Wednesday, June 28, 2006

Andar nas nuvens...


Já decidi que não gosto muito da aragem do Outono em pleno Verão! Também decidi que contra tudo e contra todos, não vou esquecer uma série de questões que este ano me deixaram apreensiva só porque anda tudo histérico à volta de uma bola…não sou capaz… Desde o início deste ano lectivo fiquei assim: incrédula com tudo o que se passa à minha volta , à volta da minha profissão. Ainda não despertei , fiquei neste estado, perdi a euforia, como quem recebe uma martelada e ainda não sabe bem onde está…
Realmente quem vir os noticiários de todos os canais televisivos em Portugal, é levado a pensar que há apenas um tema no mundo inteiro digno de notícia , o que não corresponde à verdade: é aconselhável ter paciência e esperar para ver outras notícias ensanduíchadas entre as da bola. Refiro as de Timor Leste, que um dia destes lá passarão para a abertura, acordados de espanto a perguntarem-se todos como é possível, como foi possível ; as de Gaza; as do assassino em série ( ninguém tem dito esta frase em português , dizem “ serial killer” como se fosse o nome de uma série; ainda não percebi se era para as pessoas não perceberem a gravidade da situação se para parecerem muito intelectuais … assassino em série numa terrinha de cinquenta habitantes do tal país de brandos costumes é mais duro de ouvir , não é?) de uma terra de paz podre… e mais não digo… Se querem andar nas nuvens , que andem…( alguém deu conta do projecto de correio electrónico com dez milhões de caixas de correio electrónico anunciado com pompa e circunstância pelo nosso mais manda –chuva de todos? Mas quem disse a essas pessoas que eu não quero continuar a receber cartas de verddade? E caixas de correio electrónico para essas terrinhas a quilómetros de distância do correio? As pessoas nem têm mais que fazer do que ir cada dia 40 ou 50 Km, não sei como, ver a sua caixa do correio? Ninguém acha absurdo? E porque todos têm que ter a sua caixa de correio electrónico? E se as pessoas não quiserem? ).
Repito: Se querem andar nas nuvens , que andem… Eu estou assim com este feitio azedado e prefiro andar nas nuvens mas atenção: nestas nuvens que se situam em
http://www.cloudappreciationsociety.org/gallery/

Saturday, June 24, 2006

Dia 23 de Junho, o dia mais feliz do ano!!!

Quando li uma curiosidade publicada no Público de hoje, in o Insólito “ o dia mais feliz do ano foi ontem, dia 23 de Junho “ ( determinado por uma fórmula matemática por um tal Cliff Arnalff professor universitário – o mais deprimente é o dia 24 de Janeiro …pudera , o mês parece tão comprido depois do Natal e do Ano Novo que admiração, nem era preciso fazer cálculos matemáticos … ) é que entendi por que razão a Alice L. subiu para um dos pilares do Jardim de S. Lázaro , em plenos festejos de S. João no Porto, fez ontem xis anos ( primeiro ano de trabalho das meninas em Anadia , Escola Preparatória inaugurada nesse mesmo início de ano lectivo por Américo Tomás – onde isso já vai, a era pré 25 Abril, o de 74 do século passado!!! E ainda havia exames do 2º ano do Ciclo!!!) , levantou o braço , direito ou esquerdo , isso já não sei, e começou a gritar “eu sou a estátua da Liberdade…” Tinha que ser um dia mesmo feliz para que a minha contida e assisada colega se dar a uma atitude extrovertida destas… Não sei se as sardinhas e o vinho , o clima de festa , a erva cidreira ( não consigo lembrar-me, mas creio que ainda não tinham surgido os martelos!!!) , o alho porro também tiveram algo a ver com isso. Tivemos como cicerone e acompanhante o saudoso Alex…
Também me recordei ontem das alcachofras de S. Martinho do Porto e das fogueiras, mas aí as “duas pequenitas” eram mais tipo observadoras…
A manhã de hoje chegou com as orvalhadas previstas para as manhãs de S. João…
A F. faz 77 anos e estava toda activa ... claro que não dispensa novo telefonema dia 1 de Julho, toda vaidosa por fazer anos duas vezes, obra da disparidade entre a data real do nascimento e a do registo...

Friday, June 23, 2006

nascidos em 1980!!!


Pois é: vão deixar saudades estas crianças que partem para outra etapa da vida…por estes dias elas próprias debatiam-se entre o entusiasmo dos “inter-turmas”, a alegria das férias próximas, o alívio das tarefas e a saudade que já andava no ar… mas que querem que diga? lembro-me logo daqueles “nascidos em 1980” . Colocaram a fasquia tão alta (ontem com os meus pensamentos só me lembrava da palavra em castelhano “listón” e foi um cabo dos trabalhos para me recordar da palavra em português… acho que estou a ver muita televisão espanhola !!! como quando me surgem frases do tipo “ passam de mim” ou “ vão votar sim , não?” que soou estranha – a frase- ainda por cima dita numa esplanada de uma praia bem portuguesa; ainda pensei que era do Porto branco fresquinho e cheiinho , mas mais tarde é que “vi” que era apenas um interferência de línguas… agora vou deixar o parêntesis que isto não parecia, mas era um parêntesis) Retomando: colocaram a fasquia tão alta que é difícil serem destronados, mas enfim, são momentos em que tudo se conjuga para ser excepcional, até os astros…
Mas vamos ver-nos por aí…
O Francisco José Viegas deu uma entrevista à Visão ( 22/06/2006) e resolvi que não são só os nomes, os lugares que conseguem despoletar recordações, aliás , já muita gente antes de mim, descobriu que também os sabores ( ai as madalenas de Proust!!!) , os cheiros, um objecto …e sei lá que mais o fazem como um clic…agora foi uma entrevista que fala da infância, dos livros que leu – até achava que apenas eu tinha lido Júlio Dinis e Camilo, além de Eça , mas afinal não: apenas eu os li primeiro que Francisco José Viegas… - das bandas desenhadas do Jornal de Notícias que os pais dele assinavam : eu era mais o Primeiro de Janeiro que publicava ao domingo o Príncipe Valente, a Dona Perliquitetes, e outros de que agora não recordo o nome. O jornal também recebíamos em S. Tomé de Covelas , no Douro, nas férias , pelo correio , um dia depois quando as notícias já estavam ultrapassadíssimas, mas, na altura isso não fazia diferença nenhuma…
Também reflecti que, se não retemos todos os nomes ou rostos dos professores, isso também não tem problema nenhum, embora , por vezes, nos marquem ou por serem excepcionalmente bons ou por serem muito rígidos… Se não nos lembramos , acho que ainda bem, correu tudo com muita naturalidade…como deve ser…
O J. faz anos hoje e andámos por aí a gozar o dia, almoçámos as espetadas de enguias com batatinha cozida, como é hábito por estas bandas e preparamo-nos para, logo, atacar a sardinha assada e caldo de grão ( em outras paragens será caldo verde que , se houver, também segue viagem) …
Só uma notinha: sobre assuntos que me poderiam vir a causar indigestão, não falo…

Wednesday, June 21, 2006

passagem ...


Passagem pela barra de S. Martinho do Porto: já alguma vez disse que o nome de um lugar evoca mil recordações? Pois disse: e repito... E se nomearmos o lugar na sua presença? É uma vida que desfila... recordações a que são chamadas muitas pessoas...

ponto de luz


O ponto de luz brilhante num fundo negro "posted" em 10 de Junho com AVISO... é a lua...quase-quase em lua cheia...
Em contrapartida, esta luz vermelho-fogo é o sol poente...

...sem palavras!


Thursday, June 15, 2006

chuva e sol!!!


Estou na net a euro por quarto de hora e portanto tenho que me despachar... isto é um parêntesis.
Agora a sério: ontem lá viemos cumprir a nossa solidariedade para quem está no hospital há cerca de três meses e, em greve, e, na manifestação, em espírito - para a próxima, hão-de ver-me lá aos gritos , desta vez, não pôde ser pelo que digo atrás ... chegámos óptimos: o non-stress que é uma pessoa ver-se fora de certas terrinhas amorfas e raquíticas, onde uma pessoa se sente encurralada e encontrar-se numa varanda com o mar - escuro, embora- espraiado em frente... sob uma tempestade...acordámos a uma boa hora de tomar um pequeno almoço em frente ao mar , de dar um rico passeio pelo areal fora, de apanhar sol, e de comer uma bela sardinhada, antes de chegar a chuva de novo... à hora do jogo Equador-Costa Rica, é um bom momento para se comprar os novos episódios CSI com o Público ( nem vou falar da notícia a vermelho de hoje , porque são comentários desnecessários!!!) e para se fazer uma massagem crâneo-cervical para ver se abrandam as guinadas malucas da minha cabeça...
Mas já nem me lembrava da beleza do mar com chuva dentro... e tudo tem outra beleza com olhos de não ter nada mais que fazer do que olhar para o mar sem relógio sem pressas - embora haja uma certa pessoa que , mesmo assim, me pressione hahahahahahahahahahahahah eu igoro claro! -sem pressas e sem relógio...também é uma boa oportunidade para se pôr a capinha da chuva e andar feita maluca à chuva sem ninguém dizer nada nem raparos nem nada nem ninguém achar estranho tal passeio...
Pronto! Cá te esperamos, menina que está a fazer o seu portfolio ... que é o mais importante: a tua companhia... E agora vou postar isto que os euros ( 2) estão a findar...

Saturday, June 10, 2006

ROMEO

Tenho andado a procurar um local onde possa comprar quando o meu stock acabar (estou a rimar mas é sem querer) a água de toilette ou eau de parfum ROMEO de Romeo Gigli... Já encontrei via net com portes grátis e tudo... nos Estates quer dizer Estados Unidos da América... E eu já a pensar que tinha que desistir da minha eau de parfum preferida... Isto da net é uma grande invenção!!!
Ah! E está certo : ROMEO e não Romeu, que este departamento é outra questão!!!

... in illo tempore...

" Num regime que concedia privilégios por razões nobiliárquicas, de amizade ou grau de parentesco, critérios como a competência, o merecimento e a honestidade eram inexistentes."
in O Profeta do Castigo Divino de Pedro Almeida Vieira sobre os anos de 1750 , reinado de D. João V.
Qualquer semelhança com a realidade actual é pura coincidência!!!

AVISO


AVISO
Há VIDA para além do futebol!!!

Wednesday, May 31, 2006

Ressaca!!!............

Não me recompus da ressaca das novidades todas para o novo Estatuto da Carreira Docente e das declarações da Sra. Ministra...
Mantive-me sossegadinha num cantinho dos meus trinta e três anos de serviço, a pensar, a pensar , a pensar... como se fosse uma peça de mobiliário: valorizaram-me tanto ( não me tivesse valorizado eu própria já tinha apanhado umas tantas depressões!!!!!!) como àquelas antigas mesas de tampo inclinado de não sei que madeira maciça da biblioteca, onde era muito mais confortável ler um livro devido à postura que se mantinha ( parece que agora descobriram mesmo que esse plano inclinado evitava as tão faladas dislexias, pelo menos em alguns casos) ... foram substituídas por outras menos possantes, menos traumatizantes, redondas, como se as pessoas fossem para um lugar de leitura para ler em grupo... enfim, aquelas antigas mesas andam por lá perdidas encostadas às paredes de uma ou duas salas...um dia destes demos por nós a suspirar por elas... é quase como eu me sinto... encostada à parede encurralada...
A certa altura, no rosto um arzinho fresquito "equilibra" o calor de fim de mês de Maio e, como ainda esta manhã, estive a ler o artigo de Miguel Esteves Cardoso, a propósito da Primavera, exactamente, " A Primavera pede desculpa" no espaço da Revista Única do Expresso, de 20 de Maio de 2006, lembrei-me que lhe podia dizer que não é apenas ele que adora a Primavera, que ele podia ver as fotos das flores e das cerejas que aqui coloquei... pretensões tontas!!! quer dizer, é só para dizer que ele não está sozinho no seu apreço pela Primavera, não tem nada a ver com a sua estadia no hospital nem nada, a não ser que eu, que ando um bocado zonza com as notícias que por aí pairam a torto e a direito, também não ande bem da cabeça e sinceramente , acho que não ando nada bem... e cheira-me mesmo a Primavera!!! Mas ainda é Primavera, não é? Ou já não?
Creio que vou pedir aos meus alunos cuja aula é às quinze horas do dia do jogo Portugal- México ou vice-versa que se juntem aos da turma das dez horas ( mudamos a hora da aula como o Parlamento muda a hora das suas actividades) para depois estarmos livres para ver o jogo... se eu propusesse uma coisa destas , era porque estava maluca e porque os professores só se querem baldar, mas como são os deputados , 'tá tudo certo, tudo bem , tudo numa nice!!! Também não somos menos que os brasileiros e os alemães !!! Que rico país!!!E viva a Selecçom!!!
Recebi, por correio electrónico, uma foto linda de um jardim super-cuidado com as roseiras e sardinheiras muito floridas e todas elegantes... Afinal, ainda é Primavera!!!

Sunday, May 28, 2006

Com uma Ministra assim...

Está resolvido o problema: já se imaginava, mas agora temos a confirmação pela boca da Exma Senhora Ministra da Educação - é só ler as parangonas e a notícia do Jornal de Notícias que nunca é demais ...
«Demolidor. Esta foi a tónica do discurso da ministra da Educação na sessão de abertura do Debate Nacional sobre Educação, ontem, na Maia. Maria de Lurdes Rodrigues justificou o elevado insucesso escolar e a falta de qualificação dos alunos com críticas ao trabalho dos professores e ao funcionamento das escolas. Alguns docentes não gostaram e protestaram dentro e fora do auditório, exortando a governante a adoptar um discurso que respeite a sua dignidade profissional.Poucos esperariam que a ministra abrisse um ciclo de debates, que visa repensar o sistema educativo, com um ataque tão forte e directo aos professores e à organização das escolas. Já o tinha feito, no início do mês, em Oliveira de Azeméis. Na altura, lembrou que Ensino Secundário não pode continuar "a preparar alunos apenas para o acesso à universidade"Ontem, porém, foi mais longe, e foi sem rodeios que Maria de Lurdes Rodrigues justificou a pouca qualificação dos jovens com um trabalho - quer das escolas, quer dos professores - que "não se encontra ao serviço dos resultados e das aprendizagens".A governante lamentou que a escola não esteja a combater as desigualdades sociais. A título de exemplo, referiu-se à organização dos horários escolares que, segundo sublinhou, privilegia os alunos melhores, assim como filhos de funcionários das escolas."No conjunto de regras de funcionamento da escola tem de se lhe inscrever a preocupação com os resultados dos alunos, medidos quer na provas de aferição, que pela qualidade dos diplomas e das competências adquiridas pelos alunos", realçou. Maria de Lurdes Rodrigues criticou, ainda, a cultura profissional dos professores. Segundo disse, ela é marcada pela actualização dos conhecimentos científicos, mas "não é uma cultura em que os principais desafios sejam os resultados" . Por outro lado, lamentou que os professores trabalhem individualmente, e não com espírito de equipa. "As reuniões nas escolas são cumpridas apenas porque os normativos legais assim o mandam", sublinhou. Para explicar melhor onde falham os professores, a ministra da Educação comparou-os com os médicos.Assim, disse que, enquanto para estes últimos, "o desafio máximo é o caso pior e mais difícil do hospital", nas escolas a cultura profissional dos professores não os orienta para os casos mais difíceis. No seu entender, há uma aristocracia nas escolas que reserva os melhores alunos para os professores mais experientes, e os piores alunos para os professores mais novos na profissão. Em resposta, Paula Romão, presidente do Conselho Executivo da "Secundária" da Maia, recordou à ministra que um médico, colocado perante 30 doentes com patologias diferentes em simultâneo, teria dificuldade em escolher o caso pior. Por seu turno, Isabel Cruz, directora de um centro de formação de professores, criticou os ataques feitos pela governante à classe, cuja imagem utilizada - como referiu - faz do professor "um baldas, que não quer trabalhar". A docente exortou a ministra a dialogar mais com os professores e a deixar-se de "mandar recados pela Comunicação Social".
JN, 30/05/2006»
Dizia eu , está resolvido todo e qualquer problema do país. Os culpados estão identificados - os professores, esses malvados, incompetentes, malandros, faltistas ( anoto que estou a ser irónica antes que alguém pense, com a incapacidade que os seus professores tiveram em lhe incutir espírito crítico, - continuo a usar a ironia- que estou a falar em sentido literal) , que não fazem reuniões senão aquelas a que são obrigados por lei ( se fizessem uma por dia talvez fosse proveitoso para os seus alunos como o são as aulas de substituição ... deve passar por osmose o conhecimento) , não se preocupam com os alunos, enfim , não se preocupam com nada de nada ... A comparação com os médicos , então é uma pérola... Dizia eu - estou a repetir-me , não sei se a culpa foi dos meus professores todos , as professoras da Escola Primária de S. Martinho do Porto , as de Lagoaça, os Professores do Externato de Vinhais , os do Liceu Nacional de Bragança ( um período), os do Liceu Rainha Santa Isabel no Porto ( já não existe, eu sei , mas existiu, garanto !!!) e at last but not least todos os doutos PROFESSORES da faculdade de Letras de Coimbra ( olhem que isto é fina ironia!!!) - que o problema e os culpados identificados, basta mandá-los para Espanha... e importar os que se prepararam do lado de lá da fronteira "quebrada"...
Com uma tutela assim...
Entretanto, o senhor primeiro Ministro vai aparecer no telejornal com a Selecção Nacional de futebol, esses sim, façam o que fizerem são sempre os heróis...

Ainda estamos em Maio...


Exactamente, Maio! O céu veio carregado de cinzento claro e branco abafado num dia de temperaturas de Verão . As maias gritam de amarelo num campo de erva verde e alfazema. Umas ervilhas de cheiro cor de rosa trepam por um muro, esguias e espertas. Em S. Martinho do Porto , há décadas atrás, o perfume intenso das ervilhas de cheiro de cores impensáveis e variadas entravam pela Primavera dentro.
Há um jardim que vai ficar um mimo esta tarde!

Saturday, May 27, 2006

Caminhar

Não fui dar a minha voltinha à hora do costume , por causa do calor estival , mas, depois, as nuvens esconderam , pretenderam esconder o sol e eu achei que a temperatura estava óptima para caminhar! (Agora já não se diz passear, só caminhar- esta palavra implica, suponho, actividade, passear é de gente que não tem que fazer, então toda a gente faz a sua “caminhada” , ninguém dá um passeio…) Mas não estava, continua um calor de trovoada, espesso e irrespirável. Para cúmulo, embora ande a tentar minorar as marcas em bico e as riscas, resultado da exposição solar da semana passada, isto parece não ter conserto nenhum. Assim , ando numa angústia: não sei se devo cobrir o corpo todo desde a goela até às pontas das unhas, se andar “à Verão” toda fresca, correndo o risco de arranjar mais uma colecção de marcas tipo sol/sombra… Enfim , lá fui, mas não era eu a única, o que não sei se é bom se é mau, nas circunstâncias: à minha frente, um homem, a mulher e a vizinha. Não sei se andavam a conversar passeando se a caminhar conversando. Cada um com o telemóvel na mão, o que é fantástico… Fantástico não poderem prescindir do telemóvel enquanto vão ali e já voltam. Pus-me a pensar que assim é mais prático. Poupam o trabalho de ter que explicar por que razão não trazem com eles ou não têm telemóvel. Ninguém se convence que uma pessoa normal pode ter optado por não ter telemóvel. Como pode ter optado por passear em vez de caminhar. Pode ainda ter organizado tão bem a sua agenda profissional ou outra que tem tempo para tudo, em vez de andar em stresse , mas , nesses casos, também não é normal : Normal é querer fazer em 24 horas o que nunca se faria em setenta e duas horas para andar a correr e , como é de bom tom, dizer que não se tem tempo para nada, que nunca se senta para nada, que não pode esperar por isto ou aquilo, que , por isso mesmo, tem sempre desculpa para chegar com atraso a todo o lado… Também ninguém se convence que uma pessoa normal opte por não ter filhos ( claro que tudo se avoluma e as razões ainda são de um âmbito mais misterioso e escandaloso se se tratar de uma mulher, para os homens inventam-se muitas vezes razões mais nobres para os mesmos actos e atitudes) , opte por não casar, opte por não ter carro, opte por uma vida diferente e escolhas diferentes dos quase todos os nove milhões…daquele país com população igual a S. Paulo, Brasil…
Estas reflexões são produto do calor de trovoada: também ninguém me mandou andar a caminhar ( caminhar é a palavra do tempo da minha avó!!!) a uma hora destas, devo ter ficado com os miolos fritos… Para a próxima, vou antes passear mas pela fresca, e, se alguém se escandalizar por eu andar a passear em vez de caminhar, …continuo simplesmente a passear…

Monday, May 22, 2006

O "papão"

Em todas as épocas pairam sombras sobre os povos, como os “papões” com que os pais ( creio que eram mais as mães!!!) de antigamente ameaçavam as crianças que não comiam sopa: neste momento, como se não bastasse o aumento contínuo do preço do petróleo, um “papão” lançado ( muito provavelmente com razão) pela Comunicação Social – o petróleo vai mesmo desaparecer …

C'est la vie!!!

Fim de semana: viagem até perto da capital, “bênção das pastas” da I., o que me valeu uma insolação: estou com umas marcas lindas nos braços e decotes ( frente e costas) para ir até à praia… um dia destes e fazer um sucesso. Jantar em Lx, no sábado, com a pessoa do costume com conversas já ditas ao telemóvel mas que se recuperam para os pormenores e para acrescentar as nuances dos gestos e das expressões faciais e outros temas , livros, filmes, fotos, pessoas, selecção nacional, quer dizer a selecção, comidas, bebidas, férias, viagens, entre muitos mais temas de maneira que o tempo corre e é sempre curtinho…e depois, no domingo, umas voltas perdidas pela CREL e CRIL e portagens e mais portagens e mais um almoço, esse sim que me enche o coração, conversa sem parar entre garfadas de peixinho que faz tão bem e não engorda e um vinho ou um fino à maneira, a fingir que podia ser sexta-feira, como dizem os outros na cançoneta e que o fim de semana está apenas a começar… Do regresso à base nem se diz nada… que se diz a uma pessoa que está no Hospital e que parece não ir de lá sair tão cedo? “Que tal?” como se nada se passasse? “ Como está?” como se não soubéssemos que bem não pode estar!!! “ Está bom? “ que parece que estamos a gozar com as pessoas? Fica-se para ali sem jeito, a pessoa cansada de tudo, de não poder respirar bem , de tantos tratamentos, de não perceber bem. Sem comentários.
Hoje de manhã é que percebi que a insolação é que foi um disparate , porque o tempo aqui até arrefeceu , quer dizer, não foi o tempo que arrefeceu , acho que foi mais a temperatura que baixou…
A inspiração está atrofiada… C'est la vie!!!

Tuesday, May 09, 2006

Hoje não se trata de D. Sebastião!


A jornalista da Televisão espanhola anunciava a segunda parte de um debate: iria ser discutida a polémica sobre o Código Da Vinci de Dan Brown. Aproveitou para perguntar aos convidados daquela primeira parte, dedicada à política actual espanhola em 59 segundos ( que dá nome ao programa) cada intervenção uma opinião breve sobre o livro. Todos jornalistas, uns mais conservadores, outros mais PSOE ( partido socialista espanhol) , tudo ( seis) gente formada e informada. Pois apenas um tinha lido o livro, como se eu acreditasse numa coisa dessas, mas os cinco deram palpites rápidos, é certo, sobre o estilo do autor e sobre o conteúdo da obra. Aquele que ficou em minoria ( também se pode dizer minoria absoluta para dizer que ficou ali solito?) mostrou-se algo desconfortável por ter sido apanhado em falta ( ter lido o livro , que malandro!) , mas não pôde livrar-se de dizer duas palavras, com a desculpa esfarrapada de não o ter lido porque, precisamente hoje, saía numa revista e, com direito a capa, uma matéria da sua autoria sobre o assunto… E o homem até se divertiu a ler o livro. Aliás, não sei por que razão a Opus Dei e etc. andam tão enervados com este livro , livros afins e o filme que não tarda aí, se não se cansam de repetir que é uma obra de ficção… Que terá uma obra de ficção que faz andar tanta gente aos pulinhos nervosos? Há pessoas mesmo tacanhas, que não têm confiança nem fé ( que é tão usada para tanta barbaridade…! O que se tem feito pelos tempos e por esse mundo, à conta de uma fé , seja lá qual for!) nem em si próprias, o que nem admira nada: pessoas há que ainda acreditam que os judeus ( actuais) estão a sofrer, sofreram e hão-de sofrer não se sabe se até à eternidade, por tudo o que fizeram há … dois mil anos …??? Não sabem o que é tudo, mas deve ter sido terrível… E se se lhes diz que , mesmo que há dois mil ( ou antes?) tenham praticado esses actos tremendos de expiação sem fim à vista , Deus ( em que os Católicos acreditam!?) não pode ser, não é um Deus vingativo, é um Deus de Amor e de Perdão, respondem que Deus também é juiz… Neste ponto da conversa, uma pessoa tem que se desviar e ir arejar: assim não é possível discutir! se Deus é juiz e ainda está a castigar pessoas por actos de há dois mil anos, deve ter uma memória muito selectiva e faz uma justiça muito injusta… só castiga judeus, aqueles que, ainda para cúmulo, desde há tanto tempo, adoram um Deus único…e mais a descendência toda. Podia também aproveitar para castigar os povos todos anteriores a Cristo ( aqui é que está o busílis!!!???) que também não tinham crença nenhuma neste Deus-Juiz e até adoravam deuses , muitos deuses …Podia também lembrar-se de castigar os assassinos e todos os criminosos que se pavoneiam à face da terra como se nada … Já agora que castigasse apenas os criminosos e não alargasse o castigo aos filhos, aos netos, aos bisnetos, aos trinetos…durante gerações e gerações… Parece mais uma prática estalinista.
Nota final: Que terão feito os portugueses para viverem sempre em crise? Devem ter feito qualquer coisa…p’ra aí há mais de mil anos… digo eu!

Monday, May 08, 2006

......sim?...


Chegou uma encomenda pelo correio! Eu não chorei. Senti uns braços de filha-criança-mulher à minha volta tão bons , tão doces, tão quentes que o meu coração só se embaciou de emoção um bocadinho… e formou-se um nozinho na garganta que tive que respirar muito fundo para poder falar… quer dizer: estou a disfarçar de tão emocionada, porque mal pude dizer uma palavra…

D. Sebastião

Li um artigo no “ Público” sobre o D. Sebastião. E li-o com imensa vontade de rir. O fim de D. Sebastião foi demasiado trágico para dar vontade de rir. Mas este rei leva-me não só até Alcácer-Quibir que nem sei bem onde fica e até àqueles tempos de 1578 e às aulas de História da 4ª classe e às do Liceu (com aquela listinha de pretendentes ao trono que acabava por caber a um terrível Filipe vindo lá de Castela que parecia o fim do mundo e, afinal, o homem tinha todo o direito do mundo , mas não era isso que nos ensinavam) mas também à minha – dos tempos da Faculdade - amiga L. da Tocha. Amiga com quem partilhei casa, ou antes, ela é que partilhou a nossa , com quem estudei horas sem fim para os exames nas ruazinhas do Jardim Botânico, em Coimbra (Coimbra do Choupal ainda és capital…) , a quem perguntava as datas todas daquelas peripécias históricas que ela me relatava, com quem aprendi quase de cor os livros de História da Cultura Portuguesa , de tal maneira que , depois da frequência, fomos chamadas ao gabinete do Professor que ele pensava que tínhamos copiado…pelo livro e não uma pela outra… ( tínhamos pela casa frases completas e complexas daqueles pensadores que metemos na cabeça até hoje nem sei como) . Acompanhei-a na despedida do namorado (que havia de ser seu marido por um tal dia vinte e quatro de Dezembro e ainda hoje é) na Estação Velha e que , por esses tempos, partia para a Guiné. Ela ajudou-me a escolher o tecido para um casaco comprido , o primeiro que comprei com o meu próprio dinheiro, quando comecei a trabalhar… E tantas outras recordações vão desfilando no fio da memória… Conclusão: durante aqueles anos éramos quase inseparáveis e entendíamo-nos às mil maravilhas… Até que… ( claro que não foi este episódio que nos separou, a nossa vida é que tomou outros rumos , mas…) … até que… apareceu o D. Sebastião… dizendo melhor: ele não apareceu; ao que se sabe , ele foi para Alcácer-Quibir e nunca mais voltou. Mas, naquele dia, apareceu entre nós, meteu-se na nossa amizade, houve discussão e amuos… E a mim só me dá e só me deu vontade de rir: ela lá estava, com a sua inseparável lima a tratar das suas unhas, e pediu-me para lhe perguntar, como tantas vezes: “ Vê lá se eu já sei isto ( eu disse-lhe muitas vezes que também havia de ir fazer as frequências com ela , acabava por tirar dois cursos de uma vez…) “ e “isto” era aquela tragédia do D. Sebastião e ela a contar, a contar , a contar e eu a ler nos apontamentos que ela estava a dizer tudo certinho e eu a “ver” aquele jovem com a “flor” da nobreza e mais todos os outros a tombarem a eito naquela terra longínqua e a ver a ameaça dos Filipes e a perda independência … e não me contive: “o D. Sebastião era louco!” Eu não sei o que ela agora pensa do assunto, mas sei que, afinal, mesmo entre os estudiosos deste rei, uns acham que ele foi um herói, outros acham que ele foi um louco, embora eu perceba, neste tempo que nem tudo é preto ou branco, há sempre umas nuances, uns matizes, umas pressões de muitos lados e ele era novo e tal, e, quando uma pessoa é jovem comete muitas loucuras, embora não sejam tão radicais como as de Alcácer-Quibir, acho eu, mas , enfim , a minha opinião era legítima e , embora a ideia da liberdade de expressão ainda não estivesse afinada ( estava quase quase quase!!! ) , eu tinha todo o direito de ter aquela opinião. E eu, sinceramente… aquilo era só um comentário, tão simples, assim, de passagem , para aliviar aquela monotonia de estar a ouvir os seus esquemas e as suas anotações ditas em forma de texto oral, para despejar na frequência, achei que nem sequer ia merecer uma interrupção daquelas! uma interrupção? Uma excomunhão, ela ia-me excomungando … não sei de onde , talvez da História, do quarto, da casa, da vida dela possivelmente. Uma igorante era o que eu era, um rei assim com uma visão tão extraordinária ( tão extraordinária que ficou para lá morto! – bradava eu , depois de ter sido apanhada de surpresa por aquela enxurrada de epítetos, todos sinónimos de ignorante) , que queria expandir Portugal e porque assim e porque deixa e porque também. Então , achei aquilo ridículo : o reizinho, tão novo, tão enfeitadinho naquelas roupas do retrato , que nunca mais voltou da sua heróica façanha ( eu até gostava do retrato, ele até se cognominava “ O Desejado”, o que é muito bonito e achava um desperdício aquela morte e as outras tão estupidamente e até gostava das lendas, do mistério , as manhãs de nevoeiro) e nós ali a discutir como umas tontas … desatei a rir às gargalhadas , e ainda hoje , o D. Sebastião me dá vontade de rir, porque penso logo nele, neste episódio. Ela é que não achou piada nenhuma, expulsou-me do quarto ou eu é que me pus a andar, porque não tenho grande habilidade para discutir durante muito tempo… Durante uns dias, fui dispensada de lhe fazer perguntas sobre a matéria que ela continuava a estudar afincadamente.
Depois, voltou tudo ao normal: amigas como dantes.
Nunca mais se falou do D. Sebastião.

Ainda era O Dia da Mãe...

A mulher pequenina e decidida ajudava o marido a estacionar o carro. Ele berrava lá de dentro sem atinar com as voltas a dar ao volante. Se calhar já não tem idade nem paciência nem reflexos para conduzir… Saíram umas pessoas do café a acalmá-lo. Por fim, lá conseguiu estacionar. Entraram e dirigiram-se a uma mesa do restaurante. Ele , de idade de ser avô muito avô, lá da sua altura alta, insultava-a. Ela sorria, semi-escondida de vergonha da situação ou dele ou da vida ou de si…Pediram um prato de bacalhau. Engolimos um travo amargo com o café e saímos, cabisbaixos. Um dia destes, vai haver um acidente!