana, Igreja del Pi ( a pequena praça desenvolveu-se à volta de um pinheiro) , Praça Real ( que não é a Praça do Rei) e abancámos frente a um chá e a um chocolate quente que os pés já se recusavam a andar mais…a deixar fluir as conversas sem tempo nem medida, até que, via telemóvel, quais autênticos catalães, marcámos encontro um pouco abaixo do bar Zurique, Praça da Catalunha… para jantar.

Separámo-nos no Passeio de Gràcia, uma, a quatro quadrículas dali, os outros, descendo até à Praça da Catalunha, a outras tantas quadrículas da Praça Urquinaona, a meia dúzia de passos do “Hostal”. Como, desta vez, nos recolhíamos mais cedo, não encontrámos, embrulhado num saco-cama, um indivíduo, a dormir, no cubículo da caixa automática.



O dia seguinte amanheceu com ar de regresso a casa…depois de um pequeno almoço com troca de recomendações…



Um dia destes, quando alguém marcar encontro em frente ao bar Zurique , na Praça da Catalunha, portem-se como verdadeiros catalães, habitantes de Barcelona.


Apareçam! Estarão à vossa espera……

Thursday, February 22, 2007

Dia três... diário em traços largos





Mensagem de dia de sol, via telemóvel, o que nos abria o apetite para ir até ao Parque da Cidadela, passear, passear, sem pensar muito, deixar correr os passos e os pensamentos e as conversas até à Barceloneta, juntinho ao mar com umas ondinhas estranhamente suficientes para uns tantos se dedicarem ao surf, Montjuic ao longe, mais ao lado, o Colombo com o braço esticado e as pernas a pedir repouso e o restaurante que procurávamos fechado e as voltas e voltinhas e o resto do dia sem grande história que nem a cabeça consegue processar tanta informação junta nem as pernas tantos passos que parece que não se dão mas caminham-se … ah passámos ainda junto às fachadas todas ( antigas , modernas e moderníssimas, construídas no tempo do Gaudí e depois ao longo das décadas e continuarão durante sabe-se lá quanto tempo) da Igreja da Sagrada Família, mas os guindastes, os ruídos e o pó tiram a beleza toda ao mo(nu)mento…

Conhecemos a celebérrima janela de um certo quarto, janela numa casa com varanda que dá para uns terraços, isto a quatro quadrículas ( aquela zona de Barcelona, em tempos , século XIX, foi planificada, segundo o Plano Cerda e construíram-se conjuntos de casas formando quadrículas uniformes sobre o terreno) da Praça Catalunha…

Dia dois – Domingo


Dia bonito para se passear no Parc Guell ( que o senhor Guell encomendou ao senhor Gaudí) . Não sabia eu que aquela subida íngreme a partir do metro que eu fizera “com uma perna às costas” me ia mostrar que eu tenho músculos em sítios incríveis e que eu jamais me apercebera deles.. Grande Parque para passear , mas , com tanta gente de todos os lados, muitos do nosso rectângulo, uma pessoa até fica cansada.
Vista da Cidade que se alonga até ao mar, com imensas pináculos de igrejas e catedrais e Casa-Museu Gaudí e passagem rápida pelas “casas dos strumpfes” ( que está visto que não se chamam assim) e descida até ao Centro para descansar pernas e processar tanta informação vista in loco e lida no nosso livrinho-guia e retemperar forças no “Els Fanals”, restaurante calmíssimo que era do que estávamos mesmo a precisar…
Ramblas again, com as gentes, os pássaros, as flores e desvio para a zona da Cidade Velha. Da Catedral em obras ( pedia-se um donativo obrigatório de 4 euros por isso, passámos ao largo) pela rua estreita até à praça da Generalitat e zona do Born pela rua da Argentería até à célebre ( pelo livro) Catedral do Mar, onde se voltou mais à noitinha, a porta já aberta e aqueles arcos altíssimos, iluminados fazendo-nos ascender a um lugar mais alto pelo trabalho ali realizado por aqueles homens do século XIV.
Foi então que descobrimos as “ Tapas del Born” que abriam essa noite, ofereciam champanhe e eram simpaticíssimos , de tal modo que voltámos na noite seguinte, lembravam-se de nós e trataram-nos duplamente bem e onde a Princesa se nos juntou vinda da sua aula de Catalão. Mas antes, ainda se tinha divagado pelo Born até ao Arco do Triunfo, caminhando, caminhando, caminhando…conversando…conversando…conversando…
Após o jantar, reencontro em frente ao bar Zurique, Praça da Catalunha como não podia deixar de ser, para uma “copa” no bairro Raval, num bar-livraria ( livraria para se ler , não para vender no caso), perto daquele onde supostamente se escrevia um romance na noite anterior.

Diário de Viagem - Barcelona, dia um





Da janela do comboio, a terra sedenta e gulosa acabava por ficar alagada e lamacenta, debaixo da chuva imparável. Tudo calmo na viagem de avião. À espera, uma multidão (claro exagero) , embora a presença da Princesa parecesse como se aquela multidão toda estivesse ali por nossa causa.
Comecei a ler “A Catedral do Mar” e fui transportada a tempos muito antigos, violentos de uma injustiça atroz.
Primeiro dia
Chovia.
A largueza dos passeios e das ruas e a grandeza dos prédios, deixavam, com facilidade entrar a luz ferrugenta do dia . De nariz no ar, mirava as varandas de ferro, as fachadas todas vistosas. As imensas escadarias , mais ou menos, imponentes levavam-me a ver a Rebeca de Winter a descer, muito elegante, até ao salão.
Para enganar a chuva, enfiámo-nos, em boa hora, na Casa Batló ( que o senhor Batló pediu a António Gaudí para construir ) e a surpresa da poesia sem palavras: a conjugação do trabalho original do vidro, do ferro, do azulejo, da luz, muita luz, a luz e o ar presentes até nos sótãos-lavandarias fez esquecer a humidade e andámos ali a divagar pelas salas, encantados… Ainda demos uma vista de olhos pela Casa Milà, mas eram horas de atacar umas “tapas” para socorrer o estômago…
Deixou de chover.
Do Passeio de Gràcia até à Praça Catalunha e as Ramblas … em frente ao bar Zurique, na larga passadeira de peões, mal abria o sinal verde, assistia-se à contradança de uns bailarinos inconscientes do seu papel. E gente, sempre muita gente, e cor, muita cor na Boquería e mais gente, muita gente até à estátua de Colombo, lá do alto com o dedo a apontar em direcção a um qualquer destino por descobrir… um homem com tanta nacionalidade por saber.
Os pés moídos acalmaram à mesa do restaurante “ Julivert Meu” diante da refeição da noite e de um belo Rioja. Acabou-se a noite num bar do bairro Raval ( diz-se com b) , servidos por um jovem magrinho, de óculos e ar intelectuais que não parava de escrever num bloquinho, o qual continuou a ser escrito pelo colega que o rendeu e imaginou-se que estariam a criar um romance a dois e que o capítulo desse dia poderia muito bem ter começado assim: “ Entraram três figurinhas pelo bar dentro, sentaram-se a uma mesa e pediram três copos de vinho…”


Wednesday, February 14, 2007

Tempestade e bonança

Caiu a chuva
embrulhada
em ar violento

ensopou
a terra

as nuvens
emigraram
além-fronteiras
estrangeiras
imaginárias

deixaram
farfalhos
suspeitos
sujeitos
ao sabor
dos ventos
pensamentos
dispersos

ideias fugidias
fantasias
encantadas
plasmadas
nos céus
entretanto
enxutos
impolutos
apagadas
as pinceladas
de branco...

Sunday, February 11, 2007

Recado ao sobrinho mais querido do mundo

Estás um Homem, pareces um príncipe. Para te dar um beijo, temos que nos pôr em bicos de pés e tu tens que descer da tua altura impossível para nos abraçares. E ainda ontem ( o teu avô P. confidenciou mais que uma vez que o tempo passa muito depressa e a cada dia que vivemos acreditamos mais nele!!!) eras tão pequenino, dentro de uns fatinhos pequenos, mãozinhas pequeninas, carinha pequenina e uma boquinha linda ( eu adoro as mãozinhas e as boquinhas dos bebés) e anda por aí num álbum uma foto da tua prima, deliciada a espreitar para dentro dos cobertores, num gesto de carinho inexcedível e tudo à tua volta numa festa. Mais tarde, nas fotos já andas e brincas na areia da praia e, algum tempo depois, por alturas da "perestroika" ( uma graça que só nós entendemos) , passeámos por essas praias ( entre S. Martinho do Porto e a Praia do Salgado) que nos ficaram à tua Mãe e a mim gravadas da nossa infância e que são , agora, para ti e para a tua prima um marco da vossa e as fotos desse tempo mostram-vos crianças alegres e felizes , o que nos transporta para dias sem nuvens e esse tempo parecia não ter princípio nem fim. Agora, o menino cresceu e a tua vida voa entre o final dos estudos e a tua banda. Só quero que a tua Estrela e a Energia Superior que comanda as nossas vidas te indique sempre o melhor caminho, que o dia em que a tua vida entrou na nossa foi uma festa. Há um ano escrevi-o por aqui e sempre o repito neste dia e di-lo-ei até a memória me falhar: logo depois de nasceres, duas pessoas dançaram no corredor do Hospital e foi em honra da tua Mãe e por ti!!!
Parabéns!

Thursday, February 08, 2007

Azul

Esborrachada
contra a vidraça
a chuva estrelada
fustigada a vento
caía ...
mansamente
devagarzinho
a manhã clareou
e o céu azulou.

Tuesday, February 06, 2007

Praça Luís de Camões vulgo Praça Velha ( Guarda)III




As manilhas de esgoto, porque eram provisórias, foram retiradas, para pena de algumas pessoas que as adoravam . Foram, há dias, colocados estes tubos, que também dizem ser provisórios… ( isto porque ninguém quis, atempadamente, assumir que ia ficar um corredor para trânsito e não quiseram colocar árvores a separar as duas zonas, que , eventualmente , é o que irá acontecer). Isto são pensamentos meus a falar a meia voz com os meus botõezitos...
As crianças ( que eu já vi…) vão ter um local para se dedicarem aos malabarismos….e equilíbrios…onde, no Verão passado jogaram futebol em plano inclinado!!! Mas não liguem... São mesmo pensamentos meus com os meus botões que se fartam de magicar... Mas nem deviam, que não são arquitectos nem nada que se pareça... quer dizer nem os botões nem eu... Mas, enfim, dá-me para estes solilóquios... a certas horas após o jantar, quando o frio corre lá fora e a lareira embota as ideias de tão amodorradas que se sentem a olhar para as labaredas mágicas do fogo!!!

Praça Luís de Camões vulgo Praça Velha ( Guarda)II


Praça Velha “vestida” com relva sintética para o Verão de 2006, dando razão à opinião de algumas pessoas que achavam que a Praça devia ter relva…para amenizar o frio do granito.
As manilhas de esgoto com terra e arvorezinhas dentro "embelezavam" o recinto.

No Inverno, em manhãs de geada, parece mais uma pista de gelo…para peões e automóveis...

Praça Luís de Camões vulgo Praça Velha ( Guarda)


Praça Velha , antes das obras
de requalificação







Praça Velha depois das obras, com o “remendo” dos canteiros improvisados, porque ninguém percebeu que, de certos ângulos, o desnível não era apercebido pelos peões …
E, como se compreendeu depois, mantinha-se afinal um corredor para os automóveis, à direita, e foi necessário separar esta zona da de peões... com umas belíssimas manilhas de esgoto com terra dentro e árvores...

Friday, February 02, 2007

Escultura


A geada

chegou mansinha

pela madrugada,

arrimou-se

ao tronco gelado;

o nevoeiro

aconchegou

o arbóreo corpo

em branco manto

e esculpiu-lhe

as formas gélidas.


Wednesday, January 31, 2007

Arco-íris















Desceu do espaço
Inopinadamente
Lançou as raízes
De repente do céu
Cinzento escuro
Do meio das gotas
Da chuva em cordas
Um raio de luz
Branca dispersa
Em nítidas cores
E fez-se ponte
Transitório efeito
Em arco perfeito.

Tuesday, January 30, 2007

Parole... parole... parole...

Às vezes, põem-se a olhar para mim com cara de parvos: parece que só eu é que uso certas palavras. O pior é que eu , depois, não estou para explicar que algumas pessoas não têm vocabulário nenhum, porque era muito incómodo e as pessoas , elas mesmas, podiam pensar que eu estava a chamar-lhes incultas ou ignorantes. Se calhar, estou, mas isso fica com os meus botões, ninguém tem necessidade de saber, muito menos em época pós-Natal e Ano Novo e Festas e o Carnaval quase aí e tal. Não sei se é por isso, mas, enfim, é melhor não dizer nada, embora os Sagitários tenham a mania de ser muito frontais, com a idade acabam por achar que nem vale a pena, que dá muito trabalho ser tão frontal, que as pessoas podem ficar todas enxofradas. Pronto! Lá estou eu… alguém usa uma palavra como enxofrado? Ninguém! Ainda por cima, tenho que garantir que a palavra existe mesmo, que é só consultar um dicionário. Aliás, eu tenho um dicionário formidável. Lá estou eu…a usar formidável em qualquer circunstância… mas não é bonitinha esta palavra?… Até uma caldeirada é formidável, o que também ninguém diz…mas não pode estar porquê? Formidável? Se não estivesse é que era uma consumição!!!
Consumição, também não se pode dizer porquê? Até é uma palavra muito expressiva: vê-se logo que uma pessoa está roída de preocupação, nem é preciso dizer mais nada…
Mas não: é um ar de espanto, uns risinhos…
E trouxe-mouxe não é uma palavra tão castiça? Lá está ela, toda catita, no dicionário a rir-se com os seus “ou” toda insinuante…
E gentil não é um vocábulo lindo? Se uma pessoa é gentil nem é preciso adjectivá-la mais: já se sabe que é doce, querida e atenciosa!!!
Se ainda fosse o Manolo, que é todo versado em palavras difíceis, tanto em português, como em espanhol, como em francês… ainda compreendia o espanto, agora eu, que emprego palavras tão corriqueiras, ( às vezes até só sou capaz de dizer as ideias, as que não me surgem em português, em espanhol e, mais raramente, em francês, mas isso é outro caso, é por estar sempre a ver televisão em canais estranhos)… Mas, se ele fala difícil, tudo fica boquiaberto a escutar a sua erudição, sempre com aquela pronúncia raiana cativante. Cativante igualmente a conversa , claro!!! Agora se dou um pezinho de palavras muito próprias, logo vem alguém “mas por que diabo usas essas palavras? Ninguém diz isso!!!” Ninguém que é como quem diz… Todos menos eu…Eu rio-me muito, sou sempre muito exuberante! Mas devia ficar sorumbática, muito sorumbática até que ninguém se espantasse com o meu vocabulário particular…. Já tentei, mas não sou capaz, não está no meu espírito… Por isso é que deixar de usar palavras que ninguém mais usa não estará nunca na listinha de “coisas a fazer” nem este ANO nem nos seguintes!!!
E não sei porquê, veio-me hoje à lembrança o sabor das amoras maduras no verão das terras dos meus avós... Não sei que ligação pode esta recordação ter com as palavras...

Saturday, January 27, 2007

O frio com Tlebs dentro...


Três graus negativos, pelas onze horas da manhã... e o frio a zunir-me as orelhas doridas do vento gelado. Tenho que arranjar um garruço quentinho, se isto continua assim... Como se não bastasse este tempo agreste para me gelar o corpo , ponho-me a ler o jornal "Público" , diante de um café quentinho e fica-me gelada a alma... Eu bem tinha prometido a mim própria que não ia falar mais deste assunto que até me causa urticária ( em sentido figurado) , mas ... lá estava na página 22, canto inferior direito, se calhar para niguém ver:

"TLEBS só será suspensa em 2007-2008

O secretário de Estado adjunto da Educação precisou ontem que a experiência pedagógica associada à nova Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário ( TLEBS) só será suspensa no próximo ano lectivo.

Em declarações à Lusa, Jorge Pedreira esclareceu que a portaria que será publicada em Fevereiro só terá efeitos práticos em 2007/2008, ano em que "não vai realizar-se a experiência pedagógica com os alunos, já que não há condições técnicas para isso ".

Na quinta-feira, Jorge Pedreira tinha afirmado à Lusa que no próximo m~Es seria emitida " uma nova portaria a suspender a experiência pedagógica da TLEBS", sem nunca referir que a suspensão só entraria em vigor no próximo ano lectivo."


E a notícia prossegue em mais dois parágrafos.


Eu não sei se a notícia dá para rir ou para chorar, se para uma pessoa se revoltar...


Numa busca rápida na net, verifico que má-fé significa "intenção de prejudicar alguém; falsidade; deslealdade;"


Espero que o meu médico nunca me receite um medicamento que não tenha sido experimentado e certificado. E, no mínimo, espero que, quando dê conta que o medicamento não está certificado, mo retire imediatamente .



Friday, January 26, 2007

Não gosto...

Garantiram-me ( quem sabe destas coisas!!!) que anda alguém a mexer no meu blogue, que por isso tomou esta forma bizarra que é preciso andar numa auto-estrada até chegar aos posts... Mas quem? Como? Porquê? Para quê?

E eu não gosto, não gosto mesmo nada que mexam nas minhas coisas!!! Também não há nada neste simpes e modesto blogue que interesse às pessoas!... Ou há?

Agora, vai ser uma maçada pôr tudo no lugar outra vez...

Três graus abaixo de zero, às nove da manhã!!!

O assobio gélido do vento cresta a pele, corta a carne quase até aos ossos.
O sol, traiçoeiro, reina límpido e zombeteiro. Arrogante e indiferente. Até cair a noite.

Wednesday, January 24, 2007

Transparência


Transparência

e brilho

de cristal

aparência


de um azul

celeste clarinho

gela

no trilho

da terra

parada.

Monday, January 22, 2007

Companhia


Trago
pela mão
a minha alma
angustiada
a escuridão
desesperada
prestes
a desprender-se
em chuva
gelada
ou neve
anunciada.

Sunday, January 21, 2007

Burocracia da Idade Média na era dos computadores última geração ( lá como cá!!!)

Pergunta-se às entidades (in)competentes, como deve ser, os documentos necessários para ir trabalhar para o estrangeiro/União Europeia. Bilhete de Identidade! Apenas. Tão fácil, tão simples que até a pergunta parece estúpida. Respira-se de alívio, que todos os minutos são preciosos para tudo preparar antes de partir.
Chega-se ao país estrangeiro, instala-se uma pessoa, contactos para trabalhar, inscrições na agências de emprego, sem parar. Uma semana depois, começam os contactos. Tens o DN qualquer coisa? Não. Tens que o ter. Onde se pede? Oficina de Extranjeros. Não podes trabalhar sem esse cartão.
Dia seguinte , a tal Oficina. Três horas numa fila para receber dois impressos e preencher e ir entregar à “Comisaria”.
Diálogo surrealista que garanto que, se não aconteceu mesmo assim, foi muito, muito parecido:
Tens uma declaração do local de trabalho?
Não, por isso é que estou a pedir o cartão. Para trabalhar.
Mas, sem a declaração do empregador, não podes pedir o cartão.
Então, como vou trabalhar sem ter o cartão?
Bem, então vais à Segurança Social, pedir o documento x.
Dia seguinte: primeira a ser atendida no balcão da Segurança Social.
Na “ Comisaria” uma enchente.
E depois, seguiu-se o seguinte diálogo que não se passou em Portugal, mas no país vizinho, o tal da economia em alta e garanto, de novo, que não é nenhuma partida do “Gato Fedorento” nem nada…
Ainda precisas da cópia de mais um documento y.
Numa pressa, pediu-se a cópia.
De regresso:
Agora tens que apresentar a cópia do documento z.
Foi tirar-se a cópia do tal dito documento.
Agora, tens que esperar 45 dias!!!
Uma pessoa só não desmaia de espanto e incredulidade, porque tem um arcaboiço forte, embora de aspecto delicado e não propriamente tendência nem vagar para desmaios.

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Salomão, onde estás?
Uma juíza, de seu nome Fernanda Ventura, diz-se de consciência tranquila por enviar para a prisão um pai adoptivo, afectivo ou seja, pai, por não revelar o paradeiro da sua companheira ( só faltava que a decisão contivesse um preconceito contra as pessoas a viver em união de facto ou sem facto , como companheiras e não casadas com papel e tal) e da filha adoptiva de ambos.
Agora, parece que não ficou contente e ordenou à PSP ( Polícia que devia ser de segurança ) e à Polícia Judiciária para encontrarem a mãe e a filha custe o que custar e que , caso seja necessário, arrombem a porta ( à força, claro!!!) para entrarem em casa delas e trazerem a menina... também à força, digo eu e que prendam a mulher!!! Mas esta juíza decide tudo isto sozinha ou os colegas dela pensam como ela?
Se as leis , para serem aplicadas, não precisam de ser ponderadas , para que servem os juízes?
Manuel António Pina falou no seu artigo da " Visão " desta semana , como antes e depois dele, outros, de Salomão...

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Amigo
No meio de tantas reflexões pessimistas, surgiu num dos meus posts um comentário de um amigo de outros caminhos e, pelos vistos, destes; chegou muito de mansinho e está a descobrir, por esta altura, que me encontrou, por acaso ou foi o sangue a falar?
Vive na blogosfera em http://www.serra-montemuro.blogspot.com/
Foi um prazer formidável!!!

Thursday, January 18, 2007

Por ti


Enrolei
o cachecol
colorido
comprido
de entrançado
grosso
à volta do pescoço
penduradas
as cores variadas
até às franjas
para fingir
que estás aqui
comigo a rir
apertada
num abraço
o espaço

derrubado

para fingir

que a distância

não é nada...

Dia de festa

Dia grande lá pelos lados da ALDEIA em que o SINO não pára de tocar, repicando de festa...com imenso orgulho e emoção desmedida...
Para conhecer as razões de tal alegria, não esquecer de bater à porta de osinodaaldeia ( link ao lado), onde há sempre lições de vida a partilhar ou uma peça de música ou uma gargalhada... e muito mais!!!

Sunday, January 14, 2007

Moinhos de vento


Na cumeeira do monte
passa
o passado
na estrada
romana
nem moinhos
de velas ao vento
nem o grão
estraçalhado
sob o peso da mó
nem farinha branca
nas mãos do moleiro…

Na lonjura
a estrutura
metálica
mecânica
de três braços
desenha no céu
uma imagem
excêntrica…

Uma mulher
sentada
num banco
sozinho
do jardim
fala
às plantas
mirradas
do Inverno…

Um bêbado
da tarde
titubeia
junto ao muro
gritando
frases e risos
de zurrapa.


Salpicos
miúdos
de chuva
cansativa
borrifam
a calçada.

Thursday, January 11, 2007

Nuvens


Arejou o tempo. O horizonte expande-se ao longe para além das fronteiras convencionadas dos homens, sob uma neblina ligeira e nuvens acumuladas em ondas cinza e brancas. Raia o azul do céu, entre o algodão fofo corredio. Telhados alheados, expostos ao sol, brilham cor de laranja escuro. Uma pedra subiu do recreio e estilhaçou o vidro de um carro parado na rua... Um pardal assustado esvoaçou, espavorido, num alarido de asas pequenitas.

Monday, January 08, 2007

vidas que partem


Um gato
espalmado
na estrada
sob o sol
atormentado
notícias
malfadadas
pingas
esparsas
de nuvens
passageiras
encasteladas


arquivos
remexidos
passos
perdidos
em eras
passadas
folhas
carcomidas
e as horas
seguidas
contam
indiferentes
as vidas
das gentes

Sunday, January 07, 2007

Passeio-relâmpago








Na cidade-fantasma, o nevoeiro infiltrou-se em todas as frinchas das casas e das árvores, adensou-se sobre o chão e escorregou pelas lajes de pedra. Estavam isolados havia quatro dias. Isolados não queria dizer impedidos de sair ou entrar na cidade. Simplesmente, significava que não tinham acesso à luz do dia, para já não dizer , ao brilho do sol. Só viam as casas, se estivessem a um palmo das paredes e chocavam com as pessoas enfiadas nos seus agasalhos escuros, em becos perpendiculares e paralelos ao Corgo, que não se vislumbrava, mas se pressentia correr ao fundo da ravina.


Sufocados por esse sentimento impotente de escuridão, foi, com alívio, que saímos, quase em fuga, do nevoeiro e da chuva que caiu de novo pela manhã. Em busca do sol, de horizontes abertos em socalcos magníficos, obra sempre surpreendente da força e vontade de mulheres e homens fora do comum, entre os quais se contam muitos dos nossos antepassados, alguns imigrantes oriundos do então reino da Galiza, especializados na arte de surribar as vinhas. Em busca do Douro, das paisagens espelhadas nas suas águas, com as casinhas e quintas tremeluzentes da dança da corrente, um barco rabelo fundeado em simetria e uma cidade inteira mergulhada, de pernas para o ar.



Almoço da região, a evocar o arroz do forno da nossa Avó – nunca nenhum se comparará algum dia ao dela, porque lhes falta a azáfama da véspera, e, no dia, o acender do forno, como se de um ritual religioso se tratasse com rezas e tudo, o “meter” os alguidares no forno, tapá-los muito tapadinhos e , depois, sair de lá, qual milagre de alquimia, um arroz soltinho, de sabor e textura inesquecível e as batatinhas e o anho, cheios de cores e paladares inebriantes… - com ementa matraqueada numa velha máquina de escrever, com cópias (!!!) a papel químico (!!!)…

E o Douro ali tão perto. E as nossas raízes!

Saturday, January 06, 2007

Primavera em Janeiro



Manhã bizarra
de primavera
em Janeiro

Aragem serena
um sol matreiro

No alto do azul
sulcos brancos
esborrratados
destinos
cruzados

Rosas frescas
vermelhas
fulgentes
na jarra
transparente
na tranquilidade
quente
de um tempo
trocado





Aos passantes...


... é ( quase) obrigatório dar uma voltinha pelo CONTO LIVRE ( link ao lado) . O dono do SINO da ALDEIA deixou lá uma historinha muito eloquente ... para ler, rir e chorar, ou pensar, conforme se achar apropriado ...

Friday, January 05, 2007

Brincadeiras




Festas passadas, foi a casa esvaziando. Primeiro, O Francisco, com os Pais e o cão… Dias depois, os Avós e a filha mais nova. Agora, a Princesa da casa. Para memória, as tardes em conversa e serões à lareira, encostadinhas uma à outra, entretidas em frente à televisão a ver séries policiais. Ontem, antes do jantar, regalámo-nos de riso, a brincar com pincéis, ao som dos Queen, rabiscando, a duas mãos, com tintas coloridas, uma tela, rascunho tosco de uma fotografia … para recordar. Depois, lá foi ela, levada por um comboio, a caminho dos projectos, das incógnitas e dos sonhos. Eu, por aqui fico, na retaguarda…

Thursday, January 04, 2007

Princesas modernas


As princesas modernas são descaradamente independentes. Saem de casa cedo, não para casar, mas para estudar. Estudam cursos muito contemporâneos aliando as ideias às máquinas. Cidadãs do mundo, têm amigos desde o Sri Lanka às praias da Grécia. Embarcam num avião com a mesma facilidade e desenvoltura com que se apanha um autocarro ao fundo da rua. E perdem-nos também. Não têm aias nem pajens. Fazem e desfazem, elas próprias, malas num ápice. Agora, há uma que anda às voltas com caixas e caixotes para despachar, num jogo de selecção entre a obra cuja leitura vai a meio e o jogo de lençóis, o que é uma escolha praticamente impossível. Assim, decide-se pelo pragmatismo, o resto irá chegando à medida, primeiro, das necessidades, depois, dos prazeres. A juntar às malas e maletas que se possam conduzir pelos aeroportos e gares e comboios e metros e ruas, acrescenta o computador portátil e a máquina fotográfica profissional, tudo muito bem acondicionado. Perde-se ainda entre duas listas de amigos com quem tem que jantar, antes de partir e a escolha dos restaurantes. Seguem-se os conselhos que ela me deixa,com ar sabido, para a compra via net dos bilhetes de avião para as visitas que lhe hei-de fazer e que já programámos juntas. Escolhe a imagem que vai, a partir de agora, aparecer no messenger, com a Monserrat Caballé e o Freddy Mercury a cantar a inolvidável canção dos Jogos Olímpicos de Barcelona, pelo ano de 1992, ainda a princesa era uma criança ( eu ainda sou!) . Os cantores aparecem com as gargantas a entoar " Barcelona" e uma pessoa até sente vontade de embarcar nesta aventura. Eu fico abismada com este vai e vem categórico. E dou comigo a pensar que as princesas modernas crescem demasiado depressa! O quarto com janela na calle Aragón está à espera ...

Wednesday, January 03, 2007

Ponte pedonal S. Miguel da Guarda


Esta tarde, ao ler a primeira página do jornal semanal "O Interior", fiquei a saber que a ponte pedonal cuja construção segue em bom ritmo, é apenas a ponte do género mais cara de Portugal!!! fiquei a saber e estarrecida!!! Ou não seria para ficar?!!!

Tuesday, January 02, 2007

Como um amigo encontra o caminho para a emoção ...


e os campos
vestem-se
de roupas
grisalhas
e frias
até que a luz
de uma manhã
acesa por raios
doirados quentes
os mostre
como são verdes
e floridos
em leves trajos
de cores de Março.


autoria: JPG de OSINODAALDEIA ( link ao lado)

Monday, January 01, 2007

Ano Novo


Cinzas
Esquecidas
Numa lareira apagada

Nostalgia
Da despedida
De uma era passada

estremecido
pelo desconhecido
o coração sobressaltado

a esperança
balança
entre a dolência
do primeiro dia
e um salto
para o outro lado
do tempo…