Friday, September 01, 2006

Telenovelas

As notícias dos jornais e telejornais são autênticas telenovelas para seguir de episódio em episódio: umas são recorrentes nesta época - compra dos livros e a quantia que se gasta em cada início de ano lectivo, colocação dos professores e aulas; férias judiciais; - outras aparecem como rescaldo de antes do Verão - encerramento de maternidades e providências cautelares; e mais recentes ou nem tanto: envio de forças para o Líbano...
A mais explosiva ( não, não são os incêndios!) parece ser o chamado " Caso Mateus". Não sei quem é o sr. Mateus , mas fartam-se de falar nele umas inteligências bacocas que andam por aí por este nosso Portugal...
Depois há assim umas pérolas como as das taxas de alcoolemia e da velocidade que a lei proíbe , em relação à primeira, conduzir com uma taxa superior a 0, 5g/l e, em relação à segunda estipula velocidades máximas conforme as vias em que se circula, como toda a gente sabe... Mas afinal, deve haver uma tolerância que parece valer como lei, porque as máquinas que controlam essas questões não são muito fiáveis...Lindo!!! Quer dizer , são leis que não se devem levar muito a sério, o que muitos portugueses também já sabiam... O facto de a PSP reconhecer isso é que é giro!
Como se ainda não bastasse, agora a poluição é tanta que estão a pensar baixar a velocidade máxima na auto-estrada para 118 km/h... é uma brincadeira ou não é?

Thursday, August 31, 2006

Outra casa...


Aqui era Vinhais! Aqui a B. fez dois anos da Escola Primária num só. Aqui a M. partiu o queixo e racharam-lhe a cabeça. Aqui a A. teve terríveis frieiras e uma infecção grave à conta disso... Com o tratamento de choque, nunca mais sofreu de frieiras.
Aqui a Aninhas de Curopos e a Aninhas do Landedo faziam , desde as seis da manhã - aquilo é que era estudar!!! - exercícios de Matemática do " Palma Fernandes", antes do exame do 2º ano... ( hoje 6º) . Aqui executavam-se tapetes de flores na festa. Aqui a neve era branca, fria e imensa!
Aqui escreveram-se os primeiros bilhetinhos. Não, os segundos, os primeiros tinham sido em Lagoaça! Aqui jogava-se ao ringue como nunca mais vi jogar, aliás, quase ninguém sabe o que é um ringue!
Aqui esfolavam-se os joelhos dia sim dia sim e não era nenhuma tragédia! Aqui começou a estudar-se Francês com o Padre António e resolvi o meu destino profissional ( que precoce!)!
Aqui havia os "Diabos" e as "Mortes" nos Carnavais! Nunca mais vi nenhum Diabo... Andam todos disfarçados... Aqui acendiam-se grandes fogueiras nos rigorosos Invernos...
Viam-se as touradas na televisão do café. Brincava-se na rua até tarde no Verão...
Aqui foi mais uma passagem...
As portas e os caixilhos das janelas ( 1º andar) antigamente pintados de vermelho estão adulterados e desmaiados pelo passar dos tempos...

Era domingo!!!






















Despediram-se devagarinho das ruas que tinham sido o seu " pueblo" por aqueles dias em que já tinham o seu sítio para o café do meio da manhã e para um copo de final de noite... como velhos conhecidos e meteram-se por estrada em ziguezague em direcção à fronteira e Bragança...
Passaram por França, já em Portugal, rindo da curiosidade e alguém lembrou um documentário sobre emigração para justificar tal desacerto na toponímia.
E as pessoas não querem acreditar, mas é verdade: Tínhamos saído dias antes de casa direitinhos a Sanábria e chegámos sem dificuldade ao exacto local onde íamos pernoitar. Em Bragança, já andámos às voltas para encontrar uma indicação com a saída para Vinhais e acabámos por ter que perguntar que não havia meio de encontrar uma informação. Esta ida a Vinhais estava prevista no roteiro tipo roteiro da saudade. Já lá tínhamos ido anos antes , mas foi aquela cena de levar uma máquina fotográfica avariada e , portanto, deu-se aquela situação de chegar ao fotógrafo e ficar com cara de parva tal como a outra em que a máquina não tinha rolo... Num e noutro caso, é muitas vezes grande o desgosto, porque nem sempre se pode voltar ao mesmo lugar e, de qualquer modo, já nunca se repetem as situações...
Fomos a Vinhais: etapa de uma vida nómada de há muitos anos , tantos que aquele concelho parece ter parado no tempo e eu já não tenho propriamente nem dez nem doze anos... dali só se volta a sair pelo mesmo caminho, às curvas e contracurvas por Bragança.
Parada, estúpida de saudade dos jogos do ringue em frente ao colégio ( Externato) e dos joelhos esfolados e lavados das areias no fontanário que continua tal e qual, dirigimo-nos a um residente a pedir a informação desejada com um nome e , na minha memória, o retrato de uma jovem com uma trança espectacular . O homem agarrou no carro dele e seguimo-lo. Aí chegados, verificada a identidade da pessoa procurada, já nos despedíamos do senhor " não, não, eu agora entro e bebo um copo" . Estávamos literalmente a viajar no tempo, naquele tempo das portas abertas e do "entre quem é" que eu já escondera no recôndito da lembrança... E , nós a medo que o dono da casa fora chamar a mulher, instados a entrar pelo vizinho que se sentou tão à vontade como se a casa fosse dele e não saíamos ainda do nosso espanto, chegou ela, a menina da trança, afinal agora ela mais baixa que eu, e já sem trança, mas com um abraço que atravessou décadas sem nenhuma barreira a não ser a das circunstâncias da vida... para desfiar memórias de crianças...
Foi breve o encontro, porque era a viagem de regresso das férias ( enfim!!!tinha que ser , não é? ) e havia outro encontro pelo caminho... Breve, mas rico...
Antes de partirmos do "regresso ao passado", o F. ofereceu-nos dois lindos botões de rosa. Estão ali entre as páginas de um dicionário...

Transumância... ainda em Puebla de Sanábria


Sem querer, assistimos a este espectáculo...
lá iam a caminho de pastagens mais férteis ovelhas e carneiros indiferentes ao espanto das pessoas . Atravessaram a povoação como sempre, desde há anos anos e anos...

Sanábria























Era sábado: a manhã chegou silenciosamente muito silenciosamente e com um calorzinho saboroso a anunciar um agradável passeio nas paisagens de encher o olhar e o coração e sol junto ao lago ali mesmo à beirinha da água com umas ondinhas splash splash splash pequeninas juntinho aos pés a embalar os mais sonolentos ( houve mesmo quem passasse pelas brasas) ... que nem se deu pelo deslizar do tempo...

Wednesday, August 30, 2006

Puebla de Sanábria


















A manhã seguinte chegou fresquita fresquita…e reservou-se o dia para a visita dos monumentos…o castelo, as ruas, as praças, os gigantones…e o Rio Tera, a História cruzada com a nossa - a batalha de Toro e a ajuda portuguesa contra os franceses no tempo de Napoleão registadas no filme da Sala de Audiovisuais do Castelo - e o aperitivo no miradouro e o almoço já integrados no ambiente e passeio e mais passeio e sempre o encanto de cada recanto... e as conversas sem pressas... e os jogos do Trivial para terminar o dia acompanhados da aguardente "tostado" com sabor a mel...

Lago de Sanábria



Sol e mergulhos no lago ( houve quem se abstivesse da água tal a satisfação de estar ali naquela paz ao sol com aquelas companhias ) e exploração rápida do local antes do jantar... jantar à maneira espanhola "para compartir" com um bom vinho a acompanhar...
Noite no Bar Central...
Para quem tiver muita curiosidade, espreitar, por exemplo http://www.sanabria.tk/ porque qualquer outra palavra será demais...

Rua de Braganza


Tempo de meter roupa na máquina, passar a ferro, voltar a fazer as malas e lá foi o trio direcção Puebla de Sanábria, via Zamora. Tudo bem sinalizado. Houve um engraçadinho que se enganou a meter o gasóleo... Achou o Diesel A mais barato que o gasóleo normal em Portugal que toca de atestar Diesel A todo satisfeito... Só quando começou a ver o outro preço ainda mais barato é que se compenetrou da falha... "La encomienda" junto a uma barragem foi a paragem para almoço já pelo horário espanhol... que isto de andar por outros países tem que seguir a norma " em Roma sê romano" e, então, uma pessoa vai-se adaptando pouco a pouco...Chegados a Puebla de Sanábria, encontrou-se o "Hostal" Carlos V sem problemas, os quartos óptimos, ah e o sossego para dormir como há muito tempo não se ouvia!!! E abertas as janelas , a vista ah a vista ...

Tuesday, August 29, 2006

Paragem ... na praia de...?





















Após o Cruzeiro no Douro, em que lavei a alma e os olhos, muitos trechos do rio evocaram imagens do passado, dos antepassados longínquos até ao tempo de D. Afonso Henriques e das vidas todas que se escoaram por terras dessas margens, dos avós mais próximos e das saudosas férias grandes , mesmo grandes tão boas... tempo para a passagem sacramental por uma praia que tem também um bonito lugar nos meus verões com o almocinho da praxe a olhar para o mar... com o J. e a X.... Que mais se poderia desejar entre passeios?

Monday, August 28, 2006

O Douro...ainda!

Do Douro...


















Ainda alguém se lembra de um texto da " Primária" em que eram apresentados o Tejo, o Douro e o Guadiana ( era esse o título do texto , não percebo por que razão não era "Douro, Tejo e Guadiana"...) como três irmãos que, à medida que iam acordando, partiriam em direcção ao mar? Lembram-se? O Guadiana acordou cedíssimo, como menino bem comportado e lá foi, escolhendo os mais bonitos locais para se espraiar... O Tejo acordou já mais tarde; teve que se despachar e já não pôde escolher umas margens tão belas... O Douro acordou em último lugar e, quando viu que já era tarde, lançou-se por montes e vales , a correr até ao mar, sem tempo para escolher caminhos...
Por este motivo, por esta agreste escolha e porque conhecia, na altura da leitura do texto, a beleza selvagem desse rio, ali , pelos lados de Lagoaça, sempre o preferi aos outros. Talvez ainda porque detesto levantar-me cedo... e talvez não goste muito de gente pasmada como aparentava ser o Guadiana...
Enfim, agora nm livrinho fininho de passatempos de Língua Portuguesa( 5º ano), reencontrei o dito texto ( ou alguma versão do mesmo) : Teófilo Braga, "Contos Tradicionais do Povo Português", Publ. D. Quixote.
Termina assim: " O Douro foi o último que acordou, por isso rompeu por montes e vales, sem se importar com a escolha, e eis porque as suas margens são tristes e pedregosas."
Entrevejo aqui uma crítica ao mano preguiçoso...
E se as margens eram tristes e pedregosas naqueles tempos de gente muito madrugadora, não sei... agora são assim desta beleza !!! Penso eu...

Sol...















Na Praia da Apúlia a apanhar muito sol com um intervalo para um belo almoço no " Camelo" frente a uma paisagem magnífica de mar, sol e moinhos...

Ai, Agosto...


Mar... tanto mar...

Saturday, August 19, 2006

Casas...



São dias são momentos são lugares são casas ... na memória: esta é a casa da baía, onde nasceu "a mana do meio", e que eu recordo amiúde e já falei dela em outras páginas e outros dias , por exemplo a 4 de Março, a casa que (quase) vem nos livros , porque a Concha lá vem toda esbelta exposta indiferente,como se eu não tivesse nada a ver com ela...
aquela onde eu nasci , não sei dela, anda escondida nos minhas lembranças de adolescente, a estas horas já nem é real, submersa em alguma urbanização tipo condomínio fechado...
A outra é a da Serra de onde se vê o Douro da Cruzinha, já falei dela quando passeei por lá em saudade ... Nasceu lá a " pequenina"... As portas estavam à época pintadas de vermelho e íamos buscar água a uma fonte no meio da praceta: não tenho fotos dessa fonte - já não existe!
Habitámos mais casas , mas em nenhuma delas nasceu, no nosso tempo, uma criança... nessa outra casa algumas casas depois, quando as crianças chegaram , já tinham cinco dias... primeiro , uma linda "senhora", depois , um belo " senhor"...
Esta tarde deu-me para isto!

Mudam-se os tempos...


Está ou não encatrafiado lá no canto, reduzidíssimo a uma insignificância que a História NÃO lhe atribui?????? Nem os amores...

Mas a foto tem outra qualidade, lá isso...

O "Sancho", perdão , D. Sancho I: Antos e depois...




... O " Sancho" , perdão , Sua Alteza D. Sancho I , O Povoador, o da Ribeirinha... no anterior local onde " pontificava " , segundo as crónicas, há mais de 50 anos no centro da Praça Luís de Camões, mais conhecida por Praça Velha( que é isso comparado com a idade da Catedral?) , local de onde já tinha sido "extraído" um antigo coreto ( ainda teve sorte o Sancho, perdão , D. Sancho, que não desapareceu !!!quer dizer, ficou nas fotos antigas e nas memórias de alguns...) e o mesmo D. Sancho encatrafiado nas correntes de ar ao canto da Sé, tendo estendido na sua frente um tapete frio de granito escorregadio em manhãs de geada ( a aparência de relva verde estendida no chão desde o Mundial é mesmo aparente, aliás é sintética! - pois se a rela fosse rela, outro galo cantaria... - e ninguém sabe se é para ficar; pelo menos , no Verão retirou alguma frieza à Praça Velha deserta e a garotoda andou por lá a brincar) ...
O único comentário que faço é que o verbo "encatrafiar" existe mesmo: é só ver no dicionário!
E as fotos mais antigas não foram feitas em digital... nota-se à distância...

Friday, August 18, 2006

Belém

Acordei estremunhada
esta manhã molhada
de verão de inverno
uma fria chuvada
descia pela estrada!

Lá longe no caminho
Rodeada de carinho
Desabrochou uma vida...

A partir de agora
Pelo tempo fora
Belém não é só um lugar
É uma pessoa ímpar!

Thursday, August 17, 2006

Tudo normal!...

Sai uma pessoa de manhãzinha
sozinha
para tomar café
e fica com os cabelos em pé
andam a fazer limpezas
pelo meio das mesas...

No quiosque com alegria
diz bom dia
Sobrancelhas levantadas
Dizem-se espantadas
Ninguém responde à saudação
nem por educação.

De volta para casa devagarinho
De mansinho
Obrigatório parar nos sinais
Que os demais
Disparam em veloz corrida
Sem respeito pela vida!

Vive-se na grande aldeia
já a tudo alheia
Como na cidade indiferente
Anónima solitária gente
A comprar um jornal,
Portanto tudo normal!

Wednesday, August 16, 2006

Inverno



Dia 16 de Agosto: Dia de Inverno! Não, não me enganei: é mesmo assim hoje o dia. Depois de temperaturas altíssimas, de sufoco, drasticamente as temperaturas desceram com ameaças de trovoadas e inundações! Mas animou-se o dia com umas visitas muito queridas, saborosas como chocolates suíços, e uma amiga deixou-me um recado lindo e, não tarda nada, para asemana, vou regalar-me a passear pelo Douro acima até à Régua ...Só espero que o S. Pedro tenha um bocadinho de juízo e reponha as temperaturas normais para a época... Lá se inaugurou o troço de 9Km( falta o de 21KM com aquela célebre "bossa de camelo em que futuramente se terá que reduzir de 120KM para 80KM e a providência cautelar da Associação dos Cidadãos Automobilizados não foi aceite pelo Tribunal...) Mangualde- Viseu ( está uma belíssima auto-estrada com locais em que não se pode andar a mais de 100km/h para se sair daqui para fora arejar junto ao mar!!!), porque tudo precisa de ser inaugurado... - afinal estes 9Km não foram inaugurados - foram só abertos ...) Ainda um dia destes veio um Secretário de Estado inaugurar a nova sede da GNR- BT... nova sede ... ALUGADA! por isso... ( quando falam em inauguraçõe e visitas lembro-me logo do Américo Tomás, que é que querem? e da minha escolinha de Lagoaça e da de Anadia , em épocas diferentes, claro!) Por falar em Lagoaça, eis a escolinha... e a Escola ( agora não sei o que lá funciona!) de Freixo de Espada à Cinta, onde fiz exame da quarta classe...Sim! Não parece , pois não? Mas já houve exames da quarta classe!

Tuesday, August 15, 2006

Rosas...


Bate o sol em branco
nas paredes das casas
da serra esturricada...

Tonteia pelos montes
em desnorte de asas
uma ave assustada...

E, num jardim à margem,
no meio da folhagem
verde aperaltada,
vive um botão em flor
por momentos escassos
(que tisna tudo o calor)
e amanhã de manhã
uma rosa em esplendor
desmaia de rubra-cor
nos castanhos abraços
da terra chã...