Thursday, October 05, 2006

5 de Outubro, Feriado Nacional






















Cidade da Guarda ( Centro), 5 de Outubro de 2006, Feriado Nacional( Implantação da República, por dia e mês equivalentes, no ano de 1910). 10h50m de um bonito dia de Outono.
Sem comentários.

Monday, October 02, 2006

Chuva...com memórias de juventude


Enrolou-se o vento nas folhas das árvores como se agitasse cabelos emaranhados.
O céu tomou o negrume da noite a anunciar água.
As pessoas recolhem numa correria agasalhada.
Desatou a chover. Desabam as constipações.

Meto-me a caminho debaixo das pingas, a cabeça encafuada num capuz. Adoro andar à chuva como gostei em tempos de chapinhar nas poças de água brilhante. Corro sempre o risco de ouvir o que já ouvi por mais que uma vez "que andas tu a fazer à chuva feita parva?" Naqueles outros tempos também corria o risco de levar alguma que outra sova, o que nunca me impediu de meter pela poça dentro satisfeita da vida.

Havia outra casa em Vilar Formoso. Eram tempos de verão e ternura, calor e férias grandes, juventude e idealismo nas ideias e nos amores. Os corações andavam leves e ternurentos. Todos os sonhos se desenhavam possíveis. Corriam risos frescos a toda a hora. As amizades registaram-se para a vida. Mesmo se deixaram de se encontrar com regularidade todas as personagens, o reencontro é sempre como se fosse o dia seguinte. Ficou também a cumplicidade baseada na amizade dos pais de longa, longa data. Hoje, já nem se sabe como tudo começou. Episódios soltos marcam( marcaram) as vidas de cada um. Se começa a falhar a memória de um nome, de um lugar especial, alguém se lembra e desfia o rosário. Vem tudo à lembrança, aberta a gaveta há tanto tempo fechada. Andava aquele nome a tamborilar por entre os neurónios. Vinha à memória o nome da irmã. Em cada encontro inopinado, uma ternura sem limites unia as pessoas e o nome abafado. Da vez mais recente, ficou o cérebro à procura, sem encontrar; a pergunta lançada através da net não encontrou eco. A pergunta rondou o sono, quando se desliza devagarinho para esse estado hipnótico. Não se achou a resposta. Esta manhã, por meio de outra personagem, convívio quase diário, sem esforço, por maior proximidade geográfica e amizade mais contínua, a personagem com nome esquecido ganhou nome. Como a memória prega partidas tão bizarras! Assente a questão, surgiram das gavetas menos frequentemente abertas as tardes e noites frias dos Invernos da Beira Alta, em frente à enorme fogueira no Turismo, local de igual refúgio do intenso calor do estio. Os encontros entre pessoas de tão longe, os casamentos, os filhos, as separações, mas, sobretudo, a inocência dos afectos que se pensava serem para sempre. A pitoresca história da Madalena que não era a da Bíblia, o fim de semana, a atracção pelo V. , o postal escrito no comboio de regresso, entre risinhos nervosos, ( como é que vividos de um lado e de outro ainda se lembram e se completam estes instantes??? ) o sucesso e entusiamo da chegada dessas palavras românticas, o namoro. História esta aferrolhada há tanto que só a conversa entre intervenientes a podia recuperar de repente. São histórias que só poucas personagens sabem, as tais que cimentam a cumplicidade nestes episódios , breves, porém consequentes. A partir de um simples postal enviado de um comboio da Linha da Beira , escrito num impulso, com o coração em sobressalto, na euforia dos primeiros amores, construiu-se depois uma vida... Ele acabara de chegar da tropa, ela dava aulas na primeira Escola ( Preparatória de Anadia) que eu conheci do outro lado da barreira ( a mesma que foi inaugurada por um certo Presidente da República de nome Américo Tomás- aquele que tinha a foto pespegada na parede ao lado de outro professor de Coimbra com um crucifixo ao centro, ouvi dizer que ainda sobra por algumas paredes a cruz(!)- , o mesmo da passagem pela escolinha primária de Lagoaça anos antes, a mesma escolinha que ainda há dias andou pelas notícias por ter encerrado, fechado, desaparecido!!! esta nota parece uma pescadinha de rabo na boca!) .

Enfim! Um fim de semana e um postal e um comboio!

Estas imagens saltam talvez incompreensíveis, porque todas enroladas pelos ventos do passado...

Já tem nome a amiga desses tempos...

Sunday, October 01, 2006

Carta a uma filha


Segue o comboio o seu caminho contigo lá dentro. Deixaste os vestígios do costume no quarto. Uma camisola despreocupada sobre a cama, uns papéis na escrivaninha, um saco da Natura no chão e uma série de recomendações para eu ser feliz.
Falo contigo todos os dias , escrevo-te mails ( és tu que me espicaças para aprender estas novidades todas desde há anos , caso contrário estava info-analfabeta; devo-te também esta evolução e não só as das ideias, entre mil e uma outras evoluções) em que me exercitei quando passaste um ano em Manchester ( até me inaugurei a fazer compras via net por essa altura), agora já falo contigo no messenger , uma coisa toda modernaça, tiro fotos na máquina digital que me ofereceram num Natal e ensinas-me a observar pormenores , mando-te mensagens no telemóvel, um instrumento que uso quase só para comunicar contigo ( também falo com a tua madrinha que está aficar um "pro" nisto da internet), de resto nem me faz falta nenhuma para mais nada, o que faz muita confusão ao mundo quase inteiro e divirto-me na net a (re)aprender as capitais dos países da Europa e por aí fora, entre muitas outras pesquisas.
Falo contigo todos os dias. Ao ouvirmos as nossas vozes, sentimos a pulsação dos nossos estados de espírito.
Falo contigo todos os dias.
Quando nos encontramos , é sempre uma festa. Por causa das asas que ganhaste e eu te ajudei a criar, encontramo-nos menos, quer dizer, fazemos menos festas, mas sempre muito intensas e alegres. Quando regressas ao teu sítio, ficam por aqui umas penas soltas e um nó no meu coração, tal e qual como quando começaste a ir para a escola a pé. É uma coisa a que nenhuma mãe se consegue habituar: a deixar ir um(a) filho(a) sozinho a pé para a Escola sem um nó no coração, quando ainda não sabe que o trajecto para a Escola é a aventura mais pequena. ( Quando saíste com as tuas amigas de carro pela primeira vez , foi muito pior, pensei que morria!) . Mas tenho-me aguentado de pé. Sempre.
Falo contigo todos os dias. Não posso é aconchegar-te a roupa à noite antes do beijo, nem pôr-te na mesa o almoço para não te preocupares com nada. Só posso recomendar-te que te alimentes e que durmas bem para aguentares tanto trabalho. As asas que ganhaste não te permitiriam tantas mordomias. Sabe-te bem ter o teu canto.
Falo contigo todos os dias. Às vezes, precisas de me recomendar calma , que tu tens tudo controlado à tua maneira. E eu sempre a querer poupar-te angústias e cansaços e tirar-te as pedras do caminho. Tu achas que as pedras têm que ser retiradas, rodeadas, transpostas por ti, que eu não me devo preocupar tanto. Sei tudo isso, concordo com isso, mas, se eu as pudesse carregar por ti, para mim era mais fácil. Tens as tuas asas e o teu caminho e tens que as usar e treinar para funcionarem cada vez melhor, eu sei, e acertares mais depressa no caminho.
Falo contigo todos os dias e nem é preciso de falar muito.
Deixaste os vestígios da tua passagem no quarto. Uma camisola despreocupada sobre a cama, uns papéis na escrivaninha, um saco da Natura no chão e uma série de recomendações para eu ser feliz.
Quando chegares ao teu sítio, voltamos a falar.

Saturday, September 30, 2006

Nascidas em 1980...
























Desanuviou o céu, até o sol presenteou aquela hora, afastando a ameaça de chuva: a noiva chegava sem sobressaltos.
Lê-se no sorriso e no olhar das amigas a cumplicidade feita de momentos das aulas entre aulas das primeiras saídas à noite dos segredos dos desabafos dos risos e das lágrimas cumplicidade de pequenas e grandes emoções a entrada para a faculdade a independência a vida em outras cidades os elos sempre ligados facilitados pelos telemóveis que entretanto apareceram… Elas olham umas para as outras e os sorrisos e olhares dizem conhecer-se de todos os tempos, do tempo na barriga das mães, do tempo de não andar, de falar sem palavras, de chupar no dedo para dormir … Elas olham umas para as outras e conhecem-se desde sempre e descobrem-se em cada instante de uma amizade construída dia a dia. É uma ligação que se vê. Hoje une-as mais um ritual a marcar as suas vidas…Despreocupadamente felizes como deve ser.
Da janela vejo-as a afastar … as crianças de ontem estão hoje umas inteligentes e lindas mulheres!

Friday, September 29, 2006

Ó Elvas, ó Elvas


Fecha-se a Maternidade, em Elvas. Inaugura-se o Coliseu, com honras de directo na RTP.
Logo recebi uma mensagem cheia de humor e grande visão. Entretém-se o povo com festas para não haver tempo de "fazer" filhos... Bem visto!

Wednesday, September 27, 2006

Oitenta segundos


















Isto dos prazos ( das obras e outros…) é engraçado: embirro ( sou uma embirrenta, está visto) com a indicação daqueles relógios postados numa espantosa estrutura nas rotundas a anunciar “ faltam tantas horas tantos minutos e tantos segundos para…” qualquer uma obra terminar . E ser inaugurada como manda o figurino. Se estiver presente um figurante vip, tanto melhor! Polis, O Pólis também tinha ( tem) desses relógios. Ainda ali está , perto de mim, um deles a anunciar , já lá vão meses e meses que até mete raiva, que faltam 80 (OITENTA ) segundos ( SEGUNDOS) para terminar as obras ( chamadas do Rio Diz) … Claro que o relógio estacionou nos oitenta segundos ( eu até já escrevi duas há dois ou três meses, via net, para o referido Programa, a perguntar se, com o decorrer do tempo e as pessoas ali a passar todos os dias, não vêem o ridículo da coisa e sugeri que retirassem o relógio; ninguém me respondeu, - mas também ninguém tirou o relógio, devem considerá-lo monumento nacional, digo, regional, aliás, as instituições públicas ou afins têm essa particularidade, nunca respondem a ninguém,
devem estar a poupar nas folhas de cartas ou envelopes, mas sempre podiam usar a net)… retomando: o relógio estancou nos oitenta segundos há meses, as obras lá vão avançando devagar. De vez em quando, como agora andam máquinas numa agitação, desta é que vai… uns equipamentos de parque infantil por lá estão igualmente há meses à espera que as obras acabem e que as crianças possam realmente utilizar o espaço. Além da agitação das máquinas, ergue-se uma outra estrutura que parece o arco do triunfo em miniatura, mas em feiinho.
Os dias vão correndo, correndo.
Os oitenta segundos são lentos lentos muito lentos a passar…
O relógio engasgou-se!


Mais: apareceu há dias um cartaz a acenar “ Em breve o Centro Comercial da Cidade blá blá blá o nome do “em breve centro comercial” e segue a data de abertura “primavera 2008”. Fantástico! Por si só “primavera” é uma data muito concreta que convida ao cumprimento dos prazos e 2008 , por acaso, é bem próximo desta época , Setembro de 2006 … Parece que vai ser tudo em grande…
Num qualquer dicionário, na entrada “em breve” ou “brevemente” poderá ler-se: daqui a pouco; dentro em pouco. Portanto “futuras instalações “ estaria mais correcto. Mas isso sou eu a que tenho uma mania terrível de reparar nestes pormenores.
E a Língua Portuguesa presta-se a muitas interpretações!

Tuesday, September 26, 2006

Filosofices...




Um jornal teve o atrevimento de publicar em primeira página a quantia da conta de telemóvel de Sócrates – duzentos e tal mil euros… Bem me parecia a mim que as ideias maquiavélicas que passam pela ideias de tal governo só podiam acontecer por muitas horas de insónia. E não só . De muitas horas ao telemóvel.
Eu disse Sócrates ? Disse Governo? Nada disso: acho que a conta era do filósofo Sócrates , o da cicuta e era uma metáfora…Eu creio que nem sequer li nenhuma notícia deste género . Foi tudo pura imaginação!


Pergunta:
Como é que a presença de quinze/ vinte Professores na Biblioteca e outras salas de uma Escola contribui para o sucesso escolar dos alunos que estão nas suas aulas regulares ou de substituição???

Já dei muitas voltas à cabeça e só me vem à mesma cabeça aquela frase antiga/ provérbio/dito/ditado/refrão popular “ Um burro carregado de livros é um doutor” …
Mas não condiz bem com a questão.

Será que, por osmose, a presença de tanta competência e sabedoria por metro quadrado em certas horas terá algum efeito benéfico?


Depois também me veio à lembrança o verso” rei fraco faz fraca a forte gente” ( Luís de Camões) , mas eram ditos do sé c. XVI…outra época…

Eu escrevi alguma coisa acerca da presença dos Professores nas escolas? Nem pensar! Tudo corre às mil maravilhas: os alunos sabem todos escrever sem erros, com pontuação adequada e têm uma imaginação prodigiosa... Os outros , poucos, que têm algumas ( pouquíssimas!!!) dificuldades, com as Aulas de Apoio Pedagógico ficam uns craques... De qualquer maneira, passam todos... Só os Professores têm que se esforçar ... MUITO!

Outra pergunta:
Se é tão difícil aos ( à maior parte dos) jovens conseguirem, por mérito , um emprego e andam sarapantados que nem sabem já onde procurar, como é que querem que se casem ( juntem , acompanhem , etc…) e tenham filhos , sem emprego e sem dinheiro? Há coisas que não entendo , nem que o mais pintado mo explique…


Foto: Alameda de Sto André, Guarda

Sunday, September 24, 2006

Doze graus de outono... ontem, domingo





Os pardalitos apatetados de água saltitam e debicam.

O jornal aberto sobre a mesa do café discorre sobre coisas e loisas. Sem captar a atenção.

"Tengo una camisa negra... " enfronha-se na cabeça o dia todo . Tem a particularidade estranha de abanar inconscientemente o esqueleto para não se adormecer na tarde cinzenta e pasmada.

Paulo Moura escreveu no seu espaço do "Público" sobre a necessidade que os pais sentiam, quando ele era pequeno e vivia em Águeda, de ver, de estar perto do mar ( hoje, diz ele , pais e filho vivem numa casa junto ao mar) . Pessoas há a quem a presença do mar irrita . Eu procuro nele a calma... Por isso é que, de vez em quando, lá tenho de, obrigatoriamente, ir até ele. A água do mar , mais que a do rio ou do lago ou da fonte, lava as feridas; aquela imensidão limpa a alma e dá asas e, por instantes que seja, mesmo que apenas em sonhos, oferece a viagem, o caminho, uma saída... A montanha só mostra horizontes largos, se estivermos bem lá no alto; de contrário, sufoca, prende, atrofia...
Depois, de repente - há quanto tempo não me lembrava... - veio-me à memória que, em Águeda, também por lá passei breves dias, o tempo de Neil Armstrong ( 20/07/1969) dar uns passinhos pela Lua e dizer aquela célebre frase “Este é um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade", frase que , mais tarde , vim a descobrir, não tinha sido uma inspiração do momento, mas que tinha sido" programada" antes da viagem... ( Assim se perde a inocência das coisas da vida!!!). O meu avô é que nunca acreditou naquela "indrominice" e também há pouco tempo descobri que, afinal, não foi só o meu avô que não acreditou na passeata. Ainda hoje , muito boa gente não acredita... E isso dá que pensar... Quer dizer, eu farto-me de pensar, não é que adiante grande coisa, mas penso, penso muito... Certas pessoas até consideram que eu nem devia pensar...pelo menos, tanto!

Dado meteorológico: Hoje a temperatura subiu até aos 16 graus...

Fotos: Teatro Municipal da Guarda ( vista da rua e ao rés da rua Batalha Reis)

Saturday, September 23, 2006

Outono...


Amalucadas, aos voos saltitantes, andavam duas pegas rabudas e um gaio, no meio da folhagem verde amachucado.

O Outono convocou chuva e granizo mais o sol e as nuvens, ora branquinhas branquinhas ora escuras de noite negra. Intermitentes.

Capinhas da chuva passeavam-se poucamente por todo o lado.

Notícias falsas e verdadeiras desmentidas umas atrás das outras convivem alegremente.
Notícias pensadoras e pensativas desatam gargalhadas amarelas " MP ( de Ministério Público - a explicação é minha) iliba magistrados e acusa jornalistas de violarem "envelope 9""
"SRU ( Sociedade de Reabilitação Urbana) de Gaia à espera da nova legislação para ser criada", mas acrescento eu, pelo que ouvi ontem na TV, já há projectos para essa sociedade concretizar que já foram aprovados. Trabalha-se rápido ou não?
Bin Laden, seja lá quem for a personagem, morreu de febre tifóide, mas, afinal, não há como confirmar...

A impressora feita doida imprime ( que não faz mais que a obrigação dela!!!) folha sim folha não. Pensa que estou para a aturar...

Visto camisola ( parece que estou desconfortável) , mas logo a seguir , sinto calor: este tempo dá-me cabo do juízo... Já sei que é um tempo muito bonito( fum!) , folhas de todas as cores daqui em diante, castanhas, marmelos, tangerinas , tudo colorido e perfumado, mas, quando penso na descida da temperatura e nos casacos a pesar-me nos ossos e nas camisolas a enchouriçar-me toda que nem me posso mexer à vontade, lá se vai a beleza e a poesia toda...

Este "escrito" vai cheio de espaços , porque as ideias vêm aos solavancos, entre tarefa e tarefa...

"Doidas doidas doidas andam as galinhas" anuncia na TV e faz de conta que há uma criança pequena e uma mãe tontinha a cantarolar com ela ao colo... se possível, com os bracinhos fininhos à volta do pescoço... faz de conta...

Wednesday, September 20, 2006

A Hungria e o Pinóquio

Por um país de nome Hungria, um primeiro-ministro teve a honestidade (!!!!!!!) de confessar - que tinha andado a mentir durante ano e meio ... (Vá-se lá saber por que diabo lhe deu para tal confissão!!! só que as paredes continuam a ter ouvidos e há coisas que nem às paredes se confessam!!!) Vai daí os húngaros, pelo menos alguns, puseram tudo em polvorosa... Tem um piadão imenso tal reacção por terem os húngaros , pelo menos esses , acreditado nas palavras de um político. Depois por se terem admirado por ele reconhecer as suas mentiras. Há outros países em que os políticos mentem descaradamente todos os dias e ninguém se surpreende nem reage. Acho que estes são já muito mais maduros politicamente... Eu estou a falar, mas nem sei em que país ou continente é que isto se passa, é só falar por falar... Efeitos do furacão, que, afinal, ficou uma tempestadezinha... e ainda bem, aliás , até ajudou a desencalhar um navio que por lá estava encalhado há meses... Não há nada como um furacão, mesmo com pouca força, para pôr alguma ordem em alguns assuntos.

Tuesday, September 19, 2006

Devagarinho, o verão...


Vinte e quatro graus, quinze horas.
Chego à janela e espreita-me o sol e é quanto me basta para me vestir de boa disposição.
(Sim! Que, para mim, os dias enevoados e nevoentos são um pesadelo. Bem posso repetir para os meus botões que o Sol lá está no seu sítio a lançar os seus raios amarelos para a terra, mas nada me convence a não ser ele próprio sol a brilhar. )
Se estiver sol, já nada me complica com o sistema nervoso, por muito que tentem as circunstâncias e as invejas da vida... Sei que é uma mania como muitas outras, mas é assim. E se estiver uma temperatura tipo manguinha curta ou uma camisolinha é o ideal...
Vou egoísta pelo caminho fora e não quero saber de nada...
Parece que até houve ontem um Prós e Contras ( Fátima Campos Ferreira anda amordaçada? quer dizer , eu só pergunto a propósito de outros "Prós" , que Contras não existem em Portugal , tudo alinha pela mesma Cartilha; ainda se poderá perguntar, por enquanto, que o rumo que isto leva... cala-te boca!) sobre Ensino , Educação e outros "palavrões" que tal e tudo foi tão pacífico ....... Esperava ver no Abrupto do Pacheco Pereira umas palavras sobre o assunto, mas , para já, rien... de rien...
O Papa Bento XVI ( ainda não percebi por que razão não é Benedito como em Espanha e Itália, por exemplo; li uma explicação - quem me manda a mim ler tanto? e pensar outro tanto? - no Ciberdúvidas , mas não fiquei convencida ( pois, também é verdade que não sou fácil de convencer! dizem...) continua a explicar-se e reexplicar-se... Já uma pessoa não pode dizer o que lhe apetece, filosofar, falar entre pares, intelectualizar ( esta ocorreu-me agora, não sei se existe?!) Tem que guiar-se pelos padrões islâmicos? Ainda não entendi esta!
Vem também um furacão a caminho dos Açores, nem o anticiclone lhes vale... Mas a Protecção Civil sugere ( SUGERE???) estas e aquelas precauções de alerta vermelho. Enquanto a protecção Civil , perante um alerta deste tipo sugere ( tão queridos!) , uma Coordenadora de Acção Educativa ( ainda existe isto?) lá para as bandas do Norte ( seja lá o que for que Norte quer dizer ) ameaçou uns pais ( mais mães que os pais não se metem muito nestas questões, as mães é que sabem de educação, ai que veneno estou hoje! ) de mandar a GNR ir buscar as crianças que há oito dias não aparecem na escola ( a outra, porque a deles ali está na fente da imagem toda linda e fechadinha, mas ninguém vai lá explicar coisa nenhuma, que era apenas o que as mães pediam, que alguém explicasse alguma coisa) , GNR que, muito bem diz que só o Tribunal lhes dá ordens... Valha-nos ao menos isso!
Lá voltei em força aos parêntesis!!!
Não é mesmo um belo dia de sol?
Entretanto, todos os caminhos rodeiam, sobem e descem, tudo à sombra da Torre de Menagem.
Em Espinho, caminha-se perpendicularmente
paralelamente
ao mar...

Foto: Sé Catedral da Guarda, vista a partir dos " balcões" da Praça Velha.

Sunday, September 17, 2006

Antigo ou moderno























Para todos os gostos...
Fotos:Teatro Municipal da Guarda ( TMG) ; "G" da Rotunda do Torrão...
Igreja da Misericórdia; Sé Catedral - Guarda( porta principal);

Ideias de fim de semana

Li na “ Visão” de 14 de Setembro de 2006 ( artigo “ Duelo em Nova Iorque) o seguinte: “… Ahmadinejad não ganhou grande respeito internacional com a sucessão de disparates que fez, desde que foi eleito, em Agosto de 2005. À proibição da divulgação de música ocidental na rádio pública, com os «antinaturais» Bee Gees à cabeça, seguiu-se uma renovada «caça às antenas parabólicas», em nome da «segurança psicológica» do povo iraniano. Às purgas de diplomatas e professores universitários, seguem-se… “ etc. etc. etc..
Agora, vejo notícias de manifestações contra as palavras do Papa Bento XVI nas ruas árabes … Há aqui qualquer coisa que não bate certo…Afinal, em que é que ficamos? Esses povos árabes têm ou não têm acesso às televisões ocidentais? Se não têm… cada um faz a reflexão que entender…
(A ignorância é muito atrevida.)
Depois, também podiam aproveitar para ler a História de Maomé, mas parece que também a desconhecem… os que sabem ler , estão proibidos de falar… ou não?
Mas isto são ideias que me dão assim de quando em vez…

Saturday, September 16, 2006

Setembro, quinze graus

































Verão de meia manga,
Sol timidamente luminoso,
Brisa ligeirinha de 15 graus centígrados,
Esplanadas rarefeitas
- uma televisão fora de tom grita bizarras notícias
“ a cidade da Guarda é o epicentro………… “ das capitais ibéricas
( dá tanto jeito a palavra “ibérico” quando convém)
E daqui e dali , são apenas pouco mais de … xis horas
ligada por auto-estradas a todo o lado
parece que afinal os caminhos passam todos por aqui
mas passam ao lado e levam para todo o lado
o contrário de “ todos os caminhos vão dar a Roma”
( mas isso é a velhice do Restelo a moer)
Chamada de atenção para turistas e empresários
( onde estão onde estão???)
Ou acrescenta a verve venenosa
P’ra todos fugirem daqui p’ra fora
Montras vestidas com moda de há trinta anos … ou mais…
Arroz e pétalas de rosa esparzidas no chão moderno de granito em barra,
Silêncio sossegado sem sons sem pessoas,
( ainda há quem diga “ ao fim de semana vou para o sossego de uma casinha que reconstruí na aldeia !!!!”)
Pinceladas brancas pelo céu azul clarinho
Riscado de linhas finas memos finas mais grossas
Dos rastos de aviões que vão e vêm
Esquinas vazias casas paradas
Passam passos vagarosos esguios ao sol sereninho,
A escaparem-se num instante pela rua abaixo,
Olhar para nada de tanto conhecer a calçada
E os sítios e as varandas e os telhados e um cruzeiro,
Sempre ali especados imutáveis…
A tarde caminhava calculadamente
Pela tarde fora…
( Fotos: Sé da Guarda-pormenores)

Wednesday, September 13, 2006

Pratos e talheres ou telhados de vidro ou cabeças pensantes

Não queria acreditar, mas juro que ouvi na televisão: os alunos de uma escola do 1º ciclo que têm que se deslocar da sua terra para outra ( adivinharam que a escola deles fechou?) em autocarro, também têm que levar os pratos e os talheres para almoçarem... nas mesmas mesas em que estudam. Veio o Presidente da Câmara ( seria? ) de Sernancelhe explicar que não sei que entendidos de não sei que Direcção Regional ( o Presidente(?) até se entaramelou todo para identificar tais personagens!!!) foi lá ver e viu que era possível comerem nessas mesas. Que é possível é, agora não sei se será pegagógico ou higiénico. Andam os Professores a ensinar às crianças , no Estudo Acompanhado, e não só, a importância de terem um local próprio para o estudo em casa , com todos e mais alguns conselhos e, afinal, as próprias instituições que deviam zelar por essas questões, acham que tanto faz! E escandalizavam-se as pessoas, ainda há bem pouco tempo, de que havia crianças a fazer os trabalhos de casa na mesa, onde, depois, a família tomava as refeições. Afinal , o grande problema não era esse ou seria?
A imagem da tv lá mostrava as criaturas com a pasta às costas e um saco com os pratos e os talheres à espera de um autocarro... Ninguém percebeu o triste ridículo a que sujeitam tais crianças, para já não falar no desconforto da situação? Por enquanto , Pais e filhos levam o caso na risota que não são risos de contentamento.
Mas a Exma Senhora Ministra da Educação andava por outras paragens onde as águas estavam calmas e serenas, porque, quando as pessoas nunca tiveram nada, qualquer coisinha é algo...
O antigo Presidente Américo Tomás também foi a Lagoaça lá pelos idos de 1968... a mesma que está encerrada ou a encerrar e nem sequer é para balanço...
Ao ler o jornal, encontro-me com a notícia acima:
In “Público” de 14 de Setembro de 2006, diz uma mãe e transcrevo: “Até pratos temos de mandar para Sernancelhe para eles comerem na mesma mesa onde estão durante as aulas” .
E diz o Presidente da Câmara de Sernancelhe e transcrevo:
“ No que respeita ao facto de as crianças terem de levar os pratos de casa para as refeições, José Maria Cardoso explicou que a ideia era que, « como as crianças estavam deslocadas da sua terra , se sentissem mais em casa». « Não foi para poupar dinheiro porque até temos uma empresa que oferece os pratos . Era uma medida simbólica.(…)»
Para reflexão…simbólica do estado das coisas por esse país.

Rentrée


O despertador azucrina o meu sono.
Acorrento-me ao relógio ( esquecido umas semanas no fundo de um saco) e enfeito-me com duas gotas ( não , não é Chanel number five! ) de Romeo de Romeo Gigli. Antes de sair.
Prendo um casaco (que terei que vestir mais tarde) entre os dedos. O céu cinzento anuncia a chegada da chuva.
Não deixo em casa a boa disposição, nem por arte deste ar rabugento do tempo.
Na esplanada solitária, sento-me um instante para o café do costume sob os olhares críticos dos passantes.
Divirto-me com os meus botões pelo desafio infantil de contra-corrente. Um dia destes, mais cedo do que tarde, as mesas da pequena rua de peões não vão estar aqui durante laaaaaaaaaargos meses.
Andamos às voltas no limbo dos papéis.

Tuesday, September 12, 2006

Lagoaça: a escolinha vai fechar...


A escol(inh)a de Lagoaça ( de que eu já falei aqui - post de 16 de agosto 2006) vai fechar: é notícia em todos os canais de televisão e escrevem-se notícias nos jornais... e as crianças vão ter que ir para Freixo-de-Espada-à-Cinta... 20Km... para quem conhece tais estradas, sabe que parecem 40 pelo menos e os Invernos por ali são aqueles "velhos" Invernos e parece que não há aquecimento na Escola da sede de concelho , aquela tal em que fiz exame de quarta classe e ir "apanhar" o autocarro implica levantar muito mais cedo e regressar tarde e, nestes momentos de decisão, ninguém põe na balança estas distâncias e estes afastamentos de casa ou, talvez um dia, isso sirva de diagnóstico de psicólogo, só que , desta vez, não são os pais que não lhes dão atenção...
e o sentimento de quem ali andou há tanto, tanto tempo é de incredulidade:
como se chegou aqui , a este fim de caminho?
Por isso, recupero a foto.

Sunday, September 10, 2006

Passeio com almoço



Enquanto alguém deixa terras algarvias com muita saudade do mar do sul, vamos passeando por cá e para lá da fronteira, ainda no Verão, como indica o calendário.

Temos que nos ir habituando ao relógio...

... sem pensar ainda nos agasalhos que tolhem os movimentos e pesam sobre os ossos e a disposição...